O hipercarro da Toyota para o WEC e Le Mans

Automobilismo 15-01-2021 15:44
Por José Caetano

A Toyota tem máquina nova para ‘atacar’ o Mundial de Resistência (WEC) de 2021, que regista mudanças regulamentares importantes na categoria de topo, com os LMH (hipercarros) a substituírem os protótipos LMP1. O GR010 Hybrid tem a missão muito exigente de substituir o TS050 Hybrid, o automóvel de competição mais bem-sucedido na história da marca nipónica, com três títulos de construtores e pilotos (2014, 2018-19 e 2019-20) e três vitórias consecutivas (2018, 2019 e 2020), na corrida mais mediática do campeonato: as 24 Horas de Le Mans.

 

A participação na categoria LMH obriga à produção de hipercarro, que a Toyota integrará na gama num futuro próximo, aproveitando soluções técnicas e tecnológicas integradas no GR010 desenvolvido durante 18 meses na sede da equipa, em Colónia, na Alemanha, e no centro de sistemas de eletrificação de Higashi-Fuji, no Japão.

 

Mais peso, menos potência

No GR010 Hybrid com caixa sequencial de 7 velocidades e tração integral, a mecânica de combustão interna (V6 3.5 Biturbo), através da transmissão, coloca 680 cv nas rodas posteriores. Soma-se-lhe motor-gerador elétrico com 272 cv no eixo dianteiro (máquina desenvolvida por Aisin AW e Denso). Cumprindo imposição regulamentar, a potência total é limitada a 500 kW (680 cv), entregando-se à eletrónica que comanda o sistema a responsabilidade de reduzir o débito da motorização de 6 cilindros, fazendo-o de acordo com a energia híbrida utilizada em aceleração. O TS050 Hybrid de 2016 introduzido em 2016 tinha um V6 2.4 com 500 cv e motores elétricos nos eixos que quase duplicavam a potência máxima do sistema –acontecia quase o mesmo no antecessor TS040 Hybrid.

 

Como os regulamentos do campeonato também obrigam a redução nos custos, o GR010 Hybrid tem apenas um motor/gerador (MGU) e ganhou um motor de arranque e travões traseiros hidráulicos. Comparada com o TS050 Hybrid, o hipercarro novo é 162 kg mais pesado (1040 kg em vez dos 878 kg dos LMP1) e 32% menos potente. Cumprindo outra imposição, no Circuito de La Sarthe, em Le Mans, tempos por volta 10 s mais lentos, ou 3.30 m.

 

Pilotos mantêm-se, mas os adversários são novos

Os regulamentos técnicos novos, igualmente por razões financeiras, também impõem a homologação de apenas uma carroçaria, com um único item aerodinâmico ajustável. No caso do GR010 Hybrid (4,9 m), que competirá com as mesmas especificações em todos os circuitos, independentemente das necessidades de ‘downforce’, esse elemento é a asa traseira. Simplificando a máquina, poupa-se (muito) dinheiro.

 

Em 2021, para a Toyota, 9.ª temporada consecutiva no WEC. A Gazoo Racing mantém os pilotos de 2019-20, com os campeões Mike Conway, Kamui Kobayashi e José María López no GR010 Hybrid #7 e Sébastien Buemi, Kazuki Nakajima e Brendon Hartley no #8. Nyck de Vries, piloto da Mercedes na Fórmula E, mantém-se como piloto de reserva e teste. Como rivais dos nipónicos, Glickenhaus, ByKolles e Alpine, que competirá com máquina nova baseada no R13 utilizado pela Rebellion em 2019-20. Peugeot e Porsche também estão comprometidas com o Mundial! A primeira estrear-se-á apenas em 2022, a segunda, a recordista de vitórias em Le Mans (19), só em 2023.

 

Algarve (talvez) no mapa do Mundial

O Mundial tem arranque marcado para 19 de março, com corrida de 6 horas em Sebring (EUA), mas admite-se adiamento do início da época, devido à pandemia da COVID-19. Recentemente, para preparar a temporada e a estreia do GR010 Hybrid, a Toyota esteve no Algarve, aí trabalhando durante três dias. Portugal e o Circuito de Portimão estão na lista de alternativas do WEC para a organização da 1.ª ronda do ano, na impossibilidade de competir-se no lado de lá do Atlântico.

 

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