‘Vice’ contraria Bolsonaro e diz que isolamento contra Covid-19 é posição do Governo

Brasil 26-03-2020 16:21
Por Redação

O vice-Presidente do Brasil afirmou, na quarta-feira, que a posição do Governo é de defesa do «isolamento e distanciamento social» face ao novo Coronavírus, contrariando o Presidente Jair Bolsonaro, que esta quinta-feira pediu o fim do «confinamento em massa».

 

Segundo o vice-Presidente brasileiro, Hamilton Mourão, «Bolsonaro pode não se ter expressado da melhor forma».

 

«A posição do nosso Governo, por enquanto, é uma só: isolamento e distanciamento social. Isso está a ser discutido. Pode ser que o Presidente não se tenha expressado da melhor forma, mas o que ele procurou mostrar é a preocupação que todos nós temos com a segunda onda do Coronavírus», disse Mourão, em conferência de imprensa.

 

Em causa está o apelo, na noite de terça-feira, pelo chefe de Estado brasileiro, que pediu às autoridades estaduais e municipais a reabertura de escolas e comércio, e o fim do «confinamento em massa».

 

«Algumas poucas autoridades estaduais e municipais devem abandonar o conceito de terra arrasada, a proibição de transportes, o encerramento do comércio e o confinamento em massa. O que se passa no mundo tem mostrado que o grupo de risco é o das pessoas acima de 60 anos. Então, por que fechar escolas?», questionou Jair Bolsonaro, sublinhando que o país deve «voltar à normalidade».

 

Naquela que foi a terceira mensagem ao país sobre o novo Coronavírus, transmitida na rádio e televisão, Bolsonaro declarou que a vida «tem de continuar e que a situação passará em breve».

 

Contudo, as declarações de Bolsonaro contrariam as recomendações do seu próprio Governo.

 

Na sua página oficial da internet, o Ministério da Saúde brasileiro aconselha a população a evitar aglomerações e a reduzir as deslocações para o trabalho, defendendo o «trabalho remoto e a antecipação de férias em instituições de ensino», especialmente em regiões com transmissão comunitária do vírus, ou seja, quando já não conseguem identificar a trajetória de infeção.

 

A declaração de Bolsonaro causou polémica nas classes médica e política, que condenaram veementemente o seu discurso.

 

De acordo com Mourão, as preocupações do chefe de Estado prendem-se com questões económicas e com o eventual problema da falta de abastecimento de produtos às zonas mais pobres do país.

 

«É a forma como o Presidente Bolsonaro trabalha, agora ele tem essa preocupação enorme com o verdadeiro desmantelamento da economia e, em consequência, com as pessoas que vivem nas áreas mais pobres do nosso país que, da noite para o dia, podem chegar ao supermercado e não ter o que comprar, porque não está a ser produzido nada», acrescentou o ‘vice’.

 

«A minha visão por enquanto é que temos de terminar esse período, em que estamos em isolamento, para que haja equilíbrio da forma como está a avançar a epidemia no país e, a partir daí, se possa gradualmente ir libertando as pessoas dentro de atividades essenciais", defendeu Hamilton Mourão.

 

O Brasil tinha registado, na quarta-feira, 57 mortos e 2433 infetados pelo novo Coronavírus, sendo que, pela primeira vez desde o início da chegada da pandemia ao país, foram registadas mortes fora dos epicentros do surto no país: São Paulo e Rio de Janeiro.

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