‘Champions’ em Lisboa. RB Leipzig: treinador mais jovem da Liga dos Campeões ‘dá asas’ à marca de 594 milhões

Desporto 08-08-2020 10:20

Desde a sua fundação, o clube viu-se envolvido em várias polémicas, tudo devido à sua ligação direta à Red Bull. A empresa de bebidas energéticas é a dona do clube, algo que não foi bem aceite na Alemanha onde tradicionalmente os sócios têm o poder de participar nas decisões dos clubes, devido à famosa regra ‘50+1’.

João Tereso Casimiro

Fundado há apenas 11 anos, o RB Leipzig já é um dos principais clubes alemães, tendo terminado no topo da tabela nas quatro temporadas desde que subiram à Bundesliga (primeira liga alemã) e, consequentemente, têm participado sempre nas competições europeias.

Desde a sua fundação, o clube viu-se envolvido em várias polémicas, tudo devido à sua ligação direta à Red Bull. A empresa de bebidas energéticas é a dona do clube, algo que não foi bem aceite na Alemanha onde tradicionalmente os sócios têm o poder de participar nas decisões dos clubes, devido à famosa regra ‘50+1’ – através de um pagamento especial, os sócios têm direito a votar em todas as decisões do clube e, em última análise, 50% do clube pertence aos sócios. Isto não acontece com o RB Leipzig, fazendo com que esta exceção provocasse desagrado junto da comunidade futebolística na Alemanha, e apelidassem o clube como o “mais odiado” do país.

Ainda assim, o sucesso desportivo tem passado ao lado das polémicas sobre a gestão do clube, sendo que nas últimas duas temporadas, teve presença assídua na Liga dos Campeões, onde este ano já eliminaram o Tottenham de José Mourinho, num agregado de quatro bolas a zero. Enfrentam agora o Atlético de Madrid que, com toda a certeza, não será presa fácil. A perda do avançado talismã, Timo Werner, para o Chelsea não será fácil de colmatar, mas ainda assim não se pode descartar o clube alemão de uma possível surpresa.

 

Clube vale 594 milhões de euros

Apesar de só terem revelado os dados relativos à temporada de 2018/19, o clube alemão tem crescido de ano para ano, o clube não divide a receita da seguinte forma: 183,9 milhões de euros em operações de correspondência, 5,7 milhões de euros em ‘comércio’ e 78,3 milhões de euros em ‘outros’, segundo o portal o relatório financeiro publicado pelo portal “Off The Pitch”.

Apesar da receita crescente, o Leipzig revelou que recebeu uma injeção de capital de 100 milhões de euros da Red Bull. O diretor financeiro do Leipzig, Florian Hopp, disse à imprensa alemã que era uma transação “completamente normal”, e acrescentou que se tratava de um golpe de sorte devido à crise atual provocada pela pandemia de Covid-19.

O portal “Statista” avalia o clube em 594 milhões de euros, apenas atrás do Borussia Dortmund (691 milhões de euros) e do colosso FC Bayern (934 milhões de euros).

 

Império Red Bull

A empresa de bebidas energéticas, Red Bull, além de dona do clube é também, sem surpresa, a principal patrocinadora. Detém os direitos de nome do clube, onde se inclui o estádio (Red Bull Arena). O RB Leipzig é a principal aposta da Red Bull para o futebol, apesar de ser a dona de mais três clubes – Red Bull Salzburg (Suíça) também este com presença assídua nas competições europeias, New York Red Bulls (Estados Unidos) e Red Bull Bragantino (Brasil).

A Nike é a fabricante oficial das camisolas do clube, uma ligação que já dura desde a temporada 2014/15 e que, segundo o portal “Footy Headlines” durará até 2024. Nem o clube, nem a marca de artigos desportivos divulgaram os detalhes do contrato.

Outro dos patrocínios é o da marca de partes automóveis ‘AEZ’ do grupo alemão Alcar, o acordo inclui publicidade através de LED’s no Estádio do RB Leipzig, também estão incluídos entre os ativos garantidos, serviços de hospitalidade, visibilidade em meios de comunicação social e direitos de uso do logotipo e nome do clube.

Por fim, o último patrocínio do clube alemão é do grupo Volkswagen, um acordo que tem a duração até à próxima época (2020/21). Os detalhes financeiros do acordo não foram revelados.

Investimentos serão curtos para compensar a saída de Timo Werner

O RB Leipzig teve uma época bastante atribulado no que toca a transferências, o clube viu-se forçado a investir 74 milhões em reforços. Do ponto de vista financeiro, o saldo é negativo uma vez que o clube faturou apenas 50 milhões em vendas de jogadores, onde se inclui o internacional português Bruma para os holandeses do PSV Eindhoven.

A venda da estrela do clube, Timo Werner, por 53 milhões para os ingleses do Chelsea certamente que trará alguma liquidez ao clube no que toca a transferências, ainda que a substituição do avançado não se avizinhe fácil. O Alemão marcou, entre 2016 e 2020, 78 golos ficando por três vezes entre os melhores marcadores da Bundesliga. Já em Inglaterra, Werner não quis estender o contrato com o Leipzig para jogar o que resta da liga dos campeões, sendo por isso a grande baixa da equipa alemã para o torneio.

Nagelsmann é o treinador mais jovem em competição

O treinador com apenas 33 anos, o mais jovem do campeonato alemão e também da Liga dos Campeões, já é considerado um dos mais talentosos do mundo, não só pelo sucesso alcançado em tão pouco tempo, mas também pelo bom futebol praticado, muito elogiado pela imprensa.

O central francês Dayot Upamecano e o centro campista sueco Emil Forsberg são os dois principais jogadores do emblema alemão, peças chave na estratégia de Julien Nagelsmann para contornar o menor favoritismo na competição.

O alemão terá uma tarefa bastante difícil para contornar a consistência defensiva do Atlético de Madrid, principalmente tendo em conta que não poderá com o avançado Timo Werner que partiu para o Chelsea FC. Ainda assim, com os jogos disputados a uma mão, a irreverência do treinador não deverá ser subestimada, avizinhando-se um jogo intenso e com oportunidades para ambos os lados.

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