«Quem quer arranja forma, quem não quer arranja desculpa…»

Andebol 14-01-2020 14:45
Por Célia Lourenço

Diogo Branquinho é dos mais efusivos jogadores em campo. Festeja cada golo como se perseguisse o recorde dos 100 metros, de punhos em riste e bíceps à vista pelas mangas arregaçadas. «Não gosto das mangas. São largas, tipo saco de batatas. Deviam pensar num modelo de cavas como já usou o Copenhaga», justifica o bem-disposto ponta esquerda, esperançado em repetir o gesto já hoje todas as vezes que puder diante da Noruega, no jogo que determina o 1.º lugar do grupo D na 1.ª fase do Europeu, fazendo uso da engenharia têxtil que cursa na Universidade do Minho (UM). Por ela já se despiu de preconceitos por causa solidária lançada pelo amigo Nuno Gonçalves, «um professor de judo que se dedica à fotografia na Universidade e que através de calendários ajuda alunos necessitados a não pagar propinas».


«A foto deste ano foi tirada na biblioteca da reitoria, que tem 1500 livros e uma bula papal. Tinha uma bola gigante na mão como o Atlas, era como se estivesse a segurar o conhecimento da UM. São nus artísticos. Só na primeira vez que participei houve alguns constrangimentos, pois tinha de saltar com uma judoca, muito bonita, que nunca tinha visto. Saltávamos um para o outro, eu com a bola de andebol e ela com algo de arquitetura», recordou o internacional que esta semana, na Noruega, já viveu o «dia perfeito» no Europeu, quando marcou 5 golos à França.


«Um dia felicíssimo. O meu primeiro jogo no Europeu, com uma vitória fantástica! Marquei uns golos fixes e, no final, quando fui ver o telemóvel, soube que tinha passado a cadeira de Investigação Operacional, que me deu muito trabalho antes dos jogos. Felizmente tenho professores compreensivos», elogiou Branquinho, rendido à matemática e ciências académicas e «privilegiado por fazer o que gosta e ainda receber por isso».
Vislumbrando, num futuro distante, a vida numa «fábrica a estabelecer uma linha de produção na área têxtil», por agora o conimbricense de 25 anos vê apenas o presente risonho na Seleção.


«Quando comecei no São Bernardo, a conselho do pai do Pedro Seabra [internacional do Benfica] cuja empresa construía a casa dos meus pais, só queria chegar aos seniores. Agora quero ir o mais longe possível. Chegar à final dia 26? Nem quero pensar nisso, mas não acho que seja tão longínquo. Uma equipa que ganha à França e se qualifica nos dois primeiros encontros para a fase seguinte, jogando com a confiança que jogamos, pondo em sentido as melhores seleções do mundo, tem de assumir responsabilidades do que fez. Não podemos descartar esse sonho, embora o objetivo agora seja a conquista dos dois pontos», aludiu sobre a desejada vitória ante a Noruega que, a acontecer, deixa Portugal em vantagem para a 2.ª fase, pois este adversário seguiria com zero pontos.


Branquinho, que foi campeão nacional, venceu a Supertaça e uma prova europeia pelo ABC antes de rumar ao seu FC Porto, descreve a Seleção Nacional como um conjunto de atletas combativos, que jogam com alegria e leveza: «Quem quer arranja uma forma, quem não quer arranja desculpa!»
 

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