FPR admite dificuldades financeiras para preparar Mundial de França

Râguebi FPR admite dificuldades financeiras para preparar Mundial de França

RÂGUEBI27.04.202322:45

Carlos Amado da Silva, reeleito presidente da Federação Portuguesa de Râguebi (FPR), reconheceu sentir dificuldade em angariar verbas para fazer face aos custos associados aos preparativos da seleção nacional para o mundial de râguebi, a decorrer em França entre setembro e outubro. A preparação do mundial, no entanto, “não está em risco”, garante.

«Vamos necessitar de, pelo menos, 700 mil euros. Um estágio custa 150 mil euros. Vamos fazer três estágios», referiu à margem da cerimónia de tomada de posse dos órgãos sociais para o quadriénio 2023/27, que decorreu no Hotel Amazónia, no Jamor, em Oeiras.

«A Word Rugby (organização internacional que organiza o mundial) meteu 400 mil, 200 mais 200. Não chega. E o resto? Necessitamos de mais 300 mil», avisou.

Para além dos estágios dos lobos antes do campeonato do mundo, nas contas entram as devidas compensações aos jogadores. «Os salários dos jogadores (profissionais) que perdem por estar no Mundial. Tem de se pagar isso. Isso custa mais 150 mil. Tudo são 600 mil», exclamou Amado da Silva. «Onde é que está o dinheiro?», questionou.

«O tempo que os jogadores estão fora tem de ser pagos por nós (FPR), conforme determinam as disposições legais. E quem é que paga à federação?», interrogou. «Não podemos ser penalizados pelo sucesso. Não faz sentido», disparou.  

«Há ideia que chove dinheiro por causa do Nundial. Não chove», garantiu, afastando a ideia criada após o apuramento de Portugal para o segundo campeonato do mundo.    

Sem esquecer o aumento do custo com alojamento e alimentação («uma diária no Algarve são 200 euros», disse), o líder federativo regressou aos valores necessários para preparar o mundial. “A comitiva são 50 pessoas”, chama a atenção. «Os 700 mil euros é a rapando tudo e não estou a pôr aqui prémios a jogadores que também é justo que os tenham. Exijo: os jogadores têm de ser ressarcidos do dinheiro que perdem, é o mínimo. Nem que nos endividemos», assumiu. «Vamos que ter habilidade para fazer as coisas», aferiu Amado da Silva.

«É bom que as pessoas percebam, a seleção nacional, o patrão é a Nação. E o governo comanda a Nação. Não vamos jogar, não faz parte das obrigações», questionou afastando qualquer conflito com o IPDJ e a tutela. «O Secretário de Estado (Juventude e do Desporto, João Paulo Correia) tem sido muito aberto e vai tentar ajudar, vai tentar ajudar mais», atestou.