Rosa Mota Campeã Olímpica está hoje de parabéns (artigo de João Marreiros, 10)

Espaço Universidade 29-06-2018 00:16
Por João Marreiros

Hoje, no dia do seu aniversário, esta gloriosa atleta nascida na Foz do Douro, iniciou a sua honrosa carreira desportiva através do Desporto Escolar, quando da realização de uma prova de Corta-Mato (2.000 metros) na categoria de Juvenis, na Escola Preparatória Leonardo Coimbra (Porto), quando decorria ano letivo de 1972/73, já com a idade de 14 anos.

A primeira medalha conquistada por esta atleta no Desporto Escolar, esteve presente na exposição “Encontro com a Memória do Desporto”, patente em Lisboa, no Museu de Electricidade-Central Tejo, de 23 de Outubro a 19 de Novembro de 1997.

Rosa Mota gostava das modalidades Natação e Ciclismo, mas a sua dedicação ao Atletismo acabou por ser a preferida em virtude de ser a mais barata.

Como atleta iniciou-se no clube local, o Futebol Clube da Foz (FCF), tal como a sua irmã, Ana Paula Mota, com menos três anos de idade. Rosa Mota deu nas vistas quando foi Campeã Nacional de Corta-Mato e seria a recordista nacional de 3.000 metros nas épocas de 1973 e 1974. Depois de cinco anos no FCF, ingressou em 1978 no Futebol Clube do Porto, para no final do ano de 1980 ingressar no Centro de Atletismo do Porto, clube nascido após o 25 de Abril de 1974, mais precisamente a 25 de Maio desse ano. 

Decorria o ano de 1982, quando no dia 12 de Setembro, Rosa Mota foi pela primeira vez Campeã da Europa na cidade de Atenas na estreia desta prova feminina. Alcançou o tempo de 2:36:04 horas no percurso de Maratonas a Atenas.

Em 1983 venceu as Maratonas de Roterdão (9 de Abril) com 2:32:27 horas e a de Chicago (16 de Outubro) com 2:31:12 horas para vencer novamente nesta última cidade, no ano de 1984 (21 de Outubro) com o tempo de 2:26:01 horas.

No dia 5 de Agosto de 1984, nos Jogos da Olimpíada de Los Angeles, Rosa Mota ganhou a medalha de bronze na prova da Maratona com o tempo de 2:26:57 horas e 37 segundos de vantagem sobre a norueguesa Ingrid Kristiansen que ficou em 4º lugar.

A vencedora olímpica foi Joan Benoit (EUA) com o tempo de 2:24:52 horas e a medalha de prata foi para Grete Waitz da Noruega alcançando o tempo de 2:26:18 horas.

Posteriormente na Maratona realizada no dia 26 de Agosto de 1986 na cidade de Estugarda alcançou o tempo de 2:28:38 horas, tendo sido a vencedora no Campeonato da Europa. Também neste ano venceu a Maratona de Tóquio em 16 de Novembro, com o tempo de 2:27:15 horas.

Em Boston, no dia 20 de Abril de 1987 venceu a Maratona com o tempo de 2:25:21 horas, para no dia 29 de Agosto na cidade de Roma alcançar o título mundial com o tempo de 2:25:17 horas e a vantagem de 7:21 minutos sobre a segunda classificada.

A Maratona feminina nos Jogos Olímpicos de Seoul (1988) foi disputada pela segunda vez no calendário olímpico, tendo tido como vencedora a portuguesa Rosa Mota.

Realizada no dia 23 de Setembro, a partida foi dada com 72 participantes de 40 Missões Olímpicas e 92 por cento de humidade, sendo a australiana Lisa Martin (seria 2ª com 2:25:53 horas) quem tinha a melhor marca mundial nesse ano (2:23:51 horas). Foi a primeira atleta a sair do estádio, logo seguida de Rosa Mota que nunca abandonou um dos dois ou três primeiros lugares, estando na frente, nos primeiros quilómetros em estrada todas as favoritas, inclusive Grete Waitz, destacando-se um pequeno grupo, formado por quatro atletas, quando se tinha percorrido os primeiros três quilómetros da corrida, mas tudo se reagrupou, aos sete quilómetros juntando-se um grupo de 16 atletas, passando assim a primeira sensação da prova.

Aos 14 quilómetros com Rosa Mota e Grete Waitz na frente, as primeiras fundistas começaram a ceder. Ao longo dos primeiros 18 quilómetros de prova, foi feita a selecção, onde já eram só 12 as atletas da frente, tendo pouco depois desistido Grete Waitz devido a várias contusões no joelho, e aos 20 quilómetros estavam apenas cinco atletas: Rosa Mota, Lisa Martin, Kathrin Doerre (República Democrática Alemã, seria 3ª com 2:26:21 horas) e as atletas da União Soviética Tatyana Polovinskaya (seria 4ª com 2:27:05 horas) e Raisa Smekhova, esta a ceder um pouco depois e a terminar apenas na 16ª posição com 2:33:19 horas.

O andamento, quase sempre imposto por Rosa Mota era regular. Foi nos sete quilómetros finais que tudo se decidiu. Aos 37 quilómetros, ficou a soviética Tatyana Polovinskaya para trás.

Ao longo dos 38 quilómetros, a portuguesa teve oposição forte, uma vez que a Lisa Martin, detentora da melhor marca mundial do ano (2:23:51 horas), por sinal ela também a correr a 13ª maratona da sua carreira, e a alemã Katrin Doerre, já com 16 maratonas disputadas, 13 das quais vitoriosa, com 2.25.24 horas como melhor marca.

Assim, com estas duas companheiras de percurso, de respeito, com que Rosa Mota nunca perdera, mas que se souberam guardar muito bem ao longo de todo o percurso até ao decisivo 38º quilómetro, tal como Carlos Lopes na maratona de Los Angeles (1984) se isolou por esta altura, também Rosa Mota aproveitando um declive na estrada e na sequência de uma recomendação do seu treinador José Pedrosa, atacou e rapidamente ganhou terreno e a certeza de que a não haver qualquer problema, seria a vencedora, pois rapidamente ganhou boa vantagem, que foi mantendo.

Depois foi a caminhada solitária até à meta, uma caminhada não isenta de dificuldades, como se podia adivinhar no raramente visto rosto sofredor de Rosa Mota, aqui e além transfigurado num sorriso de vitória.

Rosa Mota entrou na pista com 12 segundos de vantagem, sobre Lisa Martin, ganhando-lhe depois mais dois segundos, alcançando o tempo de 2:25:40 horas. Tinha como melhor marca 2:23:29 horas efetuada a 20 de Outubro de 1985 na cidade de Chicago.

Foi a 13ª prova de Maratona realizada, mas também a mais difícil da sua carreira, com uma vitória mais saborosa quando já contava com 16 anos de atletismo. Ainda nesta prova, Conceição Ferreira, chegou no 20º lugar com o tempo 2:34:23 horas e Aurora Cunha desistiu.

Em 1990, novamente Campeã da Europa em Slip (27 de Agosto) com o tempo de 2:31:27 horas. Anteriormente, em 28 de Janeiro venceu a Maratona na cidade de Osaka com o tempo de 2:27:47 horas. No dia 21 de Abril de 1991, venceu também a Maratona de Londres com o tempo de 2:26:14 horas.

Entre os anos de 1982 e 1992, disputou 21 corridas de Maratona, tendo ganho 14 (66,7%) dessa corridas.

Foi ainda vice-campeã mundial de estrada (15 km) em 1984 e 1986 e sagrou-se em Portugal, oito vezes campeã nacional de corta-mato, três vezes nos 1.500 metros e uma vez nos 800 m.

Ao terminar esta pequena síntese sobre a grande campeã Rosa Mota, mencionamos algumas das suas vastas condecorações: Em 3 de Agosto de 1983 recebeu a Ordem do Infante D. Henrique; Recebeu em 1985 (7 de Fevereiro) a condecoração Oficial da Ordem do Infante D. Henrique; Foi novamente elevada a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique, a 16 de Outubro de 1987; Grã-Cruz da Ordem do Mérito em 6 de Dezembro de 1988; Devido à sua carreira desportiva foi distinguida ainda em 2012 pela Association of International Marathons and Distance Races (AIMS).

O seu prestígio internacional ficou ainda comprovado quando foi convidada para transportar a Chama Olímpica em Atenas, antes dos Jogos da Olimpíada disputados naquela cidade, em 2004.

Nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016 Rosa Mota foi escolhida para transportar a chama olímpica, como embaixadora do projeto Save The Dream, que é uma iniciativa do International Centre for Sport Security (ICSS) e do Comité Olímpico do Qatar, e conta com o apoio do parceiro tecnológico Ooredoo. Trabalhando ao lado de organizações de áreas como o desporto, cultura, media, tecnologia e social, este projeto visa capacitar os mais jovens através dos valores do desporto, enquanto promove diálogo intercultural e inovação social.

No dia 10 de Novembro de 2017 na Grécia recebeu na 5ª Gala Anual de Prémios “Melhor Corredor de Maratona” o Prémio Carreira outorgado pela AIMS.

Obteve ainda várias distinções entre elas, o Prémio da Imprensa (1981), ou Prémio Bordalo, entregue pela Casa da Imprensa, em 1982.

Em 1981 foi também distinguida com a Medalha Olímpica Nobre Guedes do Comité Olímpico de Portugal.

Em 2010 recebeu, tal como Carlos Lopes, o Prémio Alto Prestígio CDP "Mérito Desportivo" da Confederação do Desporto de Portugal.

Deixou de praticar Atletismo competitivo em 1992, devido a uma dor ciática, mas continua ligada à modalidade e ao desporto em geral defendendo causas sociais.


João Marreiros é Professor Auxiliar no Ensino Universitário

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