Bingham vence Carter (10-8) e conquista o Masters

Snooker 19-01-2020 22:39
Por António Barroso

O inglês Stuart Bingham, de 43 anos, 14.º da hierarquia (e campeão mundial em 2015), conquistou na noite deste domingo pela primeira em 25 anos de carreira (desde 1995) o Masters, prova da época 2019/2020 do World Snooker Tour, ao vencer na final do torneio, disputada no Alexandra Palace, em Londres, o compatriota Ali Carter, de 40 anos, 17.º do ranking, por 10-8.

 

Muito bem e a recomendar-se vai modalidade em que 14.º e 17.º da hierarquia, segundos planos, chegam à final do segundo maior torneio do planeta e anotam 14 (!) entradas de 50 ou mais pontos (Bingham oito, Carter seis), três delas centenárias (duas de Ali, uma de Stuart) em 18 frames num só jogo. Ninguém se lembrou de Judd, Ronnie, Selby, Neil, Williams ou Higgins. Apesar de se tratarem de dois quarentões - a experiência conta, sempre, e muiitíssimo, por isso chegaram à final - o futuro do snooker, como se viu, está assegurado. E alternativas aos ídolos do costume, não faltam.

 

Segundo título da Tripla Coroa para o profissional de Basildon, campeão mundial em 2015 (18-15 a Shaun Murphy na final) e que sucede a Judd Trump a levar o Troféu Paul Hunter, o vistoso triangulo de cristal, mais o cheque gordo de £250 mil (€293.097) para casa, enquanto Ali Carter, também estreante em finais na prova do Ally Pally, que não pontuava para o ranking e era reservada ao top16 – 17 no caso da edição que neste dia terminou, com Ali Carter na vaga de Ronnie O’Sullivan (declinou jogar) - amealhou £100 mil (€117.239) por quatro jogos numa semana de trabalho no ‘escritório’, em prova que atribuiu £725 mil (€849.981) totais em prémios.

 

Pedir a Carter, repescado para jogar uma prova que, em rigor, deveria estar a seguir de casa pela TV, ou como espetador no Ally Pally, que batesse de enfiada, em quatro jogos, outros tantos campeões do Mundo e da Tripla Coroa (conquistadores, também de Masters e UK Championship) era demasiado: 6-4 a Mark Selby (tricampeão mundial, 2014, 2016 e 2017), 6-3 a John Higgins (tetracampeão mundial, 1999, 2007, 2009 e 2011), 6-3 a Shaun Murphy (campeão mundial em 2005) já tinham, num torneio de sonho e conto de fadas de Carter, sido ultrapassados. Era só mais um esforço pedir ao sensacional Captain Carter (pilota aviões) que ainda suplantasse Bingham, campeão mundial em 2015: seria a cereja no topo do bolo de um conto de fadas quase real, mas era demasiado.

 

Bingham, que nas meias-finais terminou com o sonho de David Gilbert em tornar-se o sexto profissional a ganhar o Masters na sua estreia no torneio – depois de John Spencer, no primeiro Masters (1975), Doug Mountjoy (1977), Terry Griffiths (1980), Stephen Hendry (1989) e Mark Selby (2008) -, ao vencer o compatriota por 6-2, está a um título no UK Championship de conseguir a Tripla Coroa (vitória nas três grandes provas) e mandar bordar o adereço doirado no colete que distingue quem já conquistou a Triple Crown.

 

A vitória de Ball-run Bingham começou a desenhar-se depois de, na sessão da tarde, Carter assinar logo a abrir aquela que acabou por ser a única centenária da primeira parte do duelo, com 126 pontos de rajada, para o 1-0: foi no segundo parcial que Stuart teve entrada de 75 pontos para o 1-1. Chegou-se à frente a 2-1, break de 56 pontos de Ali deu-lhe nova igualdade (2-2) e voltou o mais novo mesmo para a frente a 3-2 com nova autoritária entrada de… 93 pontos.

 

Poucos vaticinariam, então, com 3-2 para Carter, e num jogo equilibrado, erros inacreditáveis e inesperados de parte a parte, a acusarem a pressão e os nervos do grande momento, que Bingham iria arrebatar os três parciais seguintes para chegar à noite a vencer por 5-3.

 

Entrada de 66 pontos deu a Stuart o 3-3 (após falhanço clamoroso de Ali que lhe daria o 4-2, num parcial de mais de meia hora), outra de 50 pontos na sétima partida o 4-3, e uma amarela inesquecível no longo, discutido e tenso oitavo e último parcial da tarde o 5-3… que poderia ser, sem surpresa, 4-4. Após ser pela bafejado sorte em bolas ante Gilbert, Stuart tinha a felicidade. Um sinal… e estrelinha: sem ela, não há campeões.

 

No reatamento, crucial para Ali manter a chama reivindicar a nona partida e voltar a encostar a Bingham: 4-5. E a confirmação de que era o momento de Ali, com Bingham sem fluência alguma, veio logo após, com o 5-5 a recolocar tudo como no início. Raro: Stuart voltou à mesa a precisar de todas as bolas e ainda de três faltas do rival. Mas tentou. Má abertura de Ali deu a Bingham chance de pontuar e consumar reviravolta no marcador, com terceiro parcial de rajada: 6-5 após Stuart ir até aos 37 pontos e deixar vermelha, à porta de um buraco para Carter limpar, com entrada de 88 pontos, logo seguida, no 12.º parcial, por centenária e limpeza (133 pontos) para chegar ao descanso com 7-5 para si.

 

Stuart voltou ao Alexandra Palace e ao jogo, conseguindo estancar a hemorragia, na 13.ª partida, primeira após o intervalo: entrada de 71 pontos valeu encostar a Ali: 6-7. E a resposta de Bingham, a nivelar tudo e colocar a emoção no teto da sala, veio a seguir: nova entrada ganhadora de 85 pontos e 7-7. Para devolver a graça a Ali e somar quatro parciais de rajada, todos após o reatamento (!), chegaram entradas de 58 pontos na 15.ª partida e uma má abertura de Carter na 16.ª a permitir a Stuart somar novo break ganhador (85 pontos) para ficar de novo com dois de vantagem (9-7), tal como no final da sessão inaugural, e ficar a um do segundo maior momento da carreira, depois da vitória no Mundial de 2015 (18-15 a Shaun Murphy na final).

 

Tempo para Carter acordar, encher-se de brios e após Stuart claudicar a parcos três pontos na primeira chance de acabar com o jogo, Ali somou entrada de 77 pontos e encostou a 8-9, embora continuasse obrigado a vencer os próximos dois. Stuart pressentiu o perigo da negra e partiu com tudo a evitá-la, entrada centenária, a sua primeira no torneio, de 109 pontos, para fechar com chave de ouro: 10-8, campeão.

 

Masters da Europa 4.ª feira na Áustria sem Ronnie e Trump

 

O World Snooker Tour pausa 48 horas - dois dias, segunda e terça-feira - e já na quarta-feira, dia 22 do corrente mês, e até domingo, dia 26, tem lugar em Dornbirn, na Áustria, o European Masters (que de 2017 a 2019 decorreu em Lommel, na Bélgica), nona prova pontuável para o ranking da época 2019/2020 do WST, com os 32 profissionais apurados para o torneio.

 

A prova, na qual o Rocket também não participa, (ausente das qualificações, em dezembro) e Judd Trump não conseguiu o apuramento – batido por Ian Burns (3-5) - atribui £407 mil (€477.162) em prémios, das quais £80 mil (€93.791) ao campeão - Jimmy Robertson venceu em 2019 (9-6 a Joe Perry na final – e também será transmitida para Portugal (EuroSport), sendo jogad à melhor de nove frames - vence quem chega a cinco (de 5-0 a possíveis 5-4) - até ao quartos de final, inclusive. As meias-finais são disputadas à melhor de 11 possíveis parciais, até um vencer seis deles (de 6-0 a possíveis 6-5) e a final à melhor de 17 partidas: é campeão o primeiro a vencer nove (de 9-0 a possíveis 9-8).

 

Final do Masters WST, este domingo:

Ali Carter-Stuart Bingham, 8-10

 

16avos de final do European Masters, 4.ª e 5.ª feira (hora de Portugal continental):

Daniel Wells-Michael Holt (4.ª feira, 9 horas)

Robbie Williams-Thepchaiya Un-Nooh (4.ª feira, 9 horas)

Graeme Dott-Liang Wenbo (4.ª feira, 9 horas)

Lyu Haotian-Neil Robertson (4.ª feira, 9 horas)

Tian Pengfei-Ali Carter (4.ª feira, 14 horas)

Robert Milkins-Ding Junhui (4.ª feira, 14 horas)

John Higgins-Fergal O'Brien (4.ª feira, 14 horas) 

Lu Ning-Marco Fu (4.ª feira, 14 horas)

Scott Donaldson-Kyren Wilson (4.ª feira, 19 horas)

David Lilley-Barry Hawkins (4.ª feira, 19 horas)    

Jak Jones-Mark Selby (4.ª feira, 19 horas)

Alfie Burden-Xiao Guodong (4.ª feira, 19 horas)

Mark Williams-Zhou Yuelong (5.ª feira, 9 horas)   

Jackson Page-Yan Bingtao (5.ª feira, 9 horas)

Gary Wilson-Luca Brecel (5.ª feira, 9 horas)

Michael White-Zhao Xintong (5.ª feira, 9 horas)

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