Águias indignadas com avaliação do CD a castigo de Rui Costa

Benfica 18-05-2022 10:11
Por Redação

Os responsáveis do Benfica, com Rui Costa à cabeça, estão indignados com o castigo aplicado pelo Conselho de Disciplina (CD) da Federação Portuguesa de Futebol ao presidente encarnado na sequência das críticas à arbitragem no final da receção ao Gil Vicente, que o clube da Luz perdeu por 1-2, e preparam uma reação oficial já hoje.

 

Em causa, segundo os dados apurados pelo nosso jornal junto de elementos muito próximos de Rui Costa, não está o valor da multa com que o CD decidiu punir o presidente do Benfica - 1150 euros -, mas sim as considerações que constam no acórdão da decisão, a que A BOLA teve acesso.


No documento, e acompanhando a queixa apresentada pela Associação Portuguesa de Árbitros de Futebol (APAF), o Conselho de Disciplina considera que as declarações de Rui Costa, em especial quando utiliza a palavra «basta», são suficientes para se enquadrarem num caso de aproximação «perigosa ainda que sub-repticiamente de um incitamento a comportamentos violentos por parte dos adeptos».

 

Aliás, no ponto 28 do acórdão - além de compararem a palavra utilizada por Rui Costa a uma utilizada por Bruno de Carvalho, ex-presidente do Sporting, em 2014 e a outra proferida por Pinto da Costa, presidente do FC Porto, na época passada -, os elementos do CD deixam clara essa mesma ideia: «[...] o uso da palavra ‘Basta’ na comunicação mediática desportiva, sobretudo quando visa a arbitragem, contém, pelo menos, um apelo em potência à violência ou a comportamentos perturbadores da ordem pública desportiva, ou, dito de outro modo, são declarações aptas a criar/incrementar o perigo de fenómenos de violência desportiva, como infelizmente já aconteceu anteriormente.»


Embora deixe claro que as palavras de Rui Costa após o apito final do encontro com os gilistas não chegam para constituir «declarações típicas e ilícitas do ponto de vista da lesão da honra e da reputação dos árbitros visados, porquanto não põem em causa a sua imparcialidade subjetiva e objetiva e, como tal, não impugnam - nem diretamente nem sob a forma de suspeita - a sua idoneidade, neutralidade e equidistância relativamente às sociedades desportivas contendoras», entende ainda assim o Conselho de Disciplina que são suficientes para constituírem infração ao artigo 141.º do Regulamento Disciplinar da Liga Portugal, «por violação dos deveres gerais de lealdade e correção» previstos.

 

As diferenças para Pepe
A provocar também a indignação dos responsáveis encarnados está aquilo que entendem como uma «dualidade de critérios» demonstrada pelo Conselho de Disciplina com o caso de Pepe, no processo que foi aberto ao central do FC Porto na sequência do clássico do Sporting, em que foram tidos em conta, como atenuantes, os anos de serviço do capitão portita ao serviço da Seleção Nacional.

 

Ora, Rui Costa, como também se pode ler no acórdão, usou o mesmo argumento na sua defesa. «O arguido conta já com mais de 30 anos de carreira no futebol ao mais alto nível, tendo, enquanto jogador, conquistado diversos títulos de relevo nacional e internacional, com um percurso profissional brilhante e imaculado também do ponto de vista disciplinar. Para além disso, são inquestionáveis os serviços relevantes ao futebol prestados pelo arguido, bastando para tal atentar nos diversos títulos nacionais e internacionais conquistados, nomeadamente o Mundial Sub-20, a Liga dos Campeões e a Supertaça Europeia. É ainda um dos jogadores com mais internacionalizações pelas seleções nacionais, seja nas camadas jovens, seja na seleção principal, participando ativamente em diversos Europeus e em Mundiais de seleções», pode ler-se na defesa apresentada pelo presidente do Benfica.

 

Argumento rejeitado pelos elementos do CD.

 

Leia na íntegra na edição impressa ou digital de A BOLA.

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