Morna proclamada Património Imaterial da Humanidade pela UNESCO

Cabo Verde 11-12-2019 17:19
Por Lusa

A morna, género musical típico de Cabo Verde, foi proclamada, esta quarta-feira, Património Imaterial Cultural da Humanidade pela Organização das Nações Unidas (ONU) para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).

 

A decisão final sobre a ratificação da classificação, que já tinha recebido o aval da comissão de peritos em novembro, foi adotada na 14.ª reunião anual do Comité Intergovernamental para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial da UNESCO, que decorre desde segunda-feira no Centro de Congressos Agora, em Bogotá, Colômbia.

 

Além da morna, o comité está a analisar a ratificação de outras 39 candidaturas a Património Cultural Imaterial da UNESCO.

Considerada popularmente “música rainha” de Cabo Verde, como recorda ‘Nôs morna’, uma das mais conhecidas mornas, do poeta Manuel d`Novas, o dossiê da sua candidatura a Património Imaterial Cultural da UNESCO, com mais de 1000 páginas e cerca de 300 entrevistas, foi formalmente entregue pelo Governo cabo-verdiano a 26 de março de 2018.

 

«A morna surge de uma mistura de estilos musicais com fortes raízes africanas, o landum, com as influências da modinha luso-brasileira», recorda o dossiê de candidatura a Património Imaterial Cultural da UNESCO, que acrescenta:

 

«Interpretada em crioulo cabo-verdiano por uma voz solista, homem ou mulher, apesar de existirem também mornas apenas instrumentais, e versando temas lírico-passionais, produz-se uma canção melancólica, muito vinculada ao sentimento do amor, ao sofrimento, à saudade, à ternura, à tristeza, à ironia e à boa ou má sorte do destino individual».

Geralmente acompanhada por viola, cavaquinho, violino e piano, o instrumento de excelência da morna é o violão, introduzido em Cabo Verde no século XIX.

 

O processo levado à UNESCO conta com 77 declarações individuais de consentimento e apoio, de instrumentistas, compositores e interpretes de morna, até artesãos e construtores de instrumentos de corda.

 

O dossiê cabo-verdiano contou com o apoio técnico de Portugal e com a colaboração do antropólogo Paulo Lima, especialista português na elaboração de processos de candidatura a Património Imaterial da Humanidade da UNESCO, como o fado, o cante alentejano e a arte chocalheira.

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