«O Sporting nunca jogou como eu queria»

Entrevista 18-07-2020 08:50
Por Irene Palma

É a primeira entrevista de Silas depois de ter deixado o cargo de treinador do Sporting. A carreira está em suspenso, com o treinador a recordar o maior palco onde esteve, até ao momento, como técnico. Uma visita aos mais desafiantes 158 dias da carreira.
 

- Se pudesse mudar alguma coisa no guião daquele que foi o filme da sua passagem por Alvalade, o que gostaria de mudar?
- Não mudava grande coisa. A ideia geral é essa do não temos medo. Todos os jogos que eu perdi com o Sporting, perdi a tentar ganhar. Isso para mim é muito importante. Fazíamos golos e criávamos muitas ocasiões. Em certos momentos, principalmente nas bolas paradas, sofremos muitos golos. Perdemos alguns pontos e quase sempre fora de casa.

- O que é que o levou a aceitar o cargo de treinador do Sporting?
- Há certos clubes aos quais não podemos dizer que não. Ao Sporting para mim ainda era mais difícil dizer que não porque era um clube ao qual eu tinha um vínculo emocional grande. Não tive muito tempo para pensar. O Sporting contacta-me num dia, passados dois dias eu tinha de tomar a decisão. O que me levou a aceitar foi sobretudo o simbolismo que o Sporting tem para mim. Houve sempre três clubes que eu disse que gostava de treinar: Atlético, Belenenses e Sporting. São três clubes onde eu joguei. Eu sou de arriscar. Não sou de me atemorizar com os desafios.

- O que é que lhe foi pedido?
- Nós entrámos e o Sporting estava em nono lugar na Liga, em último na Liga Europa e na Taça da Liga. O objetivo mínimo era o terceiro lugar no Campeonato. Nas outras competições iríamos ver onde é que conseguiríamos chegar. Quando eu chego o moral estava muito em baixo. Havia uma crença em nós e nos jogadores, mas também havia alguma desconfiança. Pediram o que nós podíamos dar: trabalho e seriedade.

- Como foram os primeiros dias?
- Estávamos muito motivados e os jogadores também. A troca de treinador traz sempre uma motivação extra. Lembro-me dos exercícios… Nessa altura tínhamos muita coisa em que pensar. Muito dificilmente eu conseguia trabalhar aquilo que queria, com a densidade de jogos e não tendo uma pré-época. Quando tínhamos mais tempo para trabalhar perdíamos mais de metade da equipa, pois eles são bons e iam para as respetivas seleções. Sem ter uma pré-temporada e tempo para trabalhar é difícil colocar uma equipa a jogar como nós queremos. O Sporting nunca jogou da maneira que eu queria jogar e que sinto que poderíamos jogar. Era um contexto muito diferente do que existe agora. Tinha vários jogadores que jogam muito no limite do risco. Ter um ou dois às vezes é bom, mas ter quatro ou cinco torna as coisas mais complicadas pois torna-se uma equipa com muita pressa. Este Sporting tinha muita pressa. 

 

Leia a entrevista na íntegra na edição impressa de A BOLA

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