Ding Junhui campeão do UK Championship (10-6)

Snooker 08-12-2019 21:32
Por António Barroso

O chinês Ding Junhui, de 32 anos, 14.º da hierarquia, conquistou este domingo o seu 14.º título em provas de ranking e terceiro no UK Championship, ao vencer na final do torneio da época 2019/2020 da World Snooker, que terminou este domingo em York (Inglaterra) o escocês Stephen Maguire, de 38 anos, 15.º da hierarquia, por 10-6.

 

Uma final na qual Ding manteve a serenidade e frieza a aproveitar todos os erros e tranquilidade no ataque, e na qual Maguire claudicou no seu ponto forte, com demasiadas falhas ofensivas, depois da limpeza e demonstração de força ante Mark Allen (6-0) nas meias, Mas sete (!) centenárias (três de Stephen, quatro de Junhui) e mais meia dúzia de breaks acima dos 50 pontos (quatro do chinês, dois do escocês) demonstram o elevado nível a que se assistiu, a prestigiar esta variante do bilhar, ambos os atletas e... o torneio.

 

Bicampeão da prova em 2005 (10-6 ante Steve Davis na final) e 2009 (10-8 ante John Higgins), Ding chega ao tri no UK, o primeiro torneio conquistado pelo profissional que, quando joga, cola pelo menos 100 milhões de compatriotas aos ecrãs a segui-lo, nos últimos 27 meses, desde que vencera o World Open de 2017, em Yushan.

 

Uma prova estupenda de um atleta de regresso à boa forma cerebral, clínica e serena de sempre, num jogo em que o poder ofensivo de Maguire claudicou logo no primeiro parcial da sessão inaugural, após 28 pontos, ao falhar vermelha fácil e ver Ding ganhar parcial equilibrado para liderar por 1-0, depois 2-0 com entrada de 56 pontos.

 

O escocês passou do sonho ao pesadelo quando os números passaram a 3-0 com centenária (105 pontos) de Ding logo a seguir - após Stephen voltar a falhar vermelha acessível e a preta do ponto… -  e o 4-0 com nova centenária, de 128 pontos, para desnível à partida impensável ao intervalo da primeira das duas sessões do duelo no Barbican Centre, palco da prova desde 26 de novembro.

 

Ripostou o profissional de Glasgow após o recomeço, e encostou a 3-4, devolvendo a emoção à final, com uma entrada de 67 pontos como melhor no sexto parcial. Mas azul disciplicente, falhada para o meio, quando ia embalado para o empate, deu a Ding a chance não enjeitada do 5-3.

 

Maguire jogou terceira final e tentava segundo título no UK Championship – venceu-o em 2004 (10-1 a David Gray na final), perdeu o duelo de 2007 para Ronnie O’Sullivan (2-10) – e sexto título da carreira. Mas o sonho começou a esvanecer-se sem remissão no início da segunda sessão.

 

Stephen a falhar no ataque, entrada de 83 pontos de Ding a ampliar vantagem: 6-3. Fôlego do escocês, breaks de 53 e centenária (103 pontos), da 10.ª e 11.ª partidas, tiveram sabor agridoce: o chinês ainda venceu o décimo frame e ampliou para 7-3, Maguire reacendeu a fé na seguinte com o 4-7… a colocar pressão no último frame antes do descanso, porque 4-8 foi bem diferente de possível 5-7. O homem de Glasgow não aproveitou, Ding anotou break de 67 pontos: 8-4, intervalo, tudo parecia estar inclinado... e decidido.

 

A fibra dos campeões vê-se quando sob pressão. E Stephen não atirou a toalha ao chão para a decisão, no recomeço, com duas centenárias consecutivas, de 103 e 124 pontos, respetivamente - a segunda após um falhanço de Ding, coisa pouco vista até então...-, a recolocar a tensão no ar e a emoção ao máximo: de 4-8 a 6-8 foi... um fósforo, com o temível jogo ofensivo de Maguire e consistência de break a espalharem magia em York... e Ding 25 minutos sem embolsar uma bola.

 

Altura de Ding responder para cortar a meta: Maguire não conseguir levar a branca para cima, e o asiático limpou a mesa com estupenda classe: 131 pontos, para a terceira centenária consecutiva noutros tantos frames: o nível da final passara de desporto a espetáculo de primeira água e qualidade máxima.

 

Regalo para os amantes desta variante do bilhar, 9-6... e Maguire encostado às cordas. A vitória chegou logo depois, e com a sua quarta centenária no encontro, chave de ouro, a limpar a mesa e a fechar o jogo e a prova: 103 pontos, merecídissima vitória de um de dois atletas que não mereciam jejum de títulos tão prolongado: são do melhor que há no planeta... e provaram-no onde todos têm de o fazer, à mesa.

 

Este UK Championship, prova da Tripla Coroa (com o Masters e o Mundial) pontuável para o ranking, atribuiu 1,009 milhões de libras (1,197 milhões de euros) em prémios, das quais £200 mil (€237.454) ao campeão, Ding Junhui, que sucede a Ronnie O’Sullivan como vencedor do torneio, enquanto Stephen Maguire garantiu £80 mil (€94.981), menos £120 mil (€142.472) do que o profissional asiático pela vitória na final deste domingo... e no torneio.

 

Open da Escócia já na manhã desta segunda-feira

 

Mas o snooker não pára até dmingo, dia 15 do corrente mês: 12 horas após o fim do torneio em York, inicia-se o Open da Escócia esta segunda-feira, dia 9 do corrente mês, logo às 10 horas, na Emirates Arena. É a terceira de quatro provas da Home Nations Series, torneio ganho pelo norte-irlandês Mark Allen em 2018 (9-7 a Shaun Murphy na final), que distribuirá £405 mil (€480.859) de prémios, das quais £70 mil (€83.111) ao campeão, e também será transmistido para Portugal (EuroSport).

 

Ding Junhui tinha jogo agendado da 1.ª ronda para as 10 horas desta segunda-feira com o galês Michael White, mas a World Snooker retirou da agenda quer o seu jogo, quer o de Stephen Maguire (defrontaria o inglês Jimmy White às 16.30 horas, locais e hora de Portugal continental): têm de descansar e viajar, após a final deste domingo, em York. Foram reagendados, entretanto, para terça-feira, dia 10 do corrente mês, com Ding a defrontar Michael às 13 horas e Stephen a medir forças com Jimmy às 19 horas.

 

Do lote de duelos mais interessantes de um torneio em que o número dois mundial, o galês Mark Williams, não se inscreveu, e numa 1.ª ronda que só se completará terça-feira, dia 10 do corrente mês, constam, logo no primeiro dia, Mark Allen-Andy Hicks (13 horas), John Higgins-Jamie O’Neill (14 horas), Mark Selby-Mark Joyce (19 horas) e Neil Robertson-Ken Doherty (20 horas).

 

Terça-feira, e ainda na 1.ª ronda, destaque para o número três do Mundo, Ronnie O’Sullivan, que mede forças com Dominic Dale às 14 horas, e para o compatriota inglês, campeão mundial e número um, Judd Trump, frente ao marroquino Amine Amiri (19 horas). Mas há ainda um Yan Bingtao-Barry Pinches (10 horas), Kyren Wilson-Hossein Vafaei (13 horas), Stuart Bingham-Matthew Stevens (16.30 horas) e Shaun Murphy-Daniel Wells (20 horas) no cardápio de dia 10.

 

Sorteio do Masters: Trump começa frente... a Murphy

 

A propósito de Ronnie, ausente do Masters, a realizar de 12 a 19 de janeiro em Londres (World Snooker anunciou que Ali Carter preenche a vaga do Rocket), realizou-se este domingo o sorteio da segunda das três provas da Tripla Coroa (com o UK Championship e o Mundial) reservada aos melhores 16 da hierarquia, e que distribuirá 725 mil libras (860.796 euros) de prémios, das quais 250 mil libras (298.826 euros) ao campeão.

 

E na capital britânica, nos oitavos de final, com os oito primeiros da hierarquia cabeças-de-série ante o nono ao 16.º (17.º neste caso, Ali Carter, sem Ronnie…) teremos desde logo Neil Robertson ante Stephen Maguire, Judd Trump-Shaun Murphy, Mark Williams-Stuart Bingham, Mark Allen-David Gilbert, Kyren Wilson-Jack Lisowski, John Higgins-Barry Hawkins, Ding Junhui-Joe Perry e Mark Selby-Ali Carter.

 

Tudo num dia em que a World Snooker anunciou nova prova no circuito, o Masters da Arábia Saudita, a partir da época 2020/2021, em Riade, por dez anos, com primeira edição de 4 a 10 de outubro de 2020 e um bolo milionário de prémios: 2,5 milhões de libras (€2,963 milhões de euros), com o campeão a amealhar tanto quanto o proximo campeão mundial em Sheffield em maio de 2020, 500 mil libras (593.653 euros).

 

Final do UK Championship, este domingo (campeão a negro):

Ding Junhui-Stephen Maguire, 10-6

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