Jogadores internacionais uma mais valia na NBA (artigo de Eduardo Monteiro, 47)

Espaço Universidade 09-11-2019 13:27
Por Eduardo Monteiro

Nos primeiros anos da National Basketball Association (NBA), a entrada de jogadores não nascidos nos Estados Unidos não era entendida como uma mais valia para a organização (NBA), atendendo que a prioridade passava pela conquista progressiva do mercado interno, com a prata da casa, tendo como principal preocupação assegurar a sustentabilidade da liga profissional de basquetebol. Entretanto, após a segunda guerra mundial e a evidente influência dos militares norte americanos na divulgação da modalidade nos países onde estavam estacionados, o basquetebol começou a ganhar raízes. Nas décadas seguintes, com o progressivo ingresso de jogadores (made in USA)  nos clubes europeus e sul americanos e a oportuna reorganização das competições nacionais e internacionais, foi possível constatar que iam surgindo, aqui e ali, alguns talentos aos quais se poderia dar a oportunidade de prestarem provas na liga profissional norte americana.

 

Assim, nos primeiros anos da década de oitenta, essas oportunidades foram surgindo e, a partir daí, até aos nossos dias, diversos jogadores de várias nacionalidades foram mostrando as suas potencialidades e atestando a sua influência nos clubes por onde passaram. Entre todos os jogadores internacionais que actuaram na NBA, escolhemos aqueles que maior prestígio alcançaram junto dos adeptos do basquetebol e comunicação social especializada:

 

1 – Hakeem Olajuwon (Nigéria)

Equipas: Houston Rockets (1984-2001), Toronto Raptors (2001-02).

(2 vezes campeão NBA) (2 vezes MVP finais) (NBA MVP) (12 vezes All Star);

2 – Detlef Schrempf (Alemanha)

Equipas: Dallas Mavericks (1986-89), Indiana Pacers (1989-93), Seattle Supersonics (1993-99).

(3 vezes All Star NBA) (2 vezes Melhor sexto jogador NBA);

3 – Vlade Divac (Sérvia)

Los Angeles Lakers (1989-96/2004-05), Charlotte Hornets (1996-98), Sacramento Kings (1998-2004).

(1 vez All Star NBA) (Naismith Hall of Fame);

4 – Dragen Petrovic (Croácia)

Equipas: Portland Trail Blazers (1989-91), New Jersey Nets (1991-93).

(1 vez All-NBA) (Naismith Hall of Fame);

5 – Dikembe Mutombo (R.D.Congo)

Equipas: Denver Nuggets (1991-96), Atlanta Hawks (1996-2001), Philadelphia 76ers (2001-02), New Jersey (2002-03), NY Knicks (2003-04), Houston Rockets (2004-09).

(8 vezes All Star) (4 vezes Defensive Player Year) (Naismith Hall of Fame);

6 – Tony Kukoc (Croácia)

Equipas: Chicago Bulls (1993-2000), Philadelphia 76ers (2000-01), Atlanta Hawks (2001-02), Milwakee Bucks (2002-06).

(2 vezes campeão NBA);

7 – Arvidas Sabonys (Lituânia)

Equipa: Portland Trail Blazers (1995-2003).

(Naismith Hall of Fame);

8 – Steve Nash (Canadá)

Equipas: Phoenix Suns (1996-98) (2004-12), Dallas Mavericks (1998-2004), Los Angeles Lakers (2012-14).

(2 vezes NBA MVP) (8 vezes All Star NBA) (Naismith Hall of Fame);

9 – Peja Stojakovic (Croácia)

Equipas: Sacramento Kings (1998-2006), Indiana Pacers (2006), New Orleans (2006-10), Toronto Raptors (2010-11) e Dallas Mavericks (2011).

(1 vez campeão NBA) (3 vezes All Star NBA);

10 – Dirk Nowitzki (Alemanha)

Equipa: Dallas Mavericks (1999-2019)

(1 vez campeão NBA), (14 vezez All Star NBA), (1 vez NBA MVP), (1 vez MVP Finais);

11 – Tony Parker (França)

Equipas: San Antonio Spurs (2001-18), Charlotte Hornetes) (2018-19).

(4 vezes campeão NBA) (1 vez MVP Finais) (6 vezes All Star NBA);

12 – Andrei Kirilenko (Rússia)

Equipas: Utah Jazz (2001-11), Minnesota (2012-13), Brooklin (2013-15).

(1 vez All Star NBA);

13 – Manu Ginobili (Argentina)

Equipa: San Antonio Spurs (2002-2018).

(4 vezes campeão NBA) (2 vezes All Star NBA);

14 – Yao Ming (China)

Equipa: Houston Rockets (2002-11).

(8 vezes All Star NBA) (Naismith Hall of Fame).

 

A NBA, cuja época desportiva teve agora o seu início, tem inscritos nas  equipas que a constituem, 108 jogadores internacionais oriundos de 38 países e territórios autónomos. Trata-se da sexta época consecutiva em que o número de atletas profissionais de basquetebol, não nascidos nos Estados Unidos, ultrapassa a centena. Atendendo a que há 25 anos atrás, mais propriamente na época desportiva de 1994/95, o número de jogadores estrangeiros não ultrapassava os vinte e cinco, verificamos que nestes  últimos seis anos o contingente se manteve, o que é uma demonstração real da evolução que a modalidade alcançou no contexto internacional.
 

Os países mais representados neste elenco de 108 jogadores internacionais são o Canadá (16), Austrália (10), França (8), Croácia (7), Sérvia (6), Espanha (5), Alemanha (5), Turquia (4), Brasil (4), Itália (3), Letónia (3), Eslovénia (3), Bahamas (2), Bosnia Herzegovina (2), Camarões (2), R. D. Congo (2), Grécia (2), Lituânia (2), Sudão Sul (2), Suiça (2), Ucrânia (2) e com 1 jogador os restantes a seguir indicados: Angola, Rep. Checa, Rep. Dominicana, Egipto, Finlândia, Geórgia, Haiti, Japão, Mali, Montenegro, Nova Zelândia, Nigéria, Porto Rico, Rep. Congo, Senegal e Reino Unido.

Neste conjunto de jogadores internacionais temos 5 atletas que pertencem à Comunidade Lusófona, Bruno Fernando (Atlanta Hawks) o primeiro angolano nestas andanças e os brasileiros Bruno Caboclo (Memphis Grizzlies), Cristiano Felício (Chicago  Bulls), Raúl Neto (Philadelphia 76ers) e Nené Hilário (Houston Rockets).
 

No que diz respeito às equipas que mais apostaram nos atletas internacionais temos à cabeça os Dallas Mavericks com 7, seguidos pelos Phoenix Suns (6), Philadelphia 76ers (6), Memphis Grizzlies (5), San Antonio Spurs (5), Oklahoma City Thunder (5), Sacramento Kings (5), Toronto Raptors (5), Utah Jazz (5), Washington Wizards (5), Portland Trail Blazers (4), Cleveland Cavaliers (4), Denver Nuggetes (4), Milwaukee Bucks (4), Orlando Magic (3), Chicago Bulls (3), Brooklin Nets (3), Houston Rockets (3), New York Knicks (3), Minnesota Timberwolves (3), Charlotte Hornets (3), Detroit Pistons (3), Boston Celtics (3), Atlanta Hawks (2), LA Clippers (2), New Orleans Pelicans (2), Miami Heat (2), Indiana Pacers (2) e Golden St. Warriors (1).
 

Do actual contingente de jogadores internacionais que actuam na NBA há uns tantos que merecem uma referência especial na medida que atingiram uma posição de excelência não só na liga profissional norte americana, mas também no contexto internacional ao serviço das selecções nacionais dos seus países de origem:
 

- Pau Gasol (Espanha) – NBA Rookie of the year (2001), 6 vezes All Star NBA (2006-2009-2010-2011-2015-2016), 2 vezes Campeão da NBA pelos Los Angeles Lakers (2008-09) (2009-10). Selecção de Espanha - Jogos Olímpicos: Medalha de prata (2008) (2012), Medalha de bronze (2016); Mundial FIBA: Medalha de ouro (2006); Eurobasket: Medalha de bronze (2001), Medalha de prata (2003) (2007), Medalha de ouro (2009) (2011) (2015).  

- Marc Gasol (Espanha)- NBA Defensive player of the year (2012-13), All Star NBA (2012-2015-2017). Selecção de Espanha – Mundial FIBA: Medalha de ouro (2006) (2019); Eurobasket: Medalha de prata (2007), Medalha de ouro (2009) (2011), Medalha de bronze (2013) (2017).

- Marc Gasol (Espanha), Serge Ibaka (Rep. Congo) e Pascal Siakam (Camarões) Campeões da NBA com os Toronto Raptors na época passada;

- Ricky Rubio, Marc Gasol, Willy e Juancho Hernangomez Campeões do Mundo com a selecção de Espanha no Mundial China 2019;

Por outro lado, verificamos que os vencedores dos 5 principais prémios individuais que distinguem os atletas da NBA, na época passada (2018/19), nas diversas facetas inerentes ao próprio jogo, 4 são estrangeiros:

- Giannis Antetokounmpo (Grécia) MVP (Jogador mais valioso);

- Luka Doncic (Eslovénia) Rookie of the year (Novato do ano);

-Pascal Siakam (Camarões) Most improved player (Atleta com maior evolução);

- Rudy Gobert (França) Best defensive player (Melhor defensor).

Para além disso, ainda temos uma situação que nunca tinha acontecido na NBA, que é o facto de haver três duplas de irmãos como jogadores profissionais e todos eles internacionais:

- Pau e Marc Gasol (Espanha);

- Giannis e Thanasis Antetokounmpo (Grécia);

- Willy e Juancho Hernangomez (Espanha).
 

Neste momento a Europa é o continente que melhores resultados tem apresentado no Basquetebol a nível Internacional.

 

Eduardo Monteiro é ex-treinador do SL Benfica e das Seleções Nacionais

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