Yuri, lenda aos 40 anos no Ponferradina (e o que mais se aproximou de Messi e Ronaldo)

Espanha 23.11.2022 09:07
Por Pedro Cadima

É ídolo em Espanha, já o maior de sempre em jogos e golos pelo Ponferradina, soando o nome por todo o país vizinho por aparecer em rankings logo atrás a Messi e Cristiano Ronaldo. Falamos de Yuri, 454 jogos pelo emblema de Ponferrada e um registo impressionante de 185 golos, esmagadora maioria, 110 assinados na competitiva 2ª Divisão Espanhola. Ainda pode ser lembrado por adeptos do Maia, Boavista, Estoril e Gil Vicente mas já é um esforço grande depois de quase 20 anos em Espanha com uma breve passagem pela China. O avançado, nascido no Brasil, cresceu em Portugal desde os 5 anos e acabou revelado pelo Maia, quando jogava ao lado do irmão Igor, tendo sido contratado pelo Boavista de Jaime Pacheco, equipa de Champions na altura, estávamos em 2002/03, campeã em Portugal duas épocas antes, quando brilhava pelos maiatos na Liga 2. Daria até o seu contributo na memorável campanha da Taça UEFA, onde as panteras viram-se cruelmente afastadas do destino Sevilha para jogarem a final da competição diante do FC Porto de Mourinho, eliminadas numa meia-final, já no Bessa, pelo Celtic. O espaço foi ficando curto, os empréstimos ao Gil Vicente e o Estoril não o convenceram em pleno e o desejo de afirmação sugeriu uma visão de sucesso em Espanha. Bem perto de Portugal, foi em Pontevedra que proclamou a sua história encantada por Espanha. A Ponferrada chegaria pouco depois…onde ainda joga e ainda se cota com estrela, apesar dos 40 anos. Era treinado até à pouco pelo português José Gomes, que, entretanto, rescindiu.


«Primeiro devo falar do carinho que ficou pelo Pontevedra, onde deixei muitos amigos e tive a sorte de jogar com o meu irmão Igor e o meu primo Charles, mais outros portugueses como o Sérgio Organista e o Tinaia. É um nome guardado no coração, seja pelo clube como pela cidade. Seguiu-se um ano em Las Palmas e depois Ponferrada. São imensos anos, de muita honra e orgulho. Construiu aqui a minha vida. Sou muito querido e jogo sempre por retribuir esse carinho», nota o veterano atacante, de estilo possante. Nunca descarregou energias. Duas dezenas de golos são o seu registo habitual por época.


«Acho que é muito difícil um jogador estar tanto tempo num clube. Levo catorze épocas. As pessoas andam sempre contentes comigo, cumprimentam-no e estimam-me. Isso é muito gratificante. O meu trabalho é fazer grandes exibições e marcar golos», relata o homem que apagou 40 velas em agosto.


«O Yuri é uma pessoa bem feliz por tudo o que fez na carreira e por tudo o que o Ponferradina me deu. A motivação é ainda dar o melhor por este clube, não posso contentar-me com o que já fiz, não posso ser só querido e útil. A verdade é que preciso de cuidar-me ao máximo para manter o nível com 40 anos, passa por dedicação, trabalho, descanso e alimentação. Estou comprometido e com vontade de dar guerra, pode-se dizer!», sublinha Yuri, começando a discutir os contornos dos rankings em que aparece a superar grandes figuras internacionais, ou bem perto delas...


Brasileiro com mais golos e jogos em Espanha


«Não olho para recordes mas em Ponferrada sempre se fala que estou perto de mais alguma marca. Se aparece na imprensa sinto-me feliz mas é algo que não me preocupa. Claro que sabe bem ver nos jornais que sou o brasileiro com mais golos no futebol espanhol, sabendo que fiz mais que Rivaldo, Ronaldo ou Neymar. É caso para ficar orgulhoso, como também por ter superado Daniel Alves em jogos feitos em Espanha. É honroso, realmente!», admite.


«De resto sou o melhor marcador da história do Ponferrada e o jogador com mais jogos do clube na 2ª Divisão», revela, medindo outra circunstância que releva o seu protagonismo no país vizinho. Durante os anos de disputas titânicas entre o Real Madrid de Ronaldo e o Barcelona de Messi, ninguém marcou tanto quanto Yuri logo depois dos dois monstros sagrados.


«É um orgulho incrível aparecer numa lista em cima desses dois gigantes. Toda a gente sabe o que significaram, se me aproximei em golos deles, é um alento forte para continuar a procurar esse merecimento e reconhecimento», desvela Yuri, perseguido por uma pergunta, face ao talento, golos e influência na Liga 2.


«Toda a gente me diz isso…como é que o Yuri não jogou na 1ª Divisão de Espanha? Eu tive essa chance uma vez, um clube entrou em contacto com o Ponferradina, eu tive reuniões com o meu presidente, que acabou por dizer que achava melhor eu não sair. Concordei e hoje tenho um nome muito forte na cidade. Mas tive essa vontade, não posso mentir. Mas, atenção, eu não desisti de jogar na 1ª Divisão, é algo que queria muito conseguir por este clube. Também reconheço que a idade torna complicado esse sonho», atira Yuri, entrando na definição de afetos entre Portugal e Espanha.


«Vim do Brasil para Portugal muito novo com 5 anos. Tive essa sorte de poder crescer e viver em Portugal, onde não nos faltou nada na infância. É um país que está no coração, sobram memórias espetaculares. Onde estudei, comecei a jogar e me estreei como jogador a nível sénior. Depois veio a Espanha, outro país espetacular, que me abriu imensas portas. Juntei dois grandes países na minha evolução, que fizeram o que sou hoje», confessa, ficando longe de achar que podia ter feito mais em Portugal.


«Pela carreira que tenho posso dizer perfeitamente que fiz bem em jogar em Espanha. Mas também é legítimo questionar-me que caso tivesse ficado em Portugal podia ter alcançado outras equipas, ter tido a dita oportunidade nos grandes. Mas joguei no Boavista, na época, o quarto grande…É difícil responder mas não me posso arrepender, porque tenho uma carreira bonita», concretiza Yuri, viajando pela sua entrada no Bessa.


«Assinar pelo Boavista foi algo espetacular, tinha 20 anos. Estava num grande clube, era um sonho jogar ali e poder participar na Champions. Estava muito feliz, era algo que não me passava pela cabeça. É certo que esperava ter jogado mais, ter tido outro contributo mas foram decisões técnicas que me cabe respeitar. Gostaria de ter tido outro impacto», frisa, não contemplando ainda um adeus aos relvados.


«Não me passa pela cabeça parar de jogar, posso sentir que está mais perto o fim, mas fisicamente estou muito bem para continuar a jogar. Em termos de futuro só penso que vou obrigatoriamente continuar a ajudar o Ponferradina, não sei em que faceta. Quero ficar ligado ao clube e ajudá-lo a crescer. Espero que faltem uns aninhos para esse dia», argumenta Yuri, longe de ver um reencontro com o irmão, onde ambos começaram. Igor, de 42 anos, compete no Maia Lidador.


«Eu tenho a minha vida feita aqui, é muito difícil voltar a Portugal. Ficarei ligado ao Ponferradina e a morar cá. Posso garantir a 100 por cento. Já o meu irmão, após carreira por Espanha voltou ao Maia e está feliz a jogar e ajudar a equipa onde começou. Isso é bonito da parte dele!», louva Yuri, partilhando por fia a hierarquia das suas escolhas para o Mundial.


«O meu sangue é brasileiro. Primeiro estou a puxar pelo Brasil. Logo depois sou por Portugal e Espanha. Que as três seleções façam grandes campeonatos», remata.

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