Conselho de Segurança da ONU rejeita mudança de poder

Guiné-Bissau 02-11-2019 22:26
Por Lusa

O Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU) rejeitou, por unanimidade, a mudança de poder decidida pelo presidente, apelando ao respeito pela data das próximas eleições presidenciais.

 

A declaração da ONU foi adotada na passada quinta-feira, no mesmo dia em que o chefe de Estado, José Mário Vaz, deu posse ao novo governo de Faustino Imbali, depois de ter destituído o executivo liderado por Aristides Gomes.

 

A adoção da declaração do Conselho de Segurança foi resultado de uma reunião à porta fechada, convocada a pedido dos três membros africanos deste órgão, África do Sul, Costa do Marfim e Guiné-Equatorial, estando já agendada outra reunião para a próxima segunda-feira.

 

No documento, o Conselho de Segurança manifesta «profunda preocupação com a situação política e social» na Guiné-Bissau e pede ao presidente José Mário Vaz e ao governo (então) liderado pelo primeiro-ministro Aristides Gomes, responsável por liderar o processo eleitoral, que resolvam as suas diferenças num espírito de respeito e de cooperação», parecendo ignorar a mudança de executivo.

 

«Exortamos os atores políticos da Guiné-Bissau a observarem a máxima contenção, a não recorrerem à violência ou ao incitamento ao ódio e a privilegiarem o diálogo com a única maneira de resolver diferenças e preservar a paz e a segurança no país», lê-se no documento.

 

O Conselho de Segurança sublinha a «necessidade urgente de realizar as eleições presidenciais de 24 de novembro, conforme acordado, a fim de concluir o ciclo eleitoral que permite uma transferência pacífica de poder ao presidente eleito».

 

A Guiné-Bissau vive, atualmente, um momento de grande tensão política, tendo o país neste momento dois governos e dois primeiros-ministros, nomeadamente Aristides Gomes e Faustino Imbali.

 

 

A União Africana, União Europeia, Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e a ONU já condenaram a decisão de José Mário Vaz, de demitir o Governo liderado por Aristides Gomes e disseram que apenas reconhecem o executivo saído das eleições legislativas de 10 de março, que afirma continuar em funções.

 

O Governo de Aristides Gomes já disse que não reconhece a decisão de José Mário Vaz, por este ser candidato às eleições presidenciais, por o seu mandato ter terminado a 23 de junho — cinco anos após a posse como chefe de Estado – e por se ter mantido no cargo, após o final do seu mandato, por decisão da CEDEAO.

 

Este sábado arrancou no país a campanha eleitoral para as presidenciais de 24 de novembro.

Ler Mais

Últimas Notícias

Mundos

Brasil