Símbolos desportivos (artigo de Vítor Rosa, 68)

Espaço Universidade 18-11-2019 10:51
Por Vítor Rosa

Desde as origens da humanidade, encontramos símbolos sob uma ou outra forma e em numerosos domínios. No âmbito do plano etimológico, a palava “símbolo” provém do grego “sumbolon”, que quer dizer “sinal” ou “marca”. Na Antiguidade, o “sumbolon” era um objeto cerâmico, de madeira ou metal, partido em duas partes. A junção dessas duas partes constituía um meio de reconhecimento.

 

Com o tempo, a palavra “símbolo” veio a designar a representação figurativa de um conceito, de uma ideia, de uma ação ou de uma situação. Os símbolos têm, muitas vezes, origem no mundo animal ou na natureza em geral. Eles podem provir também dos objetos fabricados pelo homem, sendo, assim, artificiais. Alguns são apenas formados por alguns pontos ou linhas; outros, consistem em figuras geométricas mais elaboradas, como um triângulo, um quadrado ou um círculo. Quando uma ideia transmitida por um símbolo se refere a algo concreto, por exemplo, um animal, um vegetal ou um objeto, a sua representação é fácil. Quando se trata do domínio da abstração, como um conceito ou um sentimento, é mais difícil de representar. Neste caso, deve-se utilizar um símbolo ilustrativo do sentido que se quer transmitir. Alguns símbolos são universais. De uma forma geral, podemos dizer que existem três tipos de símbolos: os símbolos naturais, os símbolos artificiais e os símbolos místicos.

 

Alguns símbolos são universais. O psicólogo Carl Gustav Jung designa-os sob o nome de “imagens arquétipais”, dado que representam princípios eternos, os “arquétipos”, que o subconsciente do homem traduz em imagens. Como ele explica, a função essencial de um símbolo é de explicitar um conceito, um princípio ou uma verdade, cuja compreensão escapa “a priori” à razão. Os símbolos permitem estabelecer relações e as mediações entre o visível e o invisível, o material e o espiritual, a terra e o céu. Eles participam na nossa evolução interior e fazem viagem o nosso pensamento através dos planos da Criação.

 

No âmbito do desporto, tomemos aqui o exemplo do símbolo dos cinco anéis olímpicos entrelaçados e de iguais dimensões. Idealizado em 1914, por Coubertin, criador dos Jogos Olímpicos Modernos, simbolizam a união dos cinco continentes pelo olimpismo. As cores representam a universalidade: o verde representa a Oceania, o preto a África, o amarelo a Ásia, o azul a Europa e o vermelho a América. Estas cores estão representadas nas várias bandeiras. Na bandeira olímpica, consta também o branco. A adoção dos anéis entrelaçados foi codificada pelo COI, reunido em Lausanne, em 1931. Cada prática desportiva tem também o seu símbolo.

 

Vítor Rosa

Sociólogo, Doutor em Educação Física e Desporto, Ramo Didática. Investigador Integrado do Centro de Estudos Interdisciplinares de Educação e Desenvolvimento (CeiED), da Universidade Lusófona de Lisboa

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