‘Champions’ em Lisboa. PSG: muitos milhões depois, franceses tardam em justificar investimento

Economia 10-08-2020 18:25

O PSG dá-se ao luxo de ter um dos melhores plantéis a nível europeu, onde Neymar e Mbappé são as principais figuras. O investimento vindo do Qatar tem feito estragos na competitividade da liga francesa, mas na Europa do futebol a experiência é um fator que não é possível comprar.

João Tereso Casimiro

O Paris Saint-Germain tem sido um dos principais clubes europeus das últimas duas décadas. Com a supremacia do futebol francês garantida, o clube da capital gaulesa tem como principal objetivo vencer a liga dos Campeões, troféu inédito, mas que justifica os elevados investimentos em jogadores nos últimos anos. Depois de na história recente o clube ter sido sempre eliminado nos oitavos-de-final do torneio, esta temporada estão lançados para chegar mais longe do que nunca e competir pela “orelhuda”.

O PSG dá-se ao luxo de ter um dos melhores plantéis a nível europeu, onde Neymar e Mbappé são as principais figuras. O investimento vindo do Qatar tem feito estragos na competitividade da liga francesa, mas na Europa do futebol a experiência é um fator que não é possível comprar. Ainda que o dinheiro ajude, cabe à equipa técnica e jogadores provar que estão entre a elite do desporto rei e que têm capacidade para vencer um troféu inédito na história do clube.

11º clube mais valioso do mundo:

O sucesso a nível doméstico dos últimos anos, associado ao mediatismo proveniente dos seus jogadores, catapultou o PSG para o top das equipas mais valiosas do mundo. De acordo com a “Forbes” o PSG está avaliado em 975 milhões de euros, ocupando o 11º lugar na lista dos clubes de futebol mais valiosos.

A receita respetiva ao ano de 2019 foi de 646 milhões de euros. Um terço da receita é diretamente proveniente dos direitos televisivos, avaliados em 247 milhões de euros, a que se juntam as receitas de bilheteira (194 milhões de euros) e as vendas de produtos do clube, as chamadas receitas comerciais, avaliadas em 505 milhões de euros.

Tudo junto, tem contribuído para aumentar o alcance do clube em termos comerciais que, segundo a “Forbes” tem subido mais de 10% ao ano.

Nasser Al-Khelaifi, o “mais influente no mundo do futebol”

A participação direta do ‘Qatar Sports Investments’, propriedade do também presidente do Paris Saint-Germain, Nasser Al-Khelaifi, representa a maior fatia financeira da entrada de dinheiro no clube. Nasser Al-Khelaifi, acumula cargos no mundo do desporto, uma vez que também é o presidente da Federação de Ténis do Qatar e da Federação de Ténis da Ásia. Desde que assumiu o leme do clube, a ascensão tem sido meteórica e os investimentos não têm limite, pelo menos à vista.

O PSG é patrocinado pela cadeia multinacional de hotéis ‘Accor’ em conjunto com a marca de artigos desportivos norte americana ‘Nike’. De acordo com o portal “SportsPro”, o acordo celebrado entre as duas entidades e o PSG está avaliado em 150 milhões de euros. A Nike é a fabricante oficial das camisolas, e a Accor o principal patrocinador que figura nos equipamentos de jogo.

Recentemente a colaboração com a ‘Jordan’ (propriedade da Nike), aumentou a rentabilidade a nível de patrocínios do clube francês. O acordo entre as duas entidades fez com que o PSG vendesse mais 9,2% dos seus produtos onde figura a imagem do basquetebolista Michael Jordan, que resultou com que a receita proveniente destas vendas atingisse os 60 milhões de euros.

Neymar e Mbappé: os mais caros de sempre

Em 2017, o clube parisiense protagonizou um momento histórico para o mercado de transferências a nível global, contratando o internacional brasileiro Neymar por 222 milhões de euros, aquela que é, ainda hoje, a maior transferência de sempre. Um ano depois, seria a vez de Kylian Mbappé que, por 180 milhões de euros, juntou-se ao clube da capital naquela que é a segunda transferência mais alta da história.

A temporada de 2019/20 fica marcada pelas vendas do clube que, com um total de 11 jogadores vendidos e três transferências livres, perdeu praticamente metade do plantel, recebendo 106 milhões de euros.

Naturalmente, o PSG como já é característico, foi ao mercado à procura de colmatar as falhas deixadas no plantel, gastando um total de 95 milhões de euros em apenas quatro jogadores, a que se junta o empréstimo de compra obrigatória de Mauro Icardi proveniente do Inter de Milão por um valor que ainda não foi revelado.

Segundo o “TransferMarkt”, atualmente o plantel do Paris Saint-Germain está avaliado em 788 milhões de euros.

Última oportunidade para Thiago Silva

Com um plantel verdadeiramente de luxo são vários os jogadores que merecem destaque para o que falta jogar na campanha da Liga dos Campeões, mas obviamente que Neymar e Mbappé são os dois que mais saltam à vista. As qualidades técnicas do brasileiro fazem dele um fora de série que, de um momento para outro, poderá ter um rasgo de magia capaz de deixar qualquer defesa ou guarda-redes pregado ao relvado.

Neymar já venceu a Liga dos Campeões, ao contrário do companheiro internacional francês e campeão do mundo, Kylian Mbappé que ainda procura o derradeiro sucesso na competição, depois de em 2017 ter alcançado as meias-finais com o AS Mónaco, na altura treinado pelo português Leonardo Jardim.

O experiente capitão de equipa, Thiago Silva, é outro dos destaques. Depois de ter anunciado que esta seria a sua última temporada em Paris, ambição não deverá ser problema quando se trata de vencer o troféu de clubes mais apetecido da Europa. Com 35 anos e, com o próximo clube ainda por revelar, será talvez a última oportunidade do brasileiro conquistar a Liga dos Campeões.

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