Finalmente, chegou o dia! (artigo de José Manuel Delgado)

CRÓNICAS DE UM MUNDO NOVO 03-06-2020 12:40
Por José Manuel Delgado

Regressa hoje, com a realização de dois dos 90 jogos em falta, depois de uma paragem inaudita de 87 dias, a I Liga portuguesa. Os jogadores são os mesmos que cumpriram as 24 jornadas iniciais, treinadores, dirigentes, árbitros e adeptos, também. Porém, apesar de tudo aparentar ser igual, tudo será muito diferente.

 

Por um lado, depois de um interregno competitivo nunca antes visto, e com uma preparação que, além da vertente física, só pôde contar com treinos de conjunto, o estado de forma e o ritmo dos jogadores é um verdadeiro e intrincado mistério. Por outro, a questão dos jogos serem à porta fechada introduz um dado novo, sobre o qual é possível realizar alguma especulação sustentada, mas sem certezas.

 

Especulemos sustentadamente, então:

- A Bundesliga regressou sem público nas bancadas, já se realizaram os 36 jogos correspondentes a quatro jornadas e constata-se que, comparando com as médias anteriores à pandemia, as vitórias caseiras passaram de 43,3% para 22,2%; os empates deram um pequeno salto de 21,9% para 27,8%; e as vitórias fora subiram de 34,8% para 50%.

 

Numa primeira leitura, pode concluir-se que aqueles que são teoricamente mais fracos e que tinham no fator-casa a principal mais-valia, viram muito limitada a possibilidade de bater os mais bem apetrechados; e que os jogo teoricamente entre forças equilibradas passaram a ser uma total e absoluta caixinha de surpresas. Aliás, é curioso verificar como o ‘fator porta fechada’ desinibiu alguns treinadores que, sem a pressão dos seus adeptos, que os levava à obrigação de procurar o ataque, passaram a adotar estratégias mais resultadistas.

 

Quanto à média de golos por jogo da Bundesliga, tudo na mesma: até à paragem, 3,25 em cada partida; após o reatamento, 3,2 por jogo.

Portimão e Famalicão, daqui a umas horas, vão permitir que passemos da teoria à prática e saibamos com que linhas vai coser-se o futebol português…

 

E por falar no regresso do Campeonato, retorno ao tema da claque do FC Porto (e isto é válido para todas as outras) para dizer que não estamos perante um problema do futebol. A FPF e a Liga, com grande custo, conseguiram montar uma operação complexa, que permite condições para que o interior dos estádios seja aceitável, aos olhos da DGS, para que se jogue futebol sem colocar em perigo a saúde pública. O que acontece fora dos estádios, seja nos restaurantes, nos espetáculos do Bruno Nogueira, nos transportes públicos, nas praias, nos ‘botellones’ das áreas de serviço, na manifestação do 1.º de maio, nas condições de trabalho nas empresas, é da responsabilidade das autoridades sanitárias, que impõem regras, e das autoridades policiais, que têm a obrigação de fazê-las cumprir.

 

Resumindo e concluindo: os SuperDragões, fora do estádio de Famalicão, são um problema, estritamente, das forças da ordem e devem ser tratados como todos os restantes cidadãos da República portuguesa, nem mais nem menos.

 

PS – Uma nota final para os pedidos, cada vez mais insistentes, dos dirigentes para haver público nos estádios. Os critérios que possam permitir essa abertura são de natureza sanitária e só a DGS terá autoridade para tomar decisões nessa matéria. Mas, da certeza de que o futebol não pode ter tratamento preferencial, surge também a evidência de que não pode ser menos que os outros.

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