O saco do pobre (artigo de José Antunes de Sousa, 109)

Espaço Universidade 21-10-2021 23:12
Por José Antunes de Sousa

Já o afirmei vezes sem conta: a nossa realidade é inelutavelmente decretada pelo nosso estado de consciência. E, por outro lado, nunca seremos capazes de alterar e superar um problema se insistimos em fazê-lo a partir do mesmo nível de consciência que o gerou - como afirmam, do alto da sua incontestável credibilidade, homens como Albert Einstein, John Wheeler, Neville Goddard, Amit Goswami ou Gregg Braden.

 

Já em 1944, Max Planck havia descoberto o que fora do conhecimento dos essénios ou dos tibetanos: a existência de um “campo unificado” de energia no seio do qual a pura potencialidade, uma vez activada pelo nosso desejo/ intenção, incorpora a realidade no marco da nossa experiência.

 

Não é com conversa, por mais lógica e sensata que pareça a quem escuta: pedir, por exemplo, a cura de uma enfermidade é, paradoxalmente, afirmar a presença da doença - estamos a contribuir para agravar aquilo que justamente queríamos ver resolvido. É como se alguém quisesse enriquecer, batendo de porta em porta e, andrajoso, carregasse um saco de mendigo -  de serapilheira, isso mesmo!

 

Foi o que literalmente aconteceu com o apagão de ontem da e na Luz:

 

Vejamos: que dissera o seu impagável treinador logo após o resultado do sorteio? Isso mesmo - que o primeiro lugar do grupo já estava entregue. Ou seja, a partir do mesmo estado de consciência que desejava que a sua equipa conseguisse qualificar-se, decretava contraditoriamente que tal seria quase impossível, uma vez que tal decreto destinava o primeiro lugar à”melhor equipa do mundo”, dando como perdidos os encontros com o gigante bávaro. E bastaram escassos vinte minutos para se consumar tão sábia e funesta profecia. Os psicólogos chamam a isto o “fenómeno de dissociação “.

 

Mas há mais: ao afirmar não querer ser goleado por tão temível ataque, estava implicitamente a admitir o quão difícil iria ser impedir tal fatalidade.

 

Ontem foi uma noite de bruxas na Luz - um Halloween antecipado: até aos 70 minutos, um céu estrelado, mas, em poucos minutos, esse céu ficou carregado e desabou uma tormenta fatal - e tudo foi na enxurrada.

Mas, perante tão estrepitosa derrocada emocional, não falta quem se pergunte: que faz no Seixal essa personagem, anafada e rubicunda, pomposamente intitulada de consultor motivacional, com os bolsos a abarrotar de euros e que o inefável treinador parece não querer (ou poder) dispensar em circunstância alguma?

 

Teve, porém, um inegável mérito esta noite aziaga: a de pôr a nu algumas das nossas ancestrais fraquezas - e, uma delas, porventura a mais irritante, é a mania das grandezas, uma mania que só quem é mesmo pobre é que tem. O rico, se o é realmente, contenta-se em sê-lo.

 

E o pobre, precisamente porque sabe que o é,  dedica-se alegremente aos tortuosos exercícios da bajulação e da subserviência. Pobre diabo!

 

Amigos, deixem-me rematar com uma observação do foro clínico: estas súbitas quebras de tensão são muito perigosas: podem acabar em paragem cardio-respiratória. Tragam, rápido, um desfibrilador!

 

E aproveitem e façam um check-up ao futebol português!

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