Luka Doncic: «Tirando a parte de não ter podido jogar, foi um dia especial»

Luka Doncic: «Tirando a parte de não ter podido jogar, foi um dia especial»

BASQUETEBOL11.10.202300:32

Lesão sofrida na véspera impediu que base esloveno dos Mavericks pudesse estar em campo mais de cinco minutos e evitando o contacto físico no regresso a Madrid para defrontar o clube que o lançou para a NBA

«Não sei se houve uma coisa mais especial [do que as outras], foram todos os momentos: o do vídeo, quando me apresentaram, o troféu, falar com os colegas… Creio que foi tudo muito especial e a verdade é que gostava bastante de ter jogado. Esperei todo o verão por este encontro e depois, ontem, tive um pouco de má sorte», declarou Luka Doncic após o embate de pré-temporada dos Mavericks ante o Real Madrid no WiZink Center, que acabou com a vitória dos merengues por 127-123, após sensacional recuperação no último quarto. 

«Ninguém queria jogar mais esta partida do que eu, de certeza. Estou muito chateado por não o poder fazer», disse ainda a estrela dos texanos que se magoara no gémeo esquerdo durante o treino da véspera. Acabou por ficar em campo apenas os primeiros 4.59m, nos quais marcou 9 pontos, como que para cumprir compromisso comerciais e por ser a figura central da noite. 

Depois saiu e, apesar dos sucessivos apelos do público para que regressasse, sobretudo enquanto os visitantes ainda controlavam o marcador e o treinador Jason Kidd não tinha colocado em campo os menos utilizados, Luka foi dizendo adeus e agradecendo, mas permaneceu no banco, onde, na ponta contrária, já estava Kyrie Irving à civil devido a lesão na virilha esquerda sofrida em Abu Dahbi, de onde vinham a equipa após doi jogos contra os Timberwolves. 

E assim a história repetiu-se. A penúltima vez que um clube da NBA enfrentara um adversário fora da sua Liga e na Europa havia sido em 2016. Na altura os Thunder bateram o Barcelona por 89-92, mas, dias antes, quando atuaram em Madrid contra o Real, saíram derrotados por 142-137, após prolongamento.

Desta feita não houve necessidade de 5 minutos extra. Liderados por Facundo Campazzo (6 res, 8 ass), que nos último 5 minutos registou 14 dos seus 20 pontos para ajudar a recuperar de uma desvantagem que pouco antes era de 11 (112-101), a vitória ficou garantida quando o pequeno base argentino, de 1,78m, converteu um sensacional triplo a 10s do apito final para fazer o 127-120. Ele que, há um ano, havia sido contratado pelos Mavs, que depois de o utilizarem em oito partidas, dispensaram-no passado um mês. 

Os campeões da EuroLiga haviam preparado a festa do regresso de Luka a casa cinco anos após o esloveno ter partido para a NBA, mas não haviam aparecido para servirem apenas de decoração. Muito menos quando viram Kidd pensar que as coisas estavam resolvidas e o patrão Mark Cuban estava refastelado numa cadeira ao lado do banco. 

No entanto, o desaire dos Mavs não foi propriamente novidade. Foi a sétima(!) vez que um conjunto da ACB derrotou um da NBA e apenas contando embates disputados em Espanha desde 2006, quando o Barcelona levou a m.elhor aos 76’ers por 104-99. Os catalães já baterem formações da liga americana em três ocasiões, o Real Madrid outra tantas, e o Unicaja uma - os Grizzlies em 2007 (102-99). Isto num total de 20 jogos de clubes da NBA em solo espanhol ao longo de 35 anos.

«A verdade é que [a recuperação] alegrou-me um pouco », comentou Doncic rindo-se. «A remontada é algo especial para o Real Madrid, não é? Nunca podes achar que está morto. Eles demonstram-no», referiu ainda e considerando que, apesar de ser pré-temporada, a equipa tem de melhorar pois perdeu os três jogos que fez fora dos Estados Unidos em 12 dias, mas que ainda terá peal frente uma longa época.

«Nico [Harrison, presidente das operações dos texanos] me que vai tentar que regressemos, prometeu-mo daqui a dois, três anos. Tendo de o dizer mais porque não pude jogar e têm de trazer-me de novo», brincou o quatro vezes all-star. «Se volto a jogar aqui com a camisola branca? Já me fizeram essa pergunta hoje cinco vezes. Se tornar a vestir alguma dessa roupa na Europa, de certeza que será a do Real Madrid. Isto se me quiserem», acrescentou.

Foi pena que Doncic, de 24 anos, se tenha lesionado. A festa estava realmente montada para o regresso ao clube para o qual emigrou aos 14 anos e ganhou sete títulos pela equipa principal. O último, em 2018, ao conquistar a EuroLiga e ser eleito MVP. Ora, entre as várias surpresas preparadas, que incluía: um vídeo com imagens desde jovem até essa conquista; uma réplica da taça dessa Euroliga e a 10.ª do clube, que foi entregue por aqueles que o ajudaram na conquista e já se retiraram e o resto da equipa madrilena.

Em cada cadeira do pavilhão, cartazes ao estilo NBA com as três principais figuras de cada uma das duas equipas e no verso uma frase sobre um fundo negro: ‘Luka, o Real Madrid será sempre a tua casa’. Para que não houvesse dúvidas, o presidente Florentino Pérez atribuiu ao esloveno a insígnia de ouro e brilhantes do Real Madrid pelo seu percurso e a forma como continua a ser um embaixador do clube, pois fala sempre dele. 

Na apresentação dos jogadores, se para os Mavs houve alguns apupos apesar das centenas de camisolas de Dallas pelas bancadas, a maioria com o 77, Doncic teve uma introdução com horas especiais. «Não sei o que dizer, é um dia muito especial para mim. Muito obrigada a todos por terem virem. Estou emocionado de ver o meus ex-companheiros, ex-treinadores e gente com a qual estive aqui sete anos. Muito obrigado a todos, de verdade», disse ao microfone antes da bola ao ar.

E para que tudo fosse ainda mais especial, durante o intervalo, um espectador foi convidado a um jogo em que tinha um minuto para marcar de lance livre, três pontos e de meio campo. E não foi que, a 4s de se esgotar o tempo e depois de nem sequer ter conseguido, em duas ocasiões, que a bola passasse perto do aro,  marcou a partir do logo do Real Madrid para levar um BMW iX1 elétrico. 

Já um jovem nas bancadas, recebeu as botas que Doncic usou e mandou entregar antes de seguir para o balneário só de meias. Houve de tudo um pouco. «É como disse já disse antes, tirando a parte de não poder especial, foi um dia todo muito especial».