Impacto da pandemia causa preocupação generalizada

Mais Desporto 15-07-2020 08:55
Por Célia Lourenço

Que as federações estão preocupadas não é novidade, que sistema desportivo está envolto em incerteza também não. E o estudo de diagnóstico promovido pelo Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ), de 16 a 24 de junho, junto de 45 das 58 federações com utilidade pública, sobre o impacto da pandemia no plano de atividades, revelou os receios destes organismos à lupa. Vítor Pataco, presidente do IPDJ, deu conta deles no Conselho Nacional de Desporto (CND) e, depois, a A BOLA falou de medidas tomadas e de abertura para implementar outras.


«Mantivemos o nível de financiamento. Neste momento, a esmagadora maioria vai ter custos mais reduzidos, no que é a organização dos quadros competitivos internos e em participações internacionais, logo vai sobrar dinheiro e o IPDJ já deu abertura para que proponham a reafetação desse financiamento sobrante. As federações podem usar essas verbas no apoio a clubes e assim compensar a menor receita, pois muitas não vão cobrar as taxas. Oito em cada dez federações têm intenção de apoiar os clubes», especificou Pataco, apontando que 24% dos inquiridos admitiram ter dificuldade em cumprir com os compromissos financeiros assumidos.
Em respostas a 45 questões, as federações deram conta do medo de verem o número de praticantes cair. «A diminuição da oferta, a insegurança sanitária e até uma redução na motivação dos praticantes pode refletir-se na sustentabilidade dos clubes, que são estruturas associativas de base», aludiu o presidente do IPDJ.


«A reorganização dos calendários competitivos também estava entre os receios manifestados. Algumas participações internacionais podem ficar mais caras. Por exemplo, uma deslocação que custava 300 euros, pelos constrangimentos de viagens pode agora pode custar 600. As exigências sanitárias como a testagem e a higienização dos espaços também implicam custos», exemplificou. «A incerteza dos quadros competitivos, o confinamento obrigatório ou recondicionado foram preocupações manifestadas quanto às Seleções.»


Crendo «não ser sustentável para todas as modalidades terem condições» como as que viabilizaram a retoma do futebol profissional, o dirigente vê soluções noutras vias. «Temos de encontrar soluções de retoma neste contexto. Não vale a pena criar bolhas sucessivas. É impensável fazer testes todos os dias a jovens que treinam, vão à escola, daí para casa», reflete Pataco, confiante no futuro: «Acredito que as organizações vão encontrar soluções. A minha convicção é que vamos ficar diferentes, mas melhores.» As federações reúnem-se, hoje, na cimeira promovida pelos Comités Olímpico e Paralímpico e pela Confederação do Desporto com a criação do Fundo Especial de Apoio ao desporto por bandeira.

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