Obrigado, Sr. Rui Nabeiro

País Obrigado, Sr. Rui Nabeiro

NACIONAL21.03.202308:22

Vai hoje a enterrar, na vila de Campo Maior, que o viu nascer há 91 anos, Rui Nabeiro, empresário de origens humildes que construiu um império na industria do café, sem nunca perder a noção de onde viera.


As mais altas figuras da Nação, do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, ao primeiro-ministro, António Costa, estarão presentes na cerimónia fúnebre, mas antes deles, o povo já se pronunciou, quer na forma singela de um cartaz que apenas dizia «Obrigado, Sr. Rui», quer na ovação, que parecia não ter fim, tributada ao féretro do empresário, quer pelas flores e velas acesas colocadas na estátua com que a vila do Alto Alentejo o homenageou em vida. A população raiana, que saiu em peso à rua, e irá demorar muito tempo a enxugar as lágrimas...  


O corpo de Rui Nabeiro, que foi velado entre os nove altares barrocos e as duas tribunas da Igreja Matriz de Campo Maior, construída entre 1570 e 1646, partirá a seguir para o cemitério da vila que transformou, modernizou e fez prosperar, fundada por romanos, que esteve sob domínio sarraceno ao longo de cinco séculos, e que, depois da reconquista cristã, começou por pertencer a Leão em Castela (1219) e só passou a fazer parte de Portugal, após o Tratado de Alcanizes, em 1297, no reinado de D. Dinis, O Lavrador.


O futebol português, que foi tratado por Rui Nabeiro melhor do que o empresário foi tratado por ele, estará representado por Pedro Proença, presidente da Liga de Clubes, e por inúmeros profissionais que passaram pelo Campomaiorense e falam desse tempo sempre, como cantava Sérgio Godinho, com um brilhozinho nos olhos, fazendo invariavelmente referência ao cumprimento escrupuloso de todas as obrigações, a que se juntavam afetos pouco comuns em equipas de futebol ao mais alto nível.


Ninguém é eterno, fecha-se um ciclo, perdurará o exemplo...