Basquetebol Feminino Lusófono reforça liderança Africana (artigo de Eduardo Monteiro, 48)

Espaço Universidade 27-12-2019 00:06
Por Eduardo Monteiro

Decorreu durante o mês de Dezembro no “Indoor Stadium” da cidade do Cairo (Egipto), a fase final do Campeonato Africano de Basquetebol de Equipas Femininas (FIBA Africa Women´s Champions Cup) com a participação das formações campeãs nacionais dos respectivos países: Al Ahly Sporting Club (Egipto), C.N.S.S. (R.D.Congo), Energie BBC (Benin), FAP Basketball (Camarões), Ferroviário Maputo (Moçambique), Inter Clube Luanda (Angola), MFM Queens Basketball (Nigéria) e Sporting Alexandria (Egipto). As equipas do Ferroviário do Maputo e do Inter Clube de Luanda,  representantes da Comunidade Lusófona em África, demonstraram novamente a sua enorme capacidade competitiva e sagraram-se respectivamente campeãs e vice-campeãs do continente africano.

 

Sistema competitivo:

Na primeira fase do torneio as equipas foram distribuídas por dois grupos de 4 equipas cada, jogando entre si em cada grupo. A classificação em cada grupo definiu o calendário para a fase derradeira (quartos de final) através de eliminatórias imediatas, de acordo a seguinte fórmula: A1-B4; A2-B3; A3-B2; A4-B1. Os vencedores desta eliminatória ficaram apurados para as meias finais e os vencidos disputaram o apuramento do 5º ao 8º classificado. Por sua vez, os vencedores das meias finais disputaram a final para se decidir o título de campeão e o de vice-campeão, enquanto os vencidos jogaram para o 3º e 4º lugar.

 

Fase de Grupos:

 

Grupo A (resultados): Energy BBC- 56  Sporting- 104; Queens- 96  Energie BBC- 50; Sporting- 67 Inter Clube- 73; Inter Clube- 79  Queens- 43; Energie BBC – 53  Inter Clube- 103; Queens-42  Sporting- 63.

 

Classificação

1º Inter Clube (3 vitórias – 0 derrotas) (255-163);

2º Sporting Alexandria (2 vit. – 1 derrota) (234-171);

3º Queens Basketball (1 vit. – 2 derrotas) (181-192);

4º Energie BBC (0 vit. – 3 derrotas) (159-303).

 

Grupo B (resultados): FAP- 47  Al Ahly- 78; Ferroviário- 48  FAP- 40; Al Ahly- 117  CNSS- 53; CNSS- 57  Ferroviário- 89; FAP- 52 CNSS- 56; Ferroviário- 84  Al Ahly- 73.

 

Classificação:

1º Ferroviário Maputo (3 vitórias – 0 derrotas) (221-170);

2º Al Ahly (2 vit. – 1 derrota) (268-184);

3º CNSS (1 vit. – 2 derrotas) (166-258);

4º FAP Basketball (0 vit. - 3 derrotas) (139-182).

 

Quartos de final:

FAP Basketball – 43 Inter Clube – 81;

MFM Queens – 62 Al Ahly – 78.

Energie EBC – 40 Ferroviário – 104;

CNSS – 42  Sporting – 86.

 

Apuramento do 7º e 8º classificado: MFM Queens Basketball- 71  Energie BBC – 59

 

Apuramento do 5º e 6º Classificado: CNSS – 54  FAP Basketball – 49

 

Meias Finais:

Inter Clube – 86  Al Ahly – 85

Ferrovário – 86  Sporting – 70

 

Apuramento do 3º Classificado: Al Ahly – 88  Sporting – 65

 

Final: Ferroviário Maputo – 91  Inter Clube Luanda – 90 (após prolongamento).

 

Classificação final: 1º Ferroviário do Maputo (Moçambique), 2º Inter Clube Luanda (Angola), 3º Al Ahly Sporting Clube ((Egipto), 4º Sporting Alexandria (Egipto), 5º CNSS (República Democrática do Congo), 6º FAP Basketball (Camarões), 7º MFM Queens Basketball (Nigéria) e 8º Energie BBC (Benin).

 

Cinco ideal  e MVP: Ingvild Mucauro (Ferroviário do Maputo) foi nomeada jogadora mais valiosa do torneio (MVP) e, como tal, integrante do cinco ideal (All Star), do qual também fizeram parte Kelsey Mitchell (Al Ahly Sporting Club), Astou Traore (Inter Clube Luanda), Odelia Mafanela (Ferroviário Maputo) e Shawnta Dyer (Sporting Alexandria).

 

Considerações finais: As classificações alcançadas pelas equipas femininas de basquetebol, campeãs nacionais de Angola e Moçambique, nas competições africanas nestas últimas duas décadas, falam por si. Se quisermos ser mais precisos verificamos que neste século, só por três vezes (2005, 2009 e 2011) os clubes de Angola e Moçambique não obtiveram os dois primeiros lugares. Nos últimos 8 campeonatos africanos as equipas de lingua portuguesa conquistaram sempre as duas primeiras posições.  Assim, vejamos o quadro das equipas lusófonas que ganharam medalhas neste período:

(2001-Abidjan/Costa do Marfim) 1º -Académica, 2º -1º Agosto;          (2003-Maputo/Moçambique) 2º - 1º Agosto, 3º-Maxaquene;               (2005-Bamako/Mali) 2º-1º Agosto;                                                               (2006-Libreville/Gabão) 1º-1º Agosto, 2º Ferroviário;                             (2007-Maputo/Moçambique) 1º Desportivo, 2º- 1º Agosto, 3º Ferroviário; (2008-Nairobi/Kenia) 1º Desportivo, 2º- 1º Agosto;                                 (2009-Cotonou/Benin) 3º Desportivo;                                                         (2010-Bizerte/Tunísia) 1º Inter Clube, 2º Desportivo;                              (2011-Lagos/Nigéria) 1º Inter Clube;                                                            (2012-Abidjan/Costa do Marfim) 1º Desportivo, 2º Inter Clube;            (2013-Meknes/Marrocos) 1º Inter Clube, 2º- 1º Agosto;                         (2014-Sfax/Tunísia) 1º Inter Clube, 2º-1º Agosto;                                     (2015-Luanda/Angola) 1º-1º Agosto, 2º Inter Clube, 3º Ferroviário;     (2016-Maputo/Moçambique) 1º Inter Clube, 2º Ferroviário;                 (2017-Luanda/Angola) 1º- 1º Agosto, 2º Ferroviário;                               (2018-Maputo/Moçambique) 1º Ferroviário, 2º Inter Clube                              (2019- Cairo/Egipto) 1º Ferroviário, 2º Inter Clube.

 

Este final de ano encerra da melhor maneira com a conquista dos dois primeiros lugares, a exemplo do ano passado, pelas equipas do Ferroviário do Maputo (Moçambique) e do Inter Clube de Luanda (Angola) no “FIBA African Women`s Champions Cup 2019”. Deste modo, podemos afirmar que os clubes de basquetebol feminino da comunidade lusófona reforçaram, uma vez mais, a sua liderança no continente africano. Parece que a semente do basquetebol lançada pelos portugueses, adeptos da modalidade, há muitos anos pegou de raíz.

 

Eduardo Monteiro é ex-treinador do SL Benfica e das Seleções Nacionais

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