Gabriel sentiu apoio dos colegas no Seixal

Benfica 14-02-2020 09:56
Por Nuno Reis

Gabriel esteve quinta-feira de manhã no centro de estágio do Benfica, mas não participou naturalmente na sessão de trabalho de preparação para o encontro de sábado com o SC Braga, para o campeonato.

 

Não foi novidade ter ficado de fora, pois os encarnados tomaram medidas assim que souberam das dificuldades do futebolista (ainda jogou, e marcou, ao Famalicão para a Taça de Portugal, mas as queixas em relação a visão dupla já existiam), mas ontem pela primeira vez o futebolista sentiu formalmente o peso da paragem, pois já está estabelecido por ordem médica que não volta a pisar os relvados, pelo menos para efeitos de competição, na presente temporada.

 

Não obstante, relatos da manhã de ontem no Seixal indicam que o jogador encarou positivamente o contacto com companheiros e treinadores, sendo naturalmente mais abordado do que o normal, pois também os jogadores do Benfica lidaram pela primeira vez com Gabriel desde a divulgação do problema em toda a sua extensão, anteontem à noite, através de nota oficial no site oficial do clube.

 

O jogador, já se sabe, terá de cumprir algumas tarefas diretamente ligadas à recuperação da «parésia do VI par craniano esquerdo, com limitação da abdução, que condiciona diplopia», mas estará obviamente interessado em começar a trabalhar no relvado o mais rapidamente possível, mesmo que sem bola, de maneira a poder manter a forma física. Ontem, apesar de ter ficado privado do contacto com bola, teve oportunidade de fazer parte uma vez mais da reunião diária do plantel.

 

Gattuso esteve seis meses sem jogar

 

Gennaro Gattuso, atual treinador do Nápoles, antiga estrela do Milan, passou pelo mesmo problema de Gabriel, mas aos 33 anos, quando já estava na fase descendente da carreira (terminaria no Sion, da Suíça, em 2012/2013).

 

Em setembro de 2011, «quatro dias antes de um jogo com a Lazio», como explicou então aos media italianos, deu pelo problema.

 

«Não me preocupei muito e até joguei a partida, mas os primeiros 20 minutos foram um inferno. Via quatro Ibrahimovics e parecia que estava bêbedo. Choquei com o Nesta e achei que algo estava errado, não aguentei mais e saí», disse o médio, que deixava o jogo a 9 de setembro e só voltaria a pisar relvados em competição mais de seis meses depois: jogou os últimos instantes de um Milan-Parma a 17 de março.

 

O antigo jogador lamentou então «não poder conduzir e levar os filhos à escola» - também Gabriel foi desaconselhado a conduzir -, mas conseguiu manter a forma: «O que me dá força é o facto de continuar a trabalhar fisicamente, mas sem bola. Isso dá-me força para não desistir. É preciso muito mais do que isto para me abater, mas cheguei a pensar no final da carreira. Nos últimos 45 dias consegui ler e ver todas as cores, por isso estou aqui hoje. É verdade que estou a lutar como o homem invisível, com visão dupla, mas o importante é não desistir. Há 45 dias [mês e meio depois de ter sido identificado o problema voltou a treinar-se, mas de forma condicionada] via a triplicar, agora apenas a dobrar.»

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