«Serei sempre o rei dos aldrabões»

Ciclismo 26-05-2020 10:40
Por Fernando Emílio

Apesar dos muitos pormenores desvendados por antecipação, a transmissão do primeiro dos dois episódios da série ‘30 for 30 - Lance’, sobre  o antigo corredor norte-americano Lance Armstrong,  banido da modalidade e despojado dos sete títulos ganhos no Tour entre 1999 e 2005 por doping, revelou mais novidades da vida do texano caído em desgraça. Como o curioso episódio à porta de um bar, anos após o escândalo.


«Quando a minha vida teve aquela reviravolta, já sabia que alguém me apontaria o dedo e me mandaria f.... ... Mas só passados cinco anos, quando estava em Denver, frente a um bar, um individuo me gritou: ‘Hei Lance!’ Respondi-lhe: ‘Que se passa?’ Com o dedo apontado disse-me várias vezes ‘Vai-te f...., f...., f....! És um mentiroso de m....!’ De seguida, mais seis ou sete amigos amigos, em coro, repetiram as mesmas palavras. Pensei ir ao encontro deles pedir explicações, mas a minha namorada pediu-me para não o fazer. Então decidi ligar para o bar, dei o número do meu cartão de crédito e quis pagar a conta dos indivíduos, pedindo ao empregado para lhes dizer: ‘Lance pagou-vos a conta e manda-vos cumprimentos.’ Sei que há pessoas que nunca me irão perdoar, que ficarão chateadas comigo para o resto da vida e que para eles serei sempre o rei dos aldrabões», assumiu Armstrong, agora com 48 anos e pai de cinco filhos, ele que quando jovem foi educado por um pai adotivo, ao qual foi retirar o apelido Armstrong, por o preferir ao Gunderson com que nasceu, mas com o qual teve relação amor-ódio.


«Tratei-o como a um animal e incuti-lhe o espírito de conquista a qualquer preço. Dei-lhe ordens e abraços, porque sem isso Lance não teria sido o campeão que foi», afirmou o padrasto, Terry Armstrong, com Lance a recordar:  «Às vezes batia-me com uma tábua por me esquecer de fechar as gavetas.»

 

As memórias obscuras do norte-americano começam ainda jovem, altura em que falsificou uma certidão de nascimento para participar num triatlo. «Tinha de ter 16 anos para poder competir mas só tinha 15. Corri ilegalmente com um documento falso e ganhei a todos». Um ciclo de mentiras que o conduziria à maior de todas: o doping.


O documentário começa, aliás, com Lance a garantir à realizadora, Marina Zenovich, que não iria mentir. «Vou dizer a minha verdade, que não é a versão dos factos, mas a forma como os recordo. Ninguém que se dopa diz a verdade. Só se pode ser honesto se não nos perguntam nada. Porque se o fazem mentimos. Mentes uma vez se te perguntarem só essa vez. No meu caso foram 10 mil mentiras, porque me perguntaram outras tantas vezes. Havia momentos que tinha vontade de os mandar levar no cú. Reconheço que poderia ter sido diferente. A agressividade, a violência e o desejo de vencer todos os obstáculos, era algo que me confortava sobre a bicicleta. Mas essa forma de ser, tenho de o confessar, não funciona na vida real.»

Já sobre o que de pior fez na vida, assumiu a tentativa de descrédito da sua massagista na equipa US Postal, por lhe denunciar as práticas: «Talvez a forma como tratei Emma O’Reilly e como falei dela em tribunal, chamando-lhe prostituta, para desacreditar as suas declarações. Reconheço que fui um idiota, porque estavam em jogo 100 milhões de dólares pedidos pelo Governo dos Estados Unidos.»


Já sobre quem estava na linha da frente na dopagem, Lance apontou o médico Michele Ferrari. «A Gewiss-Ballan treinada por Ferrari dominava tudo. Pedi para o conhecer e ele foi direto. Disse-me que precisava de glóbulos vermelhos. Fiz tudo o que me disse e passei a ser outro homem e principalmente outro atleta. A EPO é uma droga segura, se usada com moderação, sob a supervisão de um médico profissional.»



 

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