«Será um espectáculo deprimente» (Vítor Hugo Valente)

Vitória de Setúbal 10-01-2020 22:53
Por António Barrso

A integridade física dos jogadores, a integridade da própria prova (campeonato) e dos adeptos estão colocados em causa com a realização, sábado, dia 11 do corrente mês, do V. Setúbal-Sporting, da 16.ª jornada da Liga (20.30 horas), considerou na noite desta sexta-feira o presidente dos setubalenses, Vítor Hugo Valente, após uma reunião de hora e meia nas instalações da Liga Portuguesa de Futebol Profissional, em Algés, em que, com o presidente da Liga, Pedro Proença, e o vogal do Conselho Diretivo do Sporting, Miguel Nogueira Leite (em representação de Frederico Varandas) foi impossível o entendimento para um adiamento e os sadinos ficaram afrontados pela pretensão leonina de que os 20 jogadores do Vitória alegadamente com virose sejam examinados por uma junta médica de três clínicos, um deles indicado pelo Sporting, proposta que recusam com indignação.

 

O primeiro a sair do conclave foi Miguel Nogueira Leite, vogal do CD do Sporting e representante de Frederico Varandas, que informou o batalhão de jornalistas de que o jogo irá mesmo realizar-se… apresente o V. Setúbal quem apresentar no onze.

 

«O jogo mantém-se para amanhã [hoje] tal como estava acordado. Viemos propor ao Vitória Futebol Clube, num espírito de cooperação e de boa fé, para que o jogo, antes de se verificar se podia ou não ser realizado, fosse feita uma junta médica, composta por três médicos: o diretor clínico do Sporting, o Dr. João Pedro Araújo, que esteve também aqui presente na reunião, um médico nomeado pelo Vitória Futebol Clube e um médico nomeado pela Liga Portuguesa de Futebol Profissional. O Vitória entendeu não aceitar essa nossa proposta, Portanto, o jogo, nos termos regulamentares, está agendado para amanhã [sábado] e vai realizar-se», afirmou o responsável do CD leonino.

 

Quanto a se havia hipótese de adiar o jogo mesmo sem essa junta médica, e se o Sporting não ponderou essa hipótese, o representante de Frederico Varandas no conclave foi lapidar. «O Sporting, ao adiar o encontro, e com a sobrecarga de jogos que tem, bem expressa no comunicado que fez, em que começa, aliás, por lamentar a situação do Vitória Futebol Clube mas tem, também, os seus interesses que tem de salvaguardar, e em particular a sobrecarga de jogos que aí vem, não podendo esquecer também que, nos termos regulamentares, o jogo teria sempre que ser reagendado para as próximas seis semanas, optou por propor esta solução ao Vitória Futebol Clube. Se o Vitória Futebol Clube tivesse 11 jogadores aptos para jogar amanhã [hoje], jogaria; se não tivesse, aí poderíamos ponderar essa situação. O Vitória, tanto quanto foi percebido na reunião, vai ter 11 jogadores. Portanto, haverá jogo», disse Nogueira Leite.

 

Sobre a possibilidade de se abrir uma exceção ao prazo de seis semanas para se realizar o jogo, Nogueira Leite esclareceu: «Nesta reunião não».

 

Questionado por A BOLA sobre se a pretensão da constituição desta junta médica não trazia implícita uma certa desconfiança do diagnóstico do diagnóstico do médico do V. Setúbal, quanto aos jogadores estarem mesmo doentes… ou não, Nogueira Leite percebeu o alcance da delicada questão. «Essa é, efetivamente, a argumentação do Vitória Futebol Clube. Nenhuma decisão pode ser tomada sem ser de forma informada e rigorosa. O Sporting pediu, na quinta-feira, quanto o presidente do Vitória Futebol Clube contactou o presidente Frederico Varandas, para se adiar o jogo, Frederico Varandas pediu para ter acesso aos dossiers clínicos destes jogadores. Isso não foi permitido. Hoje [ontem] pedimos aqui novamente uma solução, em que se teria de ter acesso a essa informação, para o Sporting também, por sua vez, dizer se concordaria ou não. Aparentemente, há jogadores suficientes, quer em termos da Lei do Jogo, quer em termos regulamentares, portanto vai haver jogo» concluiu.

 

«Será um espetáculo deprimente»

 

Minutos depois, o presidente do V. Setúbal saiu e, aos jornalistas presentes em Algés, deu corpo à indignação do emblema. «Só comento declarações proferidas por presidentes. A delegação do Sporting não integrava o seu, portanto não vou comentar qualquer declaração de quem integrou esta comitiva», referiu, antes de detalhar o melindre que o assalta.

 

«Vamos aos fatos, sucintamente. O Vitória, perante esta factualidade, propôs ao Sporting o adiamento do jogo, indicando datas. O Sporting respondeu que não e, nesta reunião, trouxe uma proposta, que incluía a realização de uma junta médica, junta essa que integraria um médico nomeado pela Liga, um médico do Vitória e um médico nomeado pelo Sporting. O Vitória obviamente recusou, porque nós não somos um clube de vão de escada! Essa proposta tem um pressuposto que ofende a nossa honorabilidade enquanto clube, e do nosso médico! Por isso, recusámos: nunca médico algum de outro clube irá analisar os nossos jogadores. Além do mais, o nosso grande apelo para que o jogo não se realizasse e fosse marcada uma outra data, é realçado também pelo seguinte: o Vitória nunca faltou a um jogo que estivesse marcado. E não o irá fazer. Fomos obrigados a isso. Lamento é que se o Vitória quer jogar com o Sporting nas condições em que os nossos jogadores estão, é um espetáculo deprimente para o futebol. Irá envergonhar o nosso futebol. Eu até às últimas consequências defendo sempre, intransigentemente, a integridade física dos nossos jogadores. Vim aqui defender a integridade desta competição. É a nossa posição. Se alguém quer promover um espetáculo triste e deprimente, irá promover», afirmou Vítor Hugo Valente.

 

Questionado sobre se a realização do jogo prejudica os jogadores, e se uma junta médica não poderia de fato esclarecer esta situação, subiu o tom da indignação. «Ouviram mal? A junta médica integrava um médico do Sporting! Isso, para nós, só essa proposta, tem um pressuposto: é colocar em causa e negar aquilo que dizemos. E nós somos um clube de honra, não aceitamos isso», afirmou.

 

E quanto a ser mais importante a defesa da honra do que o estado dos jogadores, insistiu no valor e princípio em causa: o Sporting desconfiar da palavra do V. Setúbal e do seu médico (Ricardo Lopes): «Não, já vos disse e vou repetir: a honra do clube, tem de ser sempre defendida. A integridade física dos jogadores também. E a da competição. E foi colocada em causa com um jogo nestas condições: é uma vergonha para o futebol», sentenciou Vítor Hugo Valente… indignadíssimo.

 

Quanto ao Sporting alegar que pediu os ficheiros clínicos dos jogadores para confirmar que estão mesmo doentes, desconfiança sobre a condição clínica deles, e que estes dados não lhes foram fornecidos pelo Vitória, foi então direto ao que interessa, o que o V. Setúbal não permite. «Não admitimos que desconfiem do que nós dizemos, nem o clube, nem o nosso médico. No fundo é o que está em causa, é não acreditarem na nossa palavra sim, nem na do nosso médico», acrescentou o timoneiro da nau sadina.

 

Questionado, por último, quanto a quem vai jogar, deixou a questão em aberto. «Veremos. Isto ainda não está terminado, porque o senhor presidente da Liga manteve aberto este assunto, e nós estamos disponíveis para, se for para adiar o jogo, conversar. Se o jogo ainda poderá ser adiado? Claro. Basta que alguém tenha bom senso, do lado do Sporting, e não queira permitir um espetáculo deprimente para o futebol e que coloca em causa, insisto, a integridade da competição. Sporting rejeitou essa hipótese? Já disse: não comento as declarações sem ser de presidentes. Se Frederico Varandas esteve presente por videoconferência ou videochamada? Não. De qualquer forma, eu falei com o presidente, Frederico Varandas. Não esteve aqui, ainda assim acedi, porque sabia a posição do presidente Frederico Varandas. Nesta reunião, o Sporting trouxe um dado novo, já vos disse qual… e que nós não aceitamos!»

 

Posto isto, e instado a comentar o ponto em que ficam as relações entre os dois clubes, Vítor Hugo Valente relativizou a questão. «Vim aqui num espírito de boa fé e de tentar encontrar um consenso. Isso não se coloca aí. O que diria a quem já comprou bilhete e esperava ver duas equipas na máxima força e um grande espetáculo no Bonfim? Queríamos salvaguardar a integridade física dos jogadores, a integridade da competição, e dos adeptos. É um espetáculo, que, a realizar-se, será deprimente», concluiu. Sábado à noite se verá.

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