Algodão, a azia de Guardiola e (ainda) o escândalo de Inglaterra

FC Porto 02-12-2020 09:12
Por Redação

Confirmado o apuramento para os oitavos de final da Liga dos Campeões, após empate sem golos com o Manchester City, o FC Porto lamentou, através da newsletter Dragões Diário, a «má disposição» de Pep Guardiola no final da partida e recordou «o escândalo do jogo de Inglaterra», onde os azuis e brancos perderam por 1-3: «Deviam dar graças pela sorte que voltaram a ter com a arbitragem.»

 

As críticas estendem-se a «uma parte importante da imprensa de Lisboa» e também a Bernardo Silva, «conhecido internacionalmente por ter sido condenado por racismo».

 

Leia na integra o texto publicado na Dragões Diário:

 

«Já é uma notícia habitual por esta altura do ano, mas nem por isso deixa de merecer todo o destaque: o FC Porto qualificou-se para os oitavos de final da Liga dos Campeões e é oficialmente uma das 16 melhores equipas da Europa. Conseguiu-o quando ainda está por disputar uma jornada da fase de grupos, graças a um empate a zero frente ao Manchester City no Estádio do Dragão.
 
No final, Sérgio Conceição assumiu que “queria a vitória”, mas reconheceu que também ficou “satisfeito com o empate” – no fundo, um ponto frente ao plantel mais caro do mundo era tudo o que o FC Porto precisava para alcançar um dos objetivos da época. O treinador elogiou a “organização” e o “mérito” da equipa e ainda comentou a má disposição de Pep Guardiola após o encontro: “Eu também ficaria chateado se não conseguisse ganhar com a equipa que ele tem e com o orçamento que ele tem”.
 
Na verdade, o técnico e os jogadores do Manchester City – que também tiveram dificuldades em lidar com o resultado – até deviam dar graças pela sorte que voltaram a ter com a arbitragem. Depois dos escândalos do jogo de Inglaterra, desta vez ficou por assinalar um penálti por falta mais do que evidente de Ederson sobre Otávio, além de ter sido poupada a expulsão a Fernandinho, que do alto dos seus 35 anos é um exemplo claro de que o dinheiro no futebol conta muito, mas não compra classe ou noção.
 
Uma das figuras em destaque pela positiva foi Marchesín, que protagonizou um conjunto de boas defesas e nem por isso deixou de salientar que ficou “contente pela equipa”, por ter sido alcançado “o mais importante” perante “uma potência futebolística”. Diogo Leite, Uribe e Evanilson também sublinharam o êxito da qualificação para os oitavos e garantiram que o grupo não quer ficar por aqui. Agora vão “trabalhar em busca de mais objetivos na Liga dos Campeões”, afirmou o avançado brasileiro.
 
O sucesso do FC Porto na competição de futebol mais difícil do mundo está longe de ser novidade, mas não pode ser diminuído ou banalizado. Há um dado que é como o algodão e que até foi destacado por Sérgio Conceição, normalmente avesso a estatísticas. Ontem foi garantida a 16.ª qualificação azul e branca em 24 participações na fase de grupos, um registo que suplanta o dobro do conjunto dos apuramentos de outras equipas portuguesas: o Benfica alcançou-o cinco vezes, o Boavista uma, o Sporting outra.
 
Se olharmos apenas ao passado mais recente, esta é a terceira qualificação do FC Porto em três participações na prova com Sérgio Conceição como treinador. É a quarta nas últimas quatro presenças na Champions, a quinta nas últimas seis. Estes números não têm paralelo no futebol português e colocam o FC Porto num patamar muito acima dos outros. Uma coisa é participar nas competições europeias, outra coisa é ser um clube europeu. Em Portugal só há um.
 
Se dúvidas houvesse, o desdém com que uma parte importante da imprensa de Lisboa trata o FC Porto é por si só um testemunho do nosso sucesso, sempre tão incomodativo. Apesar de o jogo de ontem ter ficado empatado, um canal de televisão conseguiu arranjar maneira de dizer que os campeões nacionais foram “goleados”. E horas antes do encontro uma outra estação decidiu lançar um passatempo (ou uma provocação?) para oferta de uma camisola de um adversário nosso que é conhecido internacionalmente por ter sido condenado por racismo. À noite, lá tiveram de ser confrontados com a realidade que não lhes agrada. Não foram só Pep Guardiola e Fernandinho que ficaram indispostos…»

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