Manchester City e Arsenal não desfazem o nulo em jogo de enorme intensidade
Manchester City e Arsenal empataram a zero (IMAGO)

Manchester City e Arsenal não desfazem o nulo em jogo de enorme intensidade

Grande partida de futebol no Estádio Etihad só teve um ingrediente em falta: os golos

Cinco anos depois de Arteta ter deixado de ser o adjunto de Pep Guardiola para se dirigir ao Norte de Londres, o rei da tática recebeu aquele que é, por muitos, indicado como o seu príncipe herdeiro. E se, das últimas vezes que a fortaleza do Manchester City foi atacada, o cerco dos gunners revelou-se desastroso, desta vez o Arsenal prometia que não seria assim. Nos últimos sete jogos entre estes dois conjuntos nestes estádios, o Manchester City havia ganho todos, com uma margem de 22 golos marcados e apenas dois sofridos. Estava, porém, na memória o jogo da primeira volta, em que Gabriel Martinelli, aos 86 minutos, tinha causado enorme apoteose no Estádio Emirates ao conquistar os três pontos.

Mikel Arteta foi adjunto de Pep Guardiola. Agora, enfrentam-se na luta pela Premier League (IMAGO)

Neste jogo, entre duas equipas candidatas à conquista da Premier League, fazia-se adivinhar alguma cautela. Contra jogadores deste calibre, qualquer erro pode ser fatal e, por isso, a estabilidade era a chave do sucesso. O Manchester City, a jogar em casa, assumiu desde cedo que conduziria a partida, e os 72% de posse de bola que teve foram reflexo disso mesmo.

Esse parecia, porém, ser o plano esperado por parte de Arteta e a sua equipa estava treinada para isso. No primeiro tempo, apenas Bernardo Silva, quando recuava, conseguia ir para cima da defesa adversária e criar algum desequilíbrio. O bloco baixo dos gunners revelou-se compacto e sereno - muito por culpa do excelente jogo da dupla Gabriel-Saliba no eixo defensivo - e, no contra-ataque, conseguiu por algumas ocasiões, mas Gabriel Jesus não acertou com o alvo. Já do lado do Manchester City, apenas Aké, que saiu lesionado ainda na primeira metade do encontro, conseguiu, num pontapé de canto, cabecear, para encaixe de David Raya.

Chegava o intervalo e, com ele, a possibilidade de Guardiola e Arteta deixarem algumas indicações aos seus jogadores. Certo é que, no segundo tempo, o Arsenal entrou com um ímpeto diferente. Fica a ideia que os visitantes pretenderam condicionar a saída de bola do Manchester City, de modo a não permitir que os citizens se estabelecessem no terço ofensivo e, a partir daí, controlassem a posse de bola. Os anfitriões tentaram solicitar Haaland, mas a desinspiração do norueguês era evidente - e lá chegaremos.

Quando Bernardo Silva foi colocado no meio-campo, após a entrada de Doku, o Manchester City conseguiu ter mais clarividência (o médio português foi, destacadamente, o mais influente no ataque da sua equipa). As iniciativas cresciam, mas era notória e notável a tranquilidade dos centrais do Arsenal, mesmo com o desgaste nas pernas. E se de um contra-ataque, surgiu a grande chance do Arsenal, um remate de Trossard defendido por Ortega, foi dos pés de Haaland que saiu o maior escândalo. Ou melhor, não saiu.

Bernardo Silva (IMAGO)

O avançado norueguês apareceu ao segundo poste, Gvardiol desviou o canto de De Bruyne e, sozinho, Haaland... falhou a bola! Foi, de resto, a única vez que o melhor marcador da Premier League apareceu descoberto, algo que valeu até que, no final, tanto ele como Guardiola cumprimentassem Gabriel Magalhães, que fez, mais uma vez, um enorme jogo.

Haaland e Gabriel cumprimentam-se (IMAGO)

Devido a esta falta de oportunidades de finalização, muito motivadas pela preparação deste jogo em termos estratégicos, o espetáculo ficou incompleto devido à falta do elemento essencial: os golos. Apesar disso, saiu um vencedor desta partida, o Liverpool. Os reds venceram o seu jogo e são agora, de forma isolada, líderes do campeonato. Terminam assim os jogos entre candidatos à Premier League para esta temporada e, como não podia deixar de ser, com grande prestação de parte a parte.

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