Quarto poder continuará a sua missão

Desporto 17-09-2021 11:57
Por José Manuel Delgado

Integrado na Semana da Integridade do Desporto, organizada, à escala global, pela Aliança Global pela Integridade do Desporto (SIGA), teve ontem lugar um webinar, moderado pelo diretor-adjunto de A BOLA, José Manuel Delgado, subordinado ao tema Os Media e a Integridade do Desporto, que contou com os contributos de Paul Nicholson, CEO da Inside World Football, Sarah Castro, diretora do AS Colômbia, Bria Felicien, fundadora da The Black Sportswoman, e David Conn, escritor e jornalista do The Guardian.

Abordagens diversas concluíram pela necessidade de um quarto poder forte, capaz de enfrentar o gigantismo das corporações. Bria Felicien, sedeada em Atlanta, foi muito assertiva ao identificar o caráter decisivo das pequenas publicações, de onde têm brotado muitas denúncias que os media clássicos só mais tarde acompanham; Sarah Castro referiu as assimetrias norte-sul como um dos problemas à implementação de uma verdadeira integridade no Desporto; Paul Nicholson fez questão de salientar a importância do jornalismo de investigação, afirmando que esse tipo de trabalho gera vendas e agrada aos editores, tendo dado como exemplo tudo o que tem rodeado não só o Mundial do Catar, em 2022, mas também a equipa do PSG, que o Catar está a preparar para erguer a Champions no ano em que organiza o Campeonato do Mundo [o emblema parisiense é, recorde-se, propriedade da Qatar Sports Investment (QSi) - presidida por Nasser Al-Khelaifi -, uma subsidiária da Qatar Investment Authority, fundo de investimento soberano cujo CEO é o emir do Catar, Tamim bin Hamad Al Thani]; e David Conn apontou o gigantismo das competições e a concentração de meios em determinados eventos como elemento potenciador de falta de transparência.
Apesar de tudo, os integrantes do painel mostraram-se otimistas para o futuro, garantindo que os media estarão sempre atentos e quando um jornal ou um grupo de Comunicação não quiser pegar num determinado tema que lhe seja incómodo, outro se chegará à frente e o quarto poder continuará a cumprir a sua missão.  

Medeiros defende SIRVs
O dia ficou também marcado pelo painel que versou sobre a implementação do sistema SIRVS (SIGA Independent Rating and Verification System), que verifica o nível de implantação dos padrões de integridade universal da SIGA nas várias instituições - a European Rugby League foi a primeira a implementá-lo - através de um «processo rigoroso, imparcial, objetivo e estritamente independente».
A este propósito, Emanuel Macedo de Medeiros, diretor executivo da SIGA e um dos oradores deste painel, fez a defesa acérrima deste sistema.
«Sempre tive a sensação de que havia algo para fazer no Desporto. O futebol é uma máquina de fazer dinheiro, mas quanto mais gerava, mais estava em perigo. Houve detenções de membros da FIFA. Naquele período, senti que algo precisava de ser feito. O Desporto era visto como uma coisa sombria, indigna de confiança. Conheço o Desporto, principalmente futebol, e há pessoas íntegras que trabalham em prol das suas instituições. Não podíamos permitir que fosse manchado. Tínhamos de implementar um sistema que pudesse resolver qualquer problema ou ameaça e fizemo-lo. Agora temos padrões universais de integridade e transparência. E com este sistema de verificação independente podemos promover publicamente o que conquistámos. Estamos no século XXI. Uma indústria que movimenta milhares de milhões precisa ser auditável, íntegra e é isso que se consegue com o SIRVS », explicou.

Leia mais na edição impressa ou digital de A BOLA 

Ler Mais
Comentários (0)

Últimas Notícias

Mundos