Uma manchete histórica! Mas… (artigo de José Manuel Delgado)

CRÓNICAS DE UM MUNDO NOVO 04-06-2020 12:43
Por José Manuel Delgado

Não foi por acaso que dei a estes escritos em aBola.pt o título genérico de «Crónicas de um Mundo Novo.» Obviamente, só num mundo novo seria concebível que o Portimonense-Gil Vicente da 25.ª jornada da I Liga portuguesa fizesse a manchete do L‘Équipe.

 

E que bem que soube, confesso, ver os franceses, sempre tão cheios deles mesmos, baterem pala à capacidade que o futebol português teve de se organizar e colocar em prática a retoma competitiva, antes de ingleses, espanhóis e italianos, deixando o país campeão do mundo a roer-se de inveja e a confirmar – como já veio em manchete no L’Équipe – que foram «idiotas» a tomar a decisão de cancelar La Ligue.

 

O japonês Gonda e o brasileiro Jadson, protagonistas da capa do prestigiado diário desportivo francês, tiveram assim, por um dia, a sensação de atuar num campeonato com visibilidade externa. E esse deveria ser um desígnio dos dirigentes dos clubes nacionais, sabendo-se que o presidente da FPF já identificou esse objetivo como condição sine qua non para aumentar receitas. Mas também disse, embora não o tenha feito com estas palavras, que com o futebolzinho desinteressante que temos, não vamos lá, é preciso criar condições de maior competitividade e equilíbrio e isso, sabe-se, nunca será atingido sem uma centralização dos direitos televisivos que faça uma repartição mais justa do dinheiro, e sem uma requalificação dos quadros competitivos, que formate as Ligas profissionais de acordo com a realidade do país.

 

Mas, regressemos à boa notícia que foi o ‘restart’ da I Liga, saudando em primeiro lugar as forças da ordem, que não se esconderam, assumiram responsabilidades e garantiram, sem incidentes, que as imediações do estádio do Famalicão não seriam palco de nenhum atentado à saúde pública. Espero que mantenham a mesma disponibilidade em todos os jogos, mas sobretudo o que gostava era que, enquanto somos obrigados a conviver as portas fechadas, os adeptos ficassem em casa ou fossem – dentro do previsto - a cafés ou esplanadas, em vez de se deslocarem para as imediações dos estádios.

 

Onde não houve novidade foi na arbitragem. E nem me estou a referir especificamente ao trabalho fraquinho de Nuno Almeida, também ele fora de forma, mas à ineficácia de quem se sentava na Cidade do Futebol, na cadeira do VAR. É pena que os três meses de paragem não tenham servido ao presidente do Conselho de Arbitragem para refletir em algo que já estava sobejamente comprovado: há árbitros que não têm condições para serem VAR. Falta-lhes sensibilidade, destreza mental e coragem. Só assim se explica que tenham ficado por assinalar, em Famalicão, duas grandes penalidades, uma para cada lado, do tamanho do Empire State Building. Por que razão não foi dito a Nuno Almeida que, pelo menos, fosse visionar os lances? Não foi isso que ganhou ênfase no protocolo revisto?

 

A tecnologia do VAR é fantástica, mas precisa de quem a maneje com competência. E resulta tão melhor, quanto mais habilitado for o seu «piloto». Manifestamente, há árbitros a quem já devia ter sido tirada a carta, tantas foram já as infrações ao Código cometidas…

 

PS – Parabéns ao professor Manuel Machado pelo brilhante diagnóstico que assina hoje nas páginas de A BOLA. Deixo aqui apenas um ‘teaser’, para aguçar o apetite:

 

«As disputas acesas e a visão de curto prazo do final do século passado, protagonizadas por Valentim Loureiro, Pinto da Costa, Manuel Damásio, Pimenta Machado, João Bartolomeu e vários outros, fizeram escola e têm hoje quem não os desmereça. No caso, triste é concluir-se que talvez mais grave do que o que é pandémico é na realidade o que é endémico.»

 

Chapeau!   

Ler Mais

A PAIXÃO CONTINUA EM CASA


O momento particular que vivemos determina a permanência das pessoas em casa além do fecho de todas as lojas comerciais alterando dramaticamente os hábitos das pessoas no que toca à leitura e ao acesso à informação.

Neste momento de grandes dificuldades para todos, estamos a trabalhar a 100% para continuar a fazer-lhe companhia todos os dias com o seu jornal A Bola , o site ABOLA.pt e no canal A Bola Tv.

Mas este trabalho só vale a pena se chegar aos seus clientes de sempre sem os quais não faz sentido nem é economicamente sustentável.

Para tanto precisamos que esteja connosco, que nos faça companhia, assinando a versão digital de A Bola e aproveitando a nossa campanha de assinaturas.

ASSINE JÁ

Comentários (4)

Últimas Notícias