Iniciativa Liberal quer regresso gradual do público no desporto e com “regras básicas claras”

Desporto 30-09-2020 12:28

João Cotrim Figueiredo pede ao Governo que passe a ser permitido, mediante regras "básicas claras", toda a prática de atividade física possa ser realizada com público, de forma gradual, em estádios, pavilhões e demais recintos desportivos de todas as modalidades. Deputado da IL sustenta que as atuais regras afetam a sustentabilidade financeira de clubes e coletividades.

Lígia Simões

A Iniciativa Liberal e o seu presidente, João Cotrim Figueiredo, pedem ao Governo a abertura gradual ao público de estádios, pavilhões e demais recintos de todas as modalidades desportivas. A recomendação consta de um projeto de resolução entregue no Parlamento, onde o deputado realça o impacto das medidas de contingência no âmbito da pandemia da covid-19 no desporto, apontando que “muitos clubes e atletas de diversas modalidades estão em risco”, o que “o Governo demorou muito a reconhecer e só o fez, aliás, depois da forte pressão mediática que se sentiu”.

No diploma entregue no Parlamento nesta terça-feira, 29 de setembro, o deputado João Cotrim Figueiredo pede ao Executivo que “altere a Resolução do Conselho de Ministros n.º 70-A/2020, de 11 de setembro, no sentido de passar a permitir que, mediante regras básicas claras, toda a prática de atividade física possa ser realizada com público, de forma gradual, em estádios, pavilhões e demais recintos desportivos de todas as modalidades”.

No projeto de resolução, a IL acrescenta que “numa situação tão complexa, pouca foi a cooperação que se viu entre o Governo e as organizações do desporto, algo denunciado pelas próprias”.

Na exposição dos motivos, João Cotrim Figueiredo sublinha que “muitas organizações desportivas estão a passar severas dificuldades, sobretudo devido ao facto de o desporto jovem de formação estar limitado, quer nos treinos quer nas competições das diversas modalidades, o que afeta gravemente as receitas”. O deputado da IL sustenta que as atuais regras afetam “consequentemente, a sustentabilidade financeira de clubes e coletividades”. E alerta para a quebra de receitas, associada à suspensão do desporto de formação e da proibição de público nas competições, acrescentando que as organizações desportivas viram ainda passar para seu cargo uma série de novos custos resultantes das normas da Direcção-Geral da Saúde, como os custos associados à realização de testes.

“É preciso ter consciência que a realidade da esmagadora maioria das organizações desportivas não é a mesma da dos clubes grandes do futebol, como devia ser evidente pela pouca atenção mediática dada a essa realidade maioritária. É, portanto, urgente que estes clubes tenham receitas, sendo para isso fundamental a abertura ao público imediata, mas gradual, de estádios, pavilhões e demais recintos, como ocorreu já noutros países há várias semanas”, defende a IL.

Cotrim Figueiredo recorda ainda que permite-se já hoje, mediante regras sanitárias próprias, a presença de público em vários tipos de eventos, como reuniões políticas, festivais, concertos, touradas, espetáculos culturais, pelo que, conclui, “não se compreende o motivo pelo qual o desporto continua sem público. Parece mais uma posição tomada por medo político, em violação das liberdades e direitos dos cidadãos, do que uma medida baseada em dados científicos, como deveria ser”.

A IL defende que as normas futuras devem ser baseadas no conhecimento integrado da situação, com todas as partes envolvidas e, conclui, “não desenhadas num gabinete fechado do ministério”. “Devem ser baseadas não no medo e na narrativa política que convém, mas sim no rigor dos dados, incluindo os impactos sociais, sanitários e económicos”, frisa no diploma.

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