Ana Cristina Guerreiro: «É difícil controlar»

Fórmula 1 26-10-2020 08:09
Por Redação

Apesar de, desportivamente, o Grande Prémio de Portugal ter sido um sucesso, ficou também marcado pela polémica em torno do público - 27.500 espectadores foi a lotação máxima autorizada pela Direção-Geral da Saúde (DGS) no Autódromo Internacional do Algarve (AIA), ou seja, cerca de um terço dos 90 mil lugares.


As situações de risco que muito já tinham dado que falar na véspera, durante a qualificação - sobretudo a falta de distanciamento social, mas também o não uso de máscara - voltaram ontem a repetir-se (apesar dos esforços da organização, que tinha prometido tolerância zero face aos problemas e falhas detetadas no sábado), com as agências fotográficas internacionais a captarem e difundirem imagens alarmantes face ao momento crítico que o País atravessa relativamente aos números da pandemia. Um aviso para o Grande Prémio de MotoGP, também no AIA, a 22 de novembro.


«O grande prémio montou-se num curto espaço de tempo. Houve coisas que correram muito bem, outras que precisam de ser melhoradas. É normal», justificou Ni Amorim, presidente da Federação Portuguesa de Automobilismo e Karting.


Já a Delegada Regional de Saúde do Algarve, Ana Cristina Guerreiro, admitiu, no final do Grande Prémio, que as coisas não correram bem dentro e fora do AIA. «Quando chegou aos 27.500 espectadores foram fechadas as portas. Algumas pessoas, não muitas, ficaram lá fora e estava a gerar-se algum conflito, pois tinham bilhete. Foi então decidido pelas autoridades de saúde que deixassem entrar esse grupo. Em relação ao distanciamento, houve situações complicadas porque as pessoas mudaram de lugar, aproximaram-se da zona superior das bancadas e é difícil controlar para não estar sempre a haver confronto. Foi sugerido, os vigilantes insistiram, mas não houve uma medida de força. Eram várias bancadas e seria muito complicado», disse, assumindo ter ficado «preocupada por algumas situações», ainda que não deixando de frisar que «por vezes as imagens são enganadoras por causa dos ângulos», além de que havia «muitas zonas sem concentração de pessoas», apesar de «dois ou três pontos de constrangimento». Tudo será alvo de análise detalhada, mas Ana Cristina Guerreiro diz que «eventualmente 27.500 espectadores poderá ser um número grande para haver margem de segurança».


O Bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, também se mostrou muito crítico, em declarações à SIC Notícias. «Quando a DGS define que um determinado evento é importante para o País e que que pode ter 27 mil espectadores, tem de ter capacidade para que as regras sejam fiscalizadas. Isto é um insulto aos profissionais de saúde e a quem não pode sequer ir aos cemitérios honrar os que já morreram. Não podemos ter dois pesos e duas medidas. Se calhar estes mega eventos não deviam ser autorizados», sublinhou.


Entretanto, a GNR, que ontem reforçou os meios (já estava previsto) com a presença de 600  militares, informou em comunicado que o Grande Prémio «decorreu com normalidade», apesar de «alguns constrangimentos no acesso ao autódromo» e da detenção de um homem por injúrias e captação ilícita de imagens. Durante o evento, portanto, «não foi aplicada nenhuma medida de expulsão por desrespeito às orientações da autoridade de saúde», tendo existido apenas «redistribuição de pessoas nas bancadas» para assegurar o cumprimento das normas da DGS.
 

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