Relato de um português isolado em Itália: «Estar de quarentena não é tão mau como pensamos»

Basquetebol 16-03-2020 07:52
Por Guilherme Matos

Jeremiah Wilson é português desde fevereiro de 2018 e estreou-se pela Seleção Nacional no verão do ano passado, na Suíça.  Hoje é basquetebolista no histórico Pallacanestro Cantù, clube da principal divisão italiana localizado na região da Lombardia, e, por esse motivo está parado… Afinal, vive num dos epicentros do Covid-19 na Europa.

 

Na décima temporada como profissional, o extremo-poste natural de Chicago contou a A BOLA a «situação única» que enfrenta há quase um mês. Da preocupação ao isolamento forçado, um relato da tranquilidade possível.


«Eu e a minha família temos lidado com isto da melhor forma que conseguimos. Neste momento, a minha mulher e a minha filha estão na República Checa, há cerca de um mês. Optámos por isso, pois lá estão mais seguras. Sinto-me mais confortável sabendo que elas estão lá, apesar de continuar aqui em Cantù, sozinho», revela.


Com as fronteiras da República Checa encerradas, medida decretada pelo governo local, Wilson prefere não correr riscos para tentar reunir-se com a esposa Kristyna e com a filha Arielle. «É possível sair daqui, mas não sei como chegar à República Checa. Os aeroportos são as áreas mais afetadas e contagiosas, portanto o melhor a fazer é cumprir com as normas de prevenção. Resta-me esperar e cumprir todas as recomendações», assume, desdramatizando.


Sem os habituais treinos, o extremo-poste de 31 anos viu-se forçado a alterar o quotidiano em virtude da situação excecional em que se encontra. «A minha rotina passa por relaxar o corpo, fazer os treinos individuais em casa para me manter ativo. Foco-me em manter a calma, falar com a minha mulher e a minha filha para saber se estão bem. Acompanho o mercado bolsita nos Estados Unidos e falo com os amigos e a família que está em Chicago», relata através do smartphone que sempre o acompanha e mantém ligado ao mundo.


Sob quarentena apertada - apenas as idas periódicas ao supermercado são permitidas - o camisola 19 da Seleção Nacional ocupa o tempo vago procurando entreter-se com videojogos e utilização das redes sociais. Empenha-se, no fundo, em fintar os constrangimentos do isolamento social: «Faço uns diretos no Instagram, até para mostrar às pessoas que estar em quarentena não é mau como pensamos, que podemos perfeitamente estar em casa e seguir as instruções que nos são transmitidas pelas autoridades».


A cumprir o décimo ano fora de casa, Wilson admite que «o mais difícil é mesmo estar sem a família». «A seu tempo, tudo vai resolver-se», transmite mensagem de esperança. 

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