Fábrica de cervejas Sodiba arrisca falência após arresto de bens de Isabel dos Santos

Angola 05-02-2020 21:19
Por Lusa

As operações da fabricante de cervejas angolana Sodiba podem colapsar «a curto prazo», na sequência do arresto dos bens da empresária Isabel dos Santos e do marido, Sindika Dokolo, acionistas únicos da empresa, segundo a imprensa do país.

 

De acordo com um artigo publicado na edição desta quarta-feira do semanário Valor Económico, que cita o presidente do conselho administrativo (PCA) da Sodiba, Luís Correia, a empresa responsável pela produção das cervejas Sagres e Luandina necessita de «investimento contínuo e permanente».

 

Segundo o executivo, a empresa criada em 2016, para a produção local da marca portuguesa Sagres, necessita de um investimento em vasilhames avaliado em 1,5 mil milhões de kwanzas (2,75 milhões de euros).

 

O semanário refere ainda que a falência da Sodiba pode colocar cerca de 500 pessoas no desemprego.

 

Em dezembro de 2019, o Tribunal Provincial de Luanda decretou o arresto preventivo de contas bancárias pessoais de Isabel dos Santos, do marido, o congolês Sindika Dokolo, e do português Mário da Silva, além de nove empresas nas quais a empresária detém participações sociais.

 

Com o arresto, a Sodiba foi uma das mais afetadas, uma vez que conta apenas com Isabel dos Santos e Sindika Dokolo como acionistas.

 

A joalheira De Grisogono, detida parcialmente por Sindika Dokolo, anunciou, no final de janeiro, que entrou em falência.

 

O Consórcio Internacional de Jornalismo de Investigação (ICIJ) revelou em 19 de janeiro mais de 715 mil ficheiros, sob o nome de ‘Luanda Leaks’, que detalham esquemas financeiros de Isabel dos Santos e de Sindika Dokolo, que terão permitido retirar milhões de euros do erário público angolano, utilizando paraísos fiscais.

 

Isabel dos Santos foi constituída arguida pelo Ministério Público de Angola, por suspeita de má gestão e desvio de fundos da companhia petrolífera estatal Sonangol, e disse estar a ser vítima de um ataque político.

 

A empresária já refutou o que descreveu como «alegações infundadas e falsas afirmações» e anunciou que vai avançar com ações em tribunal contra o consórcio de jornalistas que divulgou a investigação ‘Luanda Leaks’, reafirmando que os investimentos que fez em Portugal tiveram «origem lícita».

 

Porém, de acordo com a investigação do consórcio, Isabel dos Santos terá montado um esquema de ocultação que lhe permitiu desviar mais de 100 milhões de dólares (90 milhões de euros) para uma empresa sediada no Dubai.

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