Direitos televisivos. Altice Portugal confiante que jogos da I e II Liga não voltam a parar devido à pandemia

Desporto 14-09-2020 18:20

"Se tenho convicção que vai haver interrupções de jogos? Pode haver um ou outro jogo específico que tenha de ser cancelado ou adiado. Mas não me parece que vai haver um movimento de fechar outra vez completamente o desporto em Portugal", disse Alexandre Fonseca, esta segunda-feira, quando questionado se a Altice Portugal tinha os seus interesses acautelados, enquanto patrocinador de alguns clubes de futebol das I e II Ligas, perante a possibilidade de as competições profissionais pararem novamente, devido à pandemia da Covid-19.

José Varela Rodrigues

O presidente executivo da Altice Portugal, Alexandre Fonseca, está confiante que os jogos das competições profissionais de futebol portuguesas – I e II Ligas – não voltarão a parar completamente, devido à pandemia, tal como aconteceu entre o final de março e junho. A Liga NOS e a Liga Ledman Pro vão iniciar a época desportiva 2020/2021 apenas com a condição de não puderem ter público nas bancadas, tendo em conta que a pandemia da Covid-19 está ainda longe de uma solução definitiva.

“Quando nós temos uma desconfiança grande a nossa reação é defensiva, mas agora já passaram uns meses e já conhecemos mais alguma coisa sobre esta pandemia e acredito que não haverá movimentos bruscos”, afirmou Alexandre Fonseca, em conversa com um grupo de jornalistas, na sede da Altice, em Lisboa.

A afirmação do gestor surgiu quando questionado se a Altice Portugal tinha os seus interesses acautelados, enquanto patrocinador de alguns clubes de futebol das I e II Ligas, perante a possibilidade de as competições profissionais pararem novamente, devido à pandemia da Covid-19.

“Se tenho convicção que vai haver interrupções de jogos? Pode haver um ou outro jogo específico que tenha de ser cancelado ou adiado. Mas não me parece que vai haver um movimento de fechar outra vez completamente o desporto em Portugal”, acrescentou, considerando ainda que os clubes de futebol “têm feito um trabalho notável” no controlo à disseminação do novo coronavírus entre os atletas.

Contudo, Alexandre Fonseca explicou que relativamente aos direitos televisivos a empresa que lidera será sempre “coerente” com a posição que assumiu desde o início. “Diria que se acontecer novamente um fenómeno como esse [interrupção das competições profissionais] – e poderá acontecer, só não sabemos se a probabilidade é alta ou baixa -, aí o que nós dizemos fazemos. Podemos não agradar a todos, às vezes”, disse.

“Mas se [a interrupção das competições] voltar a acontecer, a nossa postura será aquela que tem sido até agora: somos parceiros e continuamos a ser parceiros, estaremos sempre ao lado dos nossos patrocinados”.

O gestor sublinhou que a empresa, enquanto entidade patrocinadora, tem sempre “encontrado soluções para apoiar” também quem patrocina. Sem detalhar, o CEO da Altice Portugal salientou que episódios passados “estão ultrapassados”.

Na época 2019/2020, após a interrupção das competições profissionais, os clubes e as operadoras de telecomunicações atravesaram momentos de discórdia, relativamente às verbas dos direitos televisivos da I e II Ligas.

No dia 2 de abril, após a suspensão das competições profissionais, os clubes da Primeira Liga queriam os pagamentos antecipados por jogos que ainda não tinham realizado e que não tinham garantias de que pudessem vir a realizar-se. Ora, as operadoras de telecomunicações que patrocinam os clubes da I Liga recusaram pagar antecipadamente por jogos que ainda não se tinham realizado e rejeitaram, então, ter quaisquer faturas em atraso relativas à transmissão de jogos – ou seja, as operadoras tinham pago a todos os clubes os respetivos direitos televisivos referentes a março.

No dia seguinte, as operadoras de telecomunicações Altice, NOS e Vodafone, em conjunto com a Sport TV, que detêm os direitos de transmissão dos jogos da I e II Ligas e que patrocinam alguns clubes, pagaram aos clubes os montantes relativos aos direitos televisivos de março. Em comunicado, o presidente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), Fernando Gomes, agradeceu uma decisão “fundamental para os clubes do futebol profissional em Portugal”.

Já no final do mês de abril, no dia 28, a Altice Portugal revelou que não iria cumprir as obrigações para com os clubes da I e II Ligas de futebol no mês de abril, porque entender que não fazia sentido pagar por “um serviço que não está a ser disponibilizado”.

Contudo, no final de maio, numa altura em que se sabia que os jogos em falta da I Liga seriam retomados em junho, a Altice revelou que estava disponível para compensar clubes que patrocina com verbas referentes aos dois meses sem futebol.

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