O meu jardim é melhor que o teu

O Mundo dos Guarda-Redes 21-11-2019 16:16
Por Roberto Rivelino

Qualquer relvado é tratado como um jardim pelo tratador encarregue da missão e qualquer um destes profissionais procura que o seu jardim esteja mais bem tratado que o do vizinho. Na baliza, o guarda-redes é o relvado e o treinador de guarda-redes o tratador que procura aflorar o desempenho e as capacidades do indivíduo, mas procurando ter várias raízes e sementes a brotar no seu ‘jardim’.

Independentemente dos objetivos da equipa ou do clube, a baliza deve contar com a presença de pelo menos dois competidores com saúde para disputar a titularidade e logo tentar mostrar que o seu jardim é mais bem tratado que o do vizinho – de forma salubre. Esta competição e constante comparação leva a que um guarda-redes desenvolva o outro e vice-versa, no treino e no jogo, e que por conseguinte eleve os níveis oferecidos ou ao dispor da equipa.

Nesta linha de pensamento há dois treinadores que conseguem desfrutar de competição com capacidades e qualidades equitativas nas suas equipas nesta edição da Liga: Ivo Vieira no Vitória SC e Ricardo Sá Pinto no SC Braga – há mais, mas que ainda não provocaram rotatividade clara na prova (João Henriques no Santa Clara, João Pedro Sousa no Famalicão ou Vítor Campelos no Moreirense). A qualquer momento, Douglas Jesus ou João Miguel Silva defendem a baliza vimaranense e Eduardo ou Matheus Magalhães (e ainda há Tiago Sá), entram em campo para afastar golos nos Gverreiros do Minho, sem se definir um número um agarrado e acomodado ao lugar.

Sem discutir amplitudes na abordagem ao jogo e capacidades e qualidades, percebe-se que este tipo de critério – nestas equipas, igual ao de qualquer outra posição -, traz alertas e abre caminho para que o rendimento destes esteja sempre a 110 por cento, deixando quem estiver mais preparado como o usufruidor da baliza – por muito que isso incomode qualquer um dos guarda-redes por quererem estar na posição com estatuto de principal ou por ser algo que entra no padrão-estereótipo de que deve haver um titular definido.

Trazendo competição para a baliza sem cimentar lugares abre ainda espaço para que o treinador de guarda-redes consiga exponenciar o valor atual (rendimento), e potencial destes jogadores e oferecer à equipa o melhor que há de cada um – a bola fica nas mãos dos guardiões, que em jogo vão justificar a opção ou entregar a bola ao concorrente/colega.

Por Guimarães e Braga vê-se isso a acontecer, com paralelismos no maior ou menor rendimento das duplas que titulam as respetivas balizas, mas poderemos chegar ao mesmo caminho na baliza de Boavista – Rafael Bracali não está a deixar dúvidas da sua qualidade, enquanto Helton Leite espreita a oportunidade para retomar os níveis de exibicionismo da temporada transata -, ou do Famalicão – em que Rafael Defendi agarrou a baliza pelo pescoço e Vaná procura confirmar os créditos que mostrou no Feirense e o levaram para o Estádio do Dragão.

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