Sobre antecipar

O Mundo dos Guarda-Redes 09-01-2020 17:54
Por Roberto Rivelino

O debate entre Belenenses e FC Porto promoveu o encontro dois dos guarda-redes em voga na Primeira Liga: Hervé Koffi na baliza dos azuis e Agustín Marchesín nas defesas das redes dos azuis e brancos. Ultrapassados por apenas uma ocasião, os guarda-redes fizeram-se protagonistas do encontro em várias intervenções – quanto mais, o dos dragões assinou uma defesa de cortar a respiração no capítulo da visibilidade. Espetáculo à parte, o relvado do Jamor foi pisado por dois dos guardiões que mais ambicionam a antecipação no jogo – para o bem e para o mal.

Oscilante como a temporada do Belenenses, Hervé Koffi contrasta os impulsos naturais de quem quer mostrar com a habilidade para procurar o desconforto – sair da baliza. O seu critério de tomada de não é muito ortodoxo, mas tem sido abonado com fortúnio nas decisões de pior qualidade que tomou até aqui – em qualquer momento de jogo. Do outro lado, Agustín Marchesín está habituado a defender em zonas subidas e por isso expõe-se a situações que seriam evitáveis, quando mais recuado poderia fazer valer a capacidade física para protagonizar intervenções como a que se viu em Barcelos ou face ao remate de Licá, nesta última jornada.

Nestes dois estilos de jogo está patente a necessidade de contactar a bola, de procurar decidir o desfecho do lance e de aparecer, com uma vontade desmedida de se ser mais do que se pode ser. Na procura por potenciar as qualidades de cada um deverá existir a palavra equilíbrio e a potenciação daquilo que são as valências: Marchesín teria sofrido menos golos com um posicionamento mais profundo ou Hervé Koffi estaria menos exposto com outras noções de baliza? Não sendo ciência exata, o futebol proporciona que se questionem as abordagens – no sucesso e no insucesso -, para que antecipar não seja adivinhar e decidir não seja confundido com exposição desnecessária – neste capítulo, no jogo em questão, vemos ambos com um querer assumir bolas com cobertura de colegas defensores -, e com isto objetivar e proteger instintos naturais de quem vê e sente, deixando o guarda-rede mais perto de uma valência rara: conhecimento próprio. É por aí onde estes dois sujeitos podem crescer, nomeadamente Agustín Marchesín – margem de progressão rara (positiva) para quem se apresenta com 31 anos.

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