Covid-19: possível cordão sanitário no Porto faz estalar verniz entre autarquia e DGS

Porto 30-03-2020 17:39
Por Redação

A possibilidade da criação de um cordão sanitário em redor do Grande Porto, um dos principais focos da pandemia de Covid-19 em Portugal, admitida na tarde desta segunda-feira pela Diretora-Geral de Saúde, em conferência de imprensa, como medida em equação para travar o contágio, mereceu críticas contundentes da autarquia presidida por Rui Moreira, que, em comunicado, diz «deixar de reconhecer» a responsável máxima da Direção-Geral de Saúde depois do anúncio, que atribuem apenas a eventual «cansaço» da responsável máxima da DGS, Graça Freitas.

 

No habitual balanço diário da evolução da pandemia em território nacional, no Ministério da Saúde, em Lisboa, Graça Freitas admitiu a possibilidade, após o número de casos ter disparado, de 417 sábado para 941 no domingo, só no concelho do Porto.

 

«Está a ser equacionada a criação de um cordão sanitário no Porto», admitiu a Diretora-Geral de Saúde na ocasião, sublinhando que «a decisão será tomada até final deste dia», em que também anunciaram que todos os utentes e funcionários de lares de idosos no País serão testados (mais de 10 mil).

 

A resposta da autarquia é contundente: medida «absurda» e ineficaz», lembrando que nos concelhos vizinhos e do Grande Porto «a situação epidemiológica é em tudo igual», pelo que manifestou surpresa pelo simples equacionar, por parte da DGS, de uma medida que paralisaria uma área com mais de 2,5 milhões de habitantes, e contra a qual também Gaia está contra, apesar de já estar em vigor noutros concelhos, como Ovar ou Povoação (Açores).

 

«A Câmara Municipal do Porto deixa de reconhecer autoridade à Sra. Diretora-Geral da Saúde, entendendo as suas declarações de hoje como um lapso seguramente provocado por cansaço», lê-se na nota. Um extremar de posições que o próprio Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, desvalorizou já, no Palácio de Belém, onde também acabou de falar aos jornalistas ao início da tarde, ao considerar «uma observação ou reparo, naturais num processo em curso» na luta contra a pandemia.

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