Recordes de detenções e incidentes em 2021/2022

Inglaterra 22.09.2022 20:40
Por Redação

Um relatório do Home Office do Reino Unido - o equivalente ao nosso Ministério da Administração Interna -, divulgado esta quinta-feira, confirma que o número de detidos e de incidentes em jogos de futebol em Inglaterra e no País de Gales foi o mais elevado em oito anos, e que o comportamento dos adeptos nos estádios piorou substancialmente.


Um total de 2.198 detenções relacionadas com o futebol, o número mais elevado desde a época de 2013/14, foi efetuado pelas autoridades inglesas na temporada de 2021/22, a primeira sem restrições de público nos recintos após a pandemia do Covid-19.


De acordo com o Home Office, nas «desordens urbanas» incluem-se abordagens inopinadas a jogadores ainda no relvado, após invasões de campo. E em 2021/22 foram registadas 441 invasões de campo pelos adeptos: mais do dobro, um aumento de 127 por cento (!) em relação a 2018/19, antes das restrições de público devido à pandemia do Covid-19


Um fã foi detido por agredir à cabeçada Billy Sharp, o capitão de equipa do Sheffield United, no final do jogo dos ‘play-off’ com o Nottingham Forest. Outro adepto, do Man. City, foi banido dos estádios quatro anos após ter corrido pelo relvado e insultado Robin Olsen, guarda-redes do Aston Villa, relata a BBC.


A atestar a gravidade e recorrência do fenómeno do comportamento incorreto do público, houve problemas em mais de metade dos jogos. Mais precisamente, em 53 por cento dos 3.019 jogos considerados no estudo da tutela britânica, com nota de distúrbios ocorridos num total de 1609 partidas.


Uma maioria qualificada dos detidos na temporada 2021/22 por desacatos em estádios de futebol, numa percentagem de 70 por cento, têm entre os 18 e os 30 anos.


Em 2018/19, última época sem restrições de público antes da pandemia de Covid-19, tinham ocorrido 1.381 detenções e havido incidentes em 1007 jogos, o equivalente, então, a um terço das partidas. Piorou o comportamento dos adeptos em três anos, com mais 60 por cento de incidentes em 2021/22.


Comparativamente com 2013/14, quando se havia registado número recorde de 2.273 detidos relacionados com jogos de futebol, os números da última época dispararam para… mais 59 por cento.


Enquanto em 2018/19 um total de 549 fãs foram banidos dos estádios, mais 516 se lhes juntaram na pretérita temporada. No top dos emblemas com adeptos menos contidos, estão o Millwall (33 fãs banidos), o Leicester (28 fãs proibidos de ir à bola) e o Everton (26 proibidos de entrar num estádio).


O tipo de incidentes mais vezes reportado tem a ver com posse de deflagração de engenhos pirotécnicos (fumos, tochas, foguetes luminosos), cuja presença o Home Office diz terem sido reportados em 729 jogos, além do arremesso dessas mesmas tochas, em 561 encontros, para além de rixas entre adeptos, comprovadas pelo Home Office em 444 jogos.


«São estatísticas preocupantes. Para quem pensava que isto ia acalmar com o Covid-19, demonstra o inverso. Se ação alguma for tomada com alguns dos jovens desordeiros, vamos ter problemas por mais 20 anos», resumiu, em declarações à televisão pública britânica o comissário Mark Roberts, chefe da Brigada Especial de Policiamento para o Futebol.


«Mas não é só o Reino Unido: os nossos colegas de outras forças policiais por toda a Europa e com os responsáveis da UEFA, e o fenómeno está a tornar-se transversal a todo o continente. Porquê? Um conjunto de fatores, dos quais não podemos dissociar o álcool e o consumo de substâncias proibidas: sim, a cocaína explica grande parte das ocorrências, também», explicou Mark Roberts.


«E são cada vez mais novos. Podem especular que devia haver mais polícia nos estádios, mas os comportamentos desordeiros aumentaram, e muito. Os fãs estão a comportar-se de forma muito pior desde o Covid-19», concluiu o responsável policial.


O responsável pelo Home Office, Jeremy Quinn, não escondeu a apreensão perante números a merecer reflexão e ação. «O aumento de detenções relacionadas com o futebol demonstra que a polícia está a tomar medidas firmes para acabar com as desordens e preservar o prazer e diversão de assistir a um jogo pelos fãs e famílias, que apoiarem sempre, incondicionalmente», concluiu Quinn.

Ler Mais
Comentários (0)

Últimas Notícias