8.º Congresso Internacional de Artes Marciais e Desportos de Combate (artigo de Vítor Rosa, 48)

Espaço Universidade 15-07-2019 13:15
Por Vítor Rosa

Sob os auspícios da “International Martial Arts and Combat Sports Scientific Society” (IMACSS) (www.imacsss.com), o Instituto Politécnico de Viseu (IPV) vai realizar o 8.º Congresso Internacional de Artes Marciais e Desportos de Combate, de 10 a 12 de outubro de 2019.

 

Em Portugal, o primeiro congresso científico sobre as AM&DC realizou-se em 2007, em Viseu, do qual tivemos o privilégio de participar como coorganizador e orador, e depois em 2009 e em 2011. É com satisfação que voltamos a participar como coordenador-adjunto e saber que esta iniciativa está para durar em Portugal. O esforço da equipa que organiza este evento, dirigida pelo Professor Doutor Abel Figueiredo, do IPV, será recompensado pela oportunidade de oferecer a todos os presentes momentos de crescimento científico e de partilha de experiências nas temáticas em apreço. A Comissão Organizadora acredita que esta é mais uma oportunidade para reforçar os laços da comunidade científica em torno de temas ligados às AM&DC.

 

Em relação aos desportos maioritários (desportos coletivos, atletismo, natação, etc.), de inspiração anglo-saxónica, as práticas de combate distinguem-se pelas suas origens culturais: inglesas para o boxe (inglês), japonesas para o karaté, o judo e o aikido, francesas para a luta (dita greco-romana) e o boxe (francês), chinesas para o kung-fu, o tai-chi, etc. O conjunto dos desportos de combate e artes marciais constitui um campo relativamente autónomo no interior do espaço das práticas desportivas.

 

Mais do que um conjunto de condutas motrizes, as práticas desportivas revelam uma “pertinência social”. Neste sentido, a implantação e o desenvolvimento dos desportos de combate e das artes marciais não se podem reduzir à apropriação (ou à descoberta) de modelos corporais diferentes sucessivamente importados. A lógica de apropriação implica um processo de transformação e uma criação e inovação dos modelos corporais. O sentido (social) da implantação de uma arte marcial, como todo o objeto social importado (doutrina política, ideal estético ou técnica particular) resulta de uma dinâmica complexa, que coloca em jogo três lógicas relativamente autónomas: a “lógica interna” da disciplina, a “lógica do campo”, no qual se inscreve (desportivo, político, musical, económico, etc.) e a “lógica do campo social”, no sentido mais amplo.

 

No fundamento teórico dos desportos de combate ou das artes marciais, a que alguns investigadores preferem chamar de “práticas de combate dual”, é preciso referir que a prática corporal codificada e identificável não pode ser, geralmente, apreendida como um “objeto técnico”, que se poderia identificar com a “lógica interna”, conceito utilizado para designar a pertinência motriz das atividades físicas e desportivas. A determinação dos “usos sociais” (desporto, lazer, competição, segurança, etc.) das práticas de combate, pela variedade das suas origens, a diversidade de especialidades e a diferenciação dos usos sociais, leva a que elas ocupem um lugar diferente no sistema de práticas desportivas codificadas.

 

Esperemos que este congresso internacional promova reflexões frutíferas. Para mais informações, ver o site http://www.esev.ipv.pt/IMACSSS2019.

 

Referências:

Rosa, V. (2009). Informe sobre el II Congresso Científico de Artes Marciais e Desportos de Combate. Revista de Artes Marciales Asiáticas (RAMA), vol. 4 (3), 102-115.

Rosa, V. et al. (2009). “Motivações e entendimentos dos karatecas portugueses: Samurais na modernidade? / Motivations and understandings of Portuguese karatecas: Samurais in modernity?», in Abel Figueiredo (eds.), 2009 Scientific Congress in Martial Arts and Combat Sports - Proceedings, 16 e 17 de Maio de 2009, Associação para o Desenvolvimento e Investigação de Viseu, Instituto Politécnico de Viseu, Escola Superior de Educação de Viseu.

 

Vítor Rosa

Sociólogo, Doutor em Educação Física e Desporto, Ramo Didática. Investigador Integrado do Centro de Estudos Interdisciplinares de Educação e Desenvolvimento (CeiED), da Universidade Lusófona de Lisboa

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