Fernando Santos: o «clubismo que passou» e a relação com Vieira, Dias da Cunha e Pinto da Costa
Fernando Santos à conversa com A BOLA (Foto: André Filipe)

ENTREVISTA A BOLA Fernando Santos: o «clubismo que passou» e a relação com Vieira, Dias da Cunha e Pinto da Costa

NACIONAL11.11.202308:31

Ex-selecionador português diz que raramente vê futebol na televisão e que o homem do cachecol já não existe em entrevista exclusiva a A BOLA.

–  Quem conhece a sua caminhada no futebol sabe da forma como sempre integrou a sua família. Como é que eles têm conseguido gerir as decisões do Fernando Santos, para mais tendo um genro e um neto fanáticos pelo Sporting?

 Tem sido uma gestão natural porque são todos do clube FS [Fernando Santos]. Até o meu genro, que é ferrenho do Sporting, ia ver os jogos quando eu treinava o Benfica e queria que eu vencesse. Bem, se fosse um Benfica-Sporting acredito que ficasse dividido. Como ficava num Sporting-Marítimo, que ele também é tão doente pelo Sporting como pelo Marítimo. A minha filha é portista porque é a mais velha e viveu muito a minha fase de treinador do FC Porto. O meu filho é mais novo e não tem nenhum clube. A minha mulher na verdade só vê FS. Onde eu estiver é quem ela quer que ganhe.

–  Nunca incentivou os seus filhos a terem clube?

–  Não. O clubismo passou-me. Nunca escondi a minha ligação ao Benfica. Eu fui a primeira vez ao Estádio da Luz quando tinha 50 dias. Eu numa alcofa, com o meu pai e a minha mãe, na Luz. Nasci a 10 de outubro de 1954 e no dia 1 de dezembro de 1954 fui a esse jogo de inauguração. A minha mãe era doente pelo Benfica, tal como o meu pai. Nasci em outubro e em dezembro passei a beber leite normal porque a minha mãe foi ver um jogo do Benfica à Covilhã, com o frio ficou sem leite e nunca mais me pôde amamentar [gargalhada].

–  Teve Pinto da Costa como presidente no FC Porto, Dias da Cunha no Sporting e Luís Filipe Vieira no Benfica. Como foram as relações com eles?

–Tive uma relação ótima com todos. O Luís já o conhecia há muitos, muitos anos. Muito antes de ser presidente do Benfica. Tínhamos muitos amigos em comum. Tínhamos uma relação muito particular e acho que fez um excelente trabalho no Benfica. Digam o que disserem… Mudou a página do clube e quando lá cheguei era superorganizado. No Sporting a minha ligação foi mais estreita com o doutor Ribeiro Teles e o doutor Bettencourt. Infelizmente contactei menos com o doutor Dias da Cunha, mas foi alguém que me marcou, pois tinha uma postura muito séria. Tive pena de não ter mais contacto com ele. Jorge Nuno Pinto da Costa é alguém que me marcou muito. Aquilo tornou-se quase uma família. Digam o que quiserem, é um presidente de eleição. Ninguém ganhou o que ele ganhou. Ninguém faz o que ele fez. Depois a parte do Jorge Nuno é a de alguém que gostas de ter como amigo também. Alguém com quem gostas de estar, que é superdivertido e tem um humor muito próprio. A nossa relação de amizade mantém-se até hoje e anualmente estou presente no aniversário dele.

–  Como gere atualmente essa relação próxima que tem com Pinto da Costa, com Rui Costa e até com Frederico Varandas?

 Não vejo nenhum problema. Com o Rui tratamo-nos por manos. Temos esta amizade desde que foi meu jogador.  Com o doutor Varandas tenho uma excelente relação e sempre fui muito bem recebido por ele em Alvalade. Não vejo problema nenhum nisso. A clubite é uma das coisas que me passou. Foi-me passando com o tempo. Até determinada altura era o homem do cachecol, sim, mas depois deixei de ser.

–  Hoje em dia, quando se senta no sofá para ver um jogo de futebol, torce por quem?

 Eu raramente vejo futebol. Vejo a Seleção como apoiante.

–  Já não vê um Benfica-FC Porto a apoiar algum deles?

–  Não. É muito raro ver jogos na televisão, pois não conseguimos ver tudo o que queremos. Futebol para mim é ao vivo. Para um treinador é assim. Vou vendo os jogos da Liga dos Campeões, que têm portugueses e jogadores que já foram meus, mas ver 90 minutos é muito raro.