Isabel dos Santos diz que se endivida para investir e que não usa dinheiro público angolano

Angola 14-10-2019 20:01
Por Lusa

A mulher mais rica de África, a empresária angolana Isabel dos Santos, diz que as recorrentes dúvidas sobre a origem dos seus investimentos resultam de «narrativa negativa», alegando que se tem endividado, para poder investir, sem recorrer ao erário público angolano.

 

«Trabalho com bancos em Cabo Verde, com bancos em outros países africanos, bancos que nos apoiam, que acreditam nos projetos, que acreditam na validade dos projetos que propomos. Portanto, tenho muitas dívidas, tenho muito financiamento por pagar, as taxas de juros são elevadas, nem sempre é fácil também ter essa sustentabilidade do negócio, para conseguir enfrentar toda a parte financeira dos negócios, mas também boas equipas e trabalhamos para isso», afirmou a empresária, filha do ex-Presidente da República de Angola, José Eduardo dos Santos, em entrevista à agência Lusa à margem da visita que realizou nos últimos dias a Cabo Verde.

 

Questionada sobre as recorrentes dúvidas sobre a origem dos seus investimentos, a empresária angolana, com interesses na indústria, no setor da energia, na banca, na distribuição e retalha e nas telecomunicações, entre outras áreas, sobretudo em Angola e Portugal, afirma que está habituada a passar por complexos processos de avaliação de idoneidade, até tendo em conta as relações, nos negócios, com parceiros internacionais.

 

Algo que, diz, acontece «principalmente» quando se trata de «um empresário vindo de África».

 

«A quem são pedidas inúmeras informações sobre como é que vai financiar o seu negócio, qual a origem dos seus fundos, que planos é que tem para o seu negócio, etc. etc... Portanto, hoje em dia, todas as empresas de uma forma geral têm esses pedidos, são pedidos normais. No meu caso, até tenho mais pedidos de esclarecimento do que outras empresas, porque obviamente há a questão das pessoas politicamente expostas e é certo, há sempre atenção de tentar perceber como é que são fundados e financiados os negócios», assinalou.

 

Atualmente, diz que trabalha com «mais de 15 bancos em todo o mundo» e que não se preocupa com as dúvidas que habitualmente se colocam sobre os seus investimentos.

 

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