«Angola tem de parar o Girabola!» 

Angola 21-03-2020 10:19
Por Rogério Azevedo

Dionísio Castro, antigo recordista do Mundo dos 20 quilómetros em pista, reside em Angola há vários anos e é, atualmente, diretor para o futebol do 1.º de Agosto. O campeão, como é conhecido no clube de Luanda, está «preocupado, mas não alarmado» com a pandemia mundial do coronavírus. «Sim, claro», diz, «não só pelos familiares e amigos que tenho em Portugal, mas também pelos que estão em Angola».


O Governo angolano já cancelou diversos eventos desportivos e, apesar de os jogos do Girabola se continuarem a realizar, agora à porta fechada, Dionísio Castro lança o alerta: «Para defesa do povo angolano, o campeonato tem de parar a curto prazo. O apuramento para as fases seguintes do Chan [campeonato africano de seleções com jogadores que atuem apenas em campeonatos africanos] foi cancelado pela Confederação Africana de Futebol e as escolas angolanas vão fechar a partir de terça-feira [segunda-feira é feriado: Dia da Libertação da África Austral]. No 1.º de Agosto, tentando antecipar algumas medidas que terão de ser tomadas pelo Governo angolano, vamos reduzir as nossas atividades e fechar as instalações, de modo a termos o mínimo de contactos com pessoas do exterior.»

 

O diretor para o futebol do 1.º de Agosto salienta que «o Ministério da Educação e dos Desportos está preocupado com a pandemia» e que tem feito diversos comunicados para «elucidar as pessoas de que não devem andar em grandes aglomerados». O antigo atleta do Sporting reforça que «o 1.º de Agosto, centrado na pessoa do presidente Carlos Hendrick, está a tomar medidas rigorosas e a ser pioneiro nesta matéria do Covid-19, fechando atividades e instalações», diz, «de modo a reduzir potenciais contágios entre pessoas». Adianta, no entanto, que «a federação angolana também está a tomar as medidas consideradas necessárias para combater o flagelo».

 

Quase a terminar a conversa com A BOLA desde Luanda, Dionísio esclarece que o presidente de Angola, João Lourenço, «está sempre a falar na televisão, acalmando as pessoas e a dar-nos moral», ao mesmo tempo que salienta que, pelas informações oficiais que vai tendo, «ainda não se registou qualquer caso positivo entre a população angolana», embora acredite que, «com tanto estrangeiro a entrar e a sair do País», seja possível que haja casos de contágio que ainda não são conhecidos.

 

Ainda ontem de manhã, os militares, tetracampeões angolanos (2016, 2017, 2018 e 2019) realizaram uma palestra ministrada pelo médico Roger Lopes, com o objetivo de elucidar atletas, funcionários e treinadores com dados relativos à doença, de forma a acautelar e proteger a saúde de todos. «Estamos na vanguarda dos clubes angolanos relativamente a este problema», disse Dionísio Castro.
 

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