«Empurraram para o lado da Luz, mas já estamos habituados»

FC Porto 16-11-2019 23:58
Por Redação

Depois de se destacar no Sporting, Ricardo Quaresma transferiu-se na época 2002/03 para o Barcelona. Tinha 18 anos e levava o estatuto de promessa do futebol português, porém, a experiência em Camp Nou não correu bem.

 

«Faltou muita coisa. Quando és jovem, precisas de muito apoio e de ter alguém que te chame a atenção quando estás a errar. Estive seis meses em Barcelona a viver sozinho e custou muito porque deixei a família e isso abanou-me muito. Quando quis voltar a agarrar, já foi tarde. Não me arrependo de nada porque realizei o meu sonho. Gostava de ter triunfado, mas não me arrependo de ter escolhido o Barcelona», recorda em entrevista ao Porto Canal.

 

O regresso a Portugal aconteceu na época seguinte não em contornos que desejaria: foi moeda de troca no negócio que levou Deco do FC Porto para o Barcelona: «Custou-me porque não acho ninguém melhor que eu, nunca achei. E sair em troca por outro jogador, para o meu ego e orgulho… feriu-me. Quando venho para o FC Porto meti na cabeça ‘vou mostrar que não perderam nada em apostar em mim’.»

 

«Nunca me passou pela cabeça vir parar ao FC Porto», assume ainda. «Quando me falaram de voltar a Portugal, queria voltar ao Sporting, regressar à minha casa. Mas senti que o Sporting andou a contar histórias e não queriam aceitar-me com o carinho que tinham dado no passado. Até ao momento em que falei com o presidente Pinto da Costa e senti que ele acreditava em mim e admirava o meu futebol. Foi isso que me fez vir para o FC Porto. Quando entrei pela primeira vez no balneário, vi referências como Jorge Costa e Vítor Baia, e foi ai que percebi que o FC Porto era diferente. E percebi que estava no sítio certo.»

 

O primeiro jogo de dragão ao peito foi a Supertaça frente ao Benfica, num jogo marcado pelo duelo com Argel, que tinha acabado de trocar o FC Porto pela Luz: «Comecei bem. Argel andou o jogo todo com aquelas coisas dele, que batia a toda a gente, que fazia e acontecia… eu olhava para ele e pensava ‘deixa-me ter uma oportunidade que já conversamos’. Assim que tive essa oportunidade na área, não hesitei e tive a felicidade de fazer o golo.»

 

Numa época marcada pela passagem de três treinadores pelo banco (Del Neri, Victor Fernández e José Couceiro), o título acabou por fugir para o Benfica de Trapattoni: «Foi uma época difícil para nós e, mesmo assim, lutámos até à última jornada [n.d.r. terminaram a três pontos do Benfica]. As coisas não nos correram bem, mas houve jogos em que facilitaram e que empurraram para o lado da Luz. Mas já estamos habituados a lutar contra tudo e todos. Mesmo com uma época difícil, fizemos bons jogos.»


Quaresma recorda ainda a equipa desse ano do FC Porto como uma das melhores onde jogou: «Ainda digo ao meu filho que o meu primeiro ano no FC Porto foi quando joguei com mais craques. Um plantel fantástico. Não sei como não fomos campeões com esse plantel, mas houve muitos jogos esquisitos.»

Ler Mais
Comentários (94)

Últimas Notícias