«Ronaldo chorava quando perdíamos»

Brasil 30-03-2020 08:08
Por Redação

Em janeiro de 2000, quando o Sporting parecia condenado a prosseguir longo jejum de títulos, o brasileiro César Prates (ex-Real Madrid, embora estivesse cedido ao Corinthians) chegou a Alvalade na companhia do compatriota André Cruz (ex-Torino), do belga Mbo Mpenza (ex-Standard Liège) e do croata Spehar (ex-Verona). E com os três primeiros a sorte do leão mudou, pois significaram um acréscimo de qualidade fundamental na conquista do campeonato 18 anos depois sob o comando de Augusto Inácio. O antigo lateral-direito, hoje pastor evangélico em Balneário Camboriú (cidade do estado de Santa Catarina, no sul do Brasil), sem qualquer ligação ao futebol exceto para participar em jogos de solidariedade, testemunhou de perto os primeiros passos de um tal de... CR7.

 

«Um dia ouvi o Cristiano Ronaldo dizer que se iria tornar o melhor jogador do mundo. Então, isso aí é uma loucura, porque você vê ele transformar-se mesmo no melhor jogador do mundo», recordou, em entrevista ao UOL, César Prates, já com estatuto consolidado no plantel leonino quando o romeno Laszlo Boloni chamou o português, então com apenas 16 anos, aos treinos da primeira equipa, no verão de 2001.

 

«O Messi é um talento, nasceu para aquilo, mas o Cristiano não, ele nasceu com um dom para jogar futebol e sempre teve uma obsessão focada para ser um jogador de alto nível. E é por isso que o considero o melhor do mundo. O  Messi nasceu com aquilo, treina-se normalmente, já o Cristiano não se treina normalmente, o Cristiano chega antes e sai depois [dos treinos]», destacou um dos mais titulados jogadores do passado recente dos leões, duas vezes campeão nacional (2000 e 2002), além de ter festejado também uma Taça de Portugal (2002) e duas Supertaças Cândido de Oliveira (2000 e 2002).

 

Dez anos mais velho do que Ronaldo, ambos aniversariantes em fevereiro, César Prates orgulha-se de ter contribuído para a evolução de um jovem que hoje coleciona cinco Bolas de Ouro, entre tantas, tantas outras honrarias individuais e coletivas.

 

«Ele era um menino que desde cedo mostrou gostar de aprender, conversava muito com ele. Quando ia cobrar uma falta, ele estava sempre junto. Foi muito interessante o convívio com ele», lembrou um dos mestres do atual craque da Juventus na arte de marcar livres: «Para aprender a bater com o pé esquerdo, o André Cruz tinha uma característica, a minha batida na bola era diferente. Por ser destro, eu ensinava, ajustava o corpo dele, mostrava onde se posicionar para poder alcançar os dois lados da baliza, o tempo de partida quando o árbitro apita e partimos para a bola, você quebra o tempo do guarda-redes, o ventinho da bola, como ajustar ela por baixo...»

 

Aqueles eram tempos em que se misturavam sentimentos. Sim, Cristiano Ronaldo já era profissional, mas vibrava como o mais comprometido dos adeptos.

 

«Ele [CR7] era mais um torcedor do Sporting, com 16 anos,  então chorava quando perdíamos. Se mantenho contacto com ele? Não, o César Prates pós-atleta é totalmente voltado para o ministério pastoral, não tenho praticamente contactos com o mundo do futebol e com o Cristiano também não», disse, fiel ao «novo estilo de vida» que abraçou: «Já quando jogava e um adversário se lesionava, eu passava por ele e dizia: ‘Seja curado em nome de Jesus’. Será que Deus permitiu este coronavírus para que todo mundo parasse e voltasse para dentro de casa e cuidasse da família outra vez?»

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