Fugir aos comuns

O Mundo dos Guarda-Redes 09-01-2020 17:55
Por Roberto Rivelino

A constante comparação com Rui Patrício podia jogar contra Luís Maximiano, mas a verdade é que este facilitador de avaliação constantemente utilizado para se falar de alguém no Futebol pode fazer do jovem guarda-redes a esperança e futuro da baliza do Sporting.

A forma como foi introduzido à competição acabou por o proteger e dentro do próprio Luís Maximiano parece existir uma coragem que o faz pisar momentos de jogo que, em outras circunstâncias um guarda-redes com a sua experiência de alto rendimento e juventude não pisaria, e daí cavalga para encurtar qualquer diferença que pareça existir para a capacidade ou rendimento de Renan Ribeiro.

Querer mostrar e ter uma vontade interna em acrescentar tem sido benéfico para o seu desempenho e a ausência de erros com golos sofridos pode ser o gatilho para não passar pelas experiências oscilantes do início da carreira de Rui Patrício – contestação pública, dúvida e insegurança interna. Com os jogos recentes, conseguiu-se perceber que Luís Maximiano tem sido um acrescento à qualidade de jogo e poderá encontrar-se a estabilidade que se ausenta da baliza de Alvalade desde a saída do ex-número 1 para o Wolverhampton.

Se dentro destes predicados Luís Maximiano não se deixar absorver pela juventude e precipitação própria da sua carência em alto rendimento e continuar a dar passos sólidos, poderemos ver mais um guarda-redes a fugir aos comuns e entrar nas exceções que são os guardiões portugueses na elite do futebol nacional – em dezoito equipas, só Cláudio Ramos (Tondela), Tiago Sá ou Eduardo (Braga), Marco Rocha (Santa Clara), Ricardo Ferreira (Portimonense), e Ricardo Ribeiro (Paços de Ferreira), são confiados com a titularidade.

 

Dia Nacional do Guarda-Redes

Na quarta-feira assinalou-se o Dia Nacional do Guarda-Redes. Não sendo uma data oficial e com a iniciativa a partir do site O Mundo dos Guarda-Redes, do qual sou autor, a marca cresce a cada ano – foi inaugurada em 2015 -, e deverá prevalecer por questões que escapam à influência do próprio influenciador: dentro da classe dos guardiões, técnicos específicos e apaixonados pela posição de defesa das redes existe uma necessidade de valorização e constante procura pela emancipação. Não sendo tão negligenciados como eram há alguns anos, os guarda-redes cada vez mais conquistam pelas próprias mãos e a formação e qualificação de treinadores, observadores e adeptos começa a dignificar a posição e as suas funções – há mais tolerância, compreensão e entendimento. José do Carmo Francisco escrevera que «os guarda-redes morrem aos domingos», mas a verdade é que vivendo de cabeça erguida os seis dias anteriores viverão uma morte eterna (porque em cada jogo o abismo é garantido – cabe a eles inverter o rumo dos acontecimentos).

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