«Lembro-me de abrir os olhos e pensar ‘estou vivo e a ser atendido’»

Surf 24-05-2020 10:12
Por Gabriela Melo

Dia 11 de fevereiro está gravado na memória do surfista de ondas grandes. Alex Botelho sofreu acidente violento no Nazaré Tow In Challenge e esteve 10 minutos inconsciente. Os médicos consideram-no um caso de estudo porque não sofreu lesões cerebrais. Decorridos mais de três meses, o algarvio voltou à água, mas ainda não à Praia do Norte.


Deixou o hospital de Leiria há três meses, à beira da fase mais critica da pandemia. Onde tem estado a recuperar?
Estou em casa, em Lagos. A Covid-19 é uma situação completamente nova não só para mim, como surfista, mas para toda a gente. Estamos a adaptar-nos. Como não foi possível treinar-me na água devido à pandemia, não senti uma grande ansiedade por estar em casa.

Entretanto, voltou ao contacto com a água na quarta-feira, numas ondas pequenas...
Ainda não posso surfar durante muito tempo, mas senti-me muito bem e feliz.

Decorridos estes meses, como encara o acidente?
Tratou-se de um grande susto. Um acidente grave, o mais grave do meu percurso até ao momento, porque já sofri várias lesões. Tenho muita sorte por poder estar aqui a contar a história devido a várias circunstâncias.

Sorte por estar vivo?
Sorte pela forma como a lesão aconteceu. Podemos recuar até aquele momento na Praia do Norte. O Hugo [Vau] resgatou-me sem problemas [mota de água], mas vimo-nos rodeados por duas ondas e ficámos encurralados entre ambas. Impecável, o Hugo tentou superar a mais pequena e lembro-me de pensar que a situação seria muito intensa e bruta. Procurei agarrar-me , mas as ondas bateram uma na outra e projetaram tudo para o ar, em jeito de explosão, incluindo a mota de centenas de quilos. Bati com o peito na mota e furei o pulmão direito.

Quais as suas memórias?
Perdi a consciência de forma gradual. O problema foi ter ficado inconsciente ainda no mar e sem apoio. Mas como isso aconteceu no início da situação crítica, ainda tinha reservas de oxigénio que me ajudaram a estar vivo. Recordo-me da perceção de estar a perder a consciência e depois ouvir vozes. Abri os olhos e estavam a colocar-me na ambulância. Senti algum conforto porque pensei ‘ok, estou vivo e a ser atendido’. Seria diferente se abrisse os olhos e ainda estivesse nas ondas, a tentar esforçar-me para chegar à areia. Ocorrem-me ainda flashes de momentos até chegar ao hospital.

Era impossível resgatá-lo?
As equipas de resgate tentaram, sem sucesso. Demorei seis minutos a chegar à areia, inconsciente, levado pela força das ondas. É mais uma bênção porque o mar decidiu puxar-me para terra e não para fora. Depois estive mais quatro minutos inanimado, no areal. Dez minutos no total. A partir dos quatro ou cinco, poderia ter sofrido danos cerebrais. Não aconteceu e no hospital já pediram para usar o meu caso como estudo clínico. A energia das pessoas na praia também é um dos fatores da minha sobrevivência.
 

Sente receio do mar?
Estou cheio de motivação e de vontade de surfar. Estou desejoso de recuperar a 100 por cento para voltar a fazer o que mais gosto com os meus companheiros. Tenho muito respeito pelo mar, que me salvou a vida. Tenho vontade de voltar e agradecer ao mar.
 

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