Defesa português do Corinthians é detido após acusação de racismo, mas alega mal-entendido (vídeos)

Brasil 15.05.2022 09:11
Por Redação

O defesa português Ramos, do Corinthians, foi detido na última noite em Porto Alegre, onde o clube defrontou o Internacional, após acusação de racismo por parte do jogador Edenílson, que apresentou queixa na polícia ainda no estádio. O jogador foi detido no local para prestar depoimento e foi libertado mediante uma fiança de 10 mil reais, cerca de 1900 euros.


A confusão aconteceu a 15 minutos do fim do jogo, quando Edenílson teve um desentendimento com o português e se dirigiu ao árbitro – o encontro esteve parado quatro minutos, acusando Rafael de lhe ter chamado «macaco»; o português defendeu que exclamou apenas «foda-se, caralho», defesa que manteve mesmo depois de ser detido, alegando um mal-entendido.



«Rafael Ramos foi autuado em flagrante por injúrias raciais. Ele nega essas injúrias, alega que foi um mal-entendido, porque ele é português, que usou outra expressão. Pagou fiança e foi libertado para ir embora com o Corinthians. O árbitro não presenciou, mas foi alertado e incluiu no relatório. O jogador vai responder ao processo em liberdade e o caso vai ser investigado, com mais testemunhas ou leitura labial. Foi preso porque cometeu um crime, um crime afiançável.  Se não pagasse a fiança poderia ter sido levado ao presídio»,  disse o delegado Carlo Butarelli no estádio.   


Rafael Ramos explicou o seu ponto de vista: «Estou aqui com a consciência e cabeça limpa para explicar o que aconteceu. Foi puramente um mal entendido entre mim e o Edenílson. No fim do jogo estive com ele e tivemos uma conversa tranquila, expliquei o que tinha acontecido. Ele explicou o que realmente entendeu, que não é verdade. Eu expliquei a verdade daquilo que eu tinha dito. Foi isso que aconteceu. Tivemos uma conversa tranquila. Ele mostrou um receio de passar por mentiroso, eu disse-lhe que ele não é um mentiroso, apenas entendeu as palavras erradas. Apertámos a mão e desejei-lhe boa sorte.»



Mais tarde, no Instagram, o jogador voltou à sua defesa. «Há muito pouca coisa nas nossas vidas de que temos certezas absolutas. Esta é uma delas. Não fui, não sou e nunca serei racista. Graças a Deus educaram-me com a plena consciência de que todos somos iguais nesta vida, com os mesmos direitos e os mesmos deveres. Por isso, com esta certeza, fui-me explicar ao meu colega de profissão. Sempre me pautei por uma postura correta em toda a minha carreira, e não iria ser de outra forma agora. Que este caso tenha servido para que este tema seja novamente levantado. E que possamos todos reafirmar: racismo não!»



O árbitro da partida, Bráulio Machado, também prestou depoimento e falou no incidente no seu relatório. O relatório do árbitro, citado pelo site Globoesporte, relata a acusação de Edenilson e a alegação de Rafael Ramos, mas segundo o documento, nenhum dos membros da equipa de arbitragem conseguiu ouvir o que aconteceu.


«Aos 31 minutos do 2º tempo, no momento em que a partida estava paralisada, fui informado pelo jogador nº 8, da equipe SC Internacional, sr. Edenilson Andrade dos Santos, que seu adversário nº 21, sr. Rafael Antônio Figueiredo Ramos, havia proferido as seguintes palavras na direção dele: ´foda-se macaco´; neste momento paraliso a partida e chamo os jogadores envolvidos para relatarem o que havia acontecido, sendo que o jogador Edenilson, confirma as palavras anteriormente citadas e o jogador Rafael Ramos, afirma que houve um mal entendido devido ao seu sotaque (português) e diz ter proferido as seguintes palavras "foda-se caralho". Devido à distancia dos atletas e barulho da torcida nem eu, nem outro integrante da equipa de arbitragem consegue ouvir ou perceber qualquer das palavras acima citadas. Então dou continuidade à partida.»

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