Portugal apoia candidatura do Tarrafal a património mundial

Cabo Verde 18-11-2019 18:23
Por Lusa

O Instituto do Património Cultural (IPC) cabo-verdiano está a ultimar, com a Direção-Geral do Património Cultural de Portugal o apoio ao projeto de candidatura do antigo Campo de Concentração do Tarrafal, na ilha de São Tiago, a património da humanidade.

 

A informação consta de uma nota publicada esta segunda-feira pelo IPC, na sequência da visita a Portugal, na semana passada, do presidente do instituto cabo-verdiano, Hamilton Jair Fernandes, no âmbito da cooperação técnica que já existe entre as duas instituições.

 

Acompanhado por Paula Silva, da Direção-Geral do Património Cultural (DGPC), visitou o Museu Nacional Resistência e Liberdade, exemplo que Cabo Verde pretende aproveitar.

 

Este museu nasceu do reconhecimento da Fortaleza de Peniche enquanto espaço-memória e símbolo da luta pela liberdade em Portugal e da resistência à ditadura do Estado Novo, tal como a transformação feita no antigo campo do Tarrafal, agora conhecido como Museu da Resistência.

 

«Histórias e memórias que se cruzam e que vão unir uma vez mais estes dois espaços, agora pelo conhecimento e preservação da memória histórica para as futuras gerações. É neste sentido que o IPC e a DGPC pretendem assinar um acordo de parceria para formalizar um acordo já existente», lê-se na nota.

 

Situado na localidade de Chão Bom, o antigo Campo de Concentração do Tarrafal foi construído no ano de 1936 e recebeu os primeiros presos em 29 de outubro do mesmo ano, tendo funcionado até 1956.

Reabriu em 1962, com o nome de Campo de Trabalho de Chão Bom, destinado a encarcerar os anticolonialistas de Angola, Guiné-Bissau e Cabo Verde.

 

Após a sua desativação, funcionou como centro de instrução militar e desde 2000 alberga o Museu da Resistência.

 

O levantamento para o concurso público da empreitada de reabilitação recorda que o espaço ficou «gravado na memória» dos portugueses, angolanos, guineenses e cabo-verdianos como o «campo da morte lenta» ou «da morte».

 

O espaço foi classificado Património Cultural Nacional através da Resolução nº 33/2006, de 14 de agosto, e desde 2004 que integra a lista indicativa de Cabo Verde a património da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).

 

O concurso foi lançado, 83 anos depois (29 de outubro de 1936) da chegada de 152 presos políticos ao Tarrafal.

 

O concurso público para a obra decorre até 5 de dezembro, devendo a intervenção não exceder os oito meses e o preço base de até quase 320 mil euros).

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