Carter bate Murphy (6-3) para 1.ª final: Masters terá campeão inédito

Snooker 18-01-2020 17:15
Por António Barroso

O inglês Ali Carter, de 40 anos, 17.º da hierarquia, apurou-se na tarde deste sábado para a final do Masters, prova da época 2019/2020 do World Snooker Tour a decorrer até domingo, dia 19 do corrente mês, em Londres, ao bater o compatriota Shaun Murphy, de 37 anos, 10.º do ranking (e campeão mundial em 2005), por 6-3, na primeira meia-final da prova, no Alexandra Palace, em Londres.

 

O conto de fadas do Captain – Carter pilota aviões, sofre da doença de Crohn e já interrompeu a carreira quase um ano para debelar um cancro – de Ali continua: repescado à última hora, pois não tinha lugar numa prova reservada aos 16 melhores e só teve vaga por Ronnie O’Sullivan não participar, está na primeira final do Masters em 24 anos de carreira (desde 1996), terceira sua num evento da Tripla Coroa, após perder para o Rocket os duelos decisivos do Mundial 2008 (8-18) e 2012 (11-18).

 

Ao bater o mágico Murphy, campeão do Masters em 2015 (10-2 a Neil Robertson), Ali Carter garantiu que o bonito Troféu Paul Hunter, o triângulo de cristal que premeia o campeão do Masters, terá um conquistador inédito nesta edição: tanto ele como David Gilbert e Stuart Bingham, que vão jogar a outra meia-final, nunca venceram a prova… ou sequer haviam alguma vez chegado ao jogo decisivo, em que Allister Carter asseugou neste dia que se irá estrear, já no domingo, dia 19.do corrente mês.

 

Uma história que remete para a conquista do Campeonato da Europa de Futebol de 1992, cuja Fase Final decorreu na Suécia, pela Dinamarca de Peter Schmeichel, chamada à última hora pela UEFA para preencher a vaga da Jugoslávia… e que foi até à final, onde bateu a Alemanha por 2-0 e foi recebida em delírio em Copenhaga: campeã improvável, que tinha os jogadores já de férias quando recebeu o convite para disputar a prova. A esta hora, e com Carter a um passo de vencer o troféu, Ronnie O’Sullivan deve estar a pensar no que foi arranjar. Ali, esse, tem feito o que lhe compete: sem pressão, vence e convence, como a Dinamarca de há 28 anos no Euro.

 

Um jogo que cedo se começou a inclinar para Carter, com Murphy titubeante no jogo defensivo e Ali, com entradas de 55 e 91 pontos, a chegar a 2-0 com autoridade, antes de Shaun assinar primeira centenária (105 pontos) para encostar a 1-2. Mas Ali, de Colcheter, foi mais forte no quarto parcial, equilibrado como o primeiro: 3-1 incontestável para Carter ao intervalo.

 

Natural de Harley e o único do ‘top 10’ a ter chegado aos quatro melhores no Ally Pally, Murphy fez, no reatamento, o que lhe competia: foi com tudo para cima de Carter, e nova entrada centenária (110 pontos) colou-o de novo ao compatriota a 2-3. Para Carter voltar a reclamar para si o equilibrado sexto parcial: vencer os frames em que poderia o rival ter vencido é explicação para o surgimento em pleno dos menos cotados na prova londrina.

 

Com 4-2 para Carter, após Murphy cometer erro inacreditável num profissional – a jogar a uma vermelha, ali perto… acertou noutra e deixou a mesa aberta ao rival - foi preciso Carter falhar de forma inesperada a castanha na sequência final para ser Shaun a roubar um parcial nesta meia ao seu adversário, fazer o 3-4 e relançar a emoção.

 

O pior momento da meia-final, com fadiga notória de ambos à mesa veio na oitava partida: quatro vermelhas acessíveis não embolsadas, duas por cada um, até Carter recuperar de 12-27 para, com entrada de 45 pontos, chegar a 57-27: 30 pontos de vantagem com uma única vermelha (e 35 pontos possíveis) na mesa. Altura de os deuses provarem que não há campeões sem sorte: Murphy deixou Ali snooker (branca escondida), este embolsou a vermelha com felicidade para, com o jogo defensivo, chegar ao desejado 5-3.

 

Foi o momento que arrasou psicologicamente Murphy: a sua cara a recostar-se na poltrona tipo F1 dizia tudo. E à primeira aberta, com killer instinct, no nono frame, Ali Carter embalou para break ganhador, de 97 pontos, para a vitória no jogo, por 6-3... e para a presença na final.

 

A segunda das meias-finais só com ingleses opõe, a partir das 19 horas, Stuart Bingham, de 43 anos, 14.º da hierarquia (e campeão mundial em 2015), a David Gilbert, de 38 anos, 11.º da tabela. Ainda será jogada à melhor de 11 frames, até um vencer seis parciais (de 6-0 a possíveis 6-5), mas a final, domingo, será à melhor de 19: é campeão e sucederá a Judd Trump (10-4 a Ronnie O’Sullivan na final de 2019)  o primeiro a vencer dez frames (de 10-0 a possíveis 10-9).

 

O Masters é reservado aos 16 melhores da hierarquia e não pontua para o ranking. Atribui £725 mil de prémios (€851.057): £250 mil (€293.468) ao campeão e £100 mil (€117.387) ao vice-campeão – quantia mínima que Ali Carter já garantiu ao vencer… três jogos -, e é transmitido para Portugal (EuroSport).

 

Meias-finais, este sábado (apurado a negro):

Shaun Murphy-Ali Carter, 3-6

David Gilbert-Stuart Bingham (19 horas)

 

Final do Masters, domingo:

Ali Carter-David Gilbert/Stuart Bingham (13 e 19 horas)

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