Presidente responsabiliza Governo por «qualquer perturbação»

Guiné-Bissau 22-10-2019 17:55
Por Lusa

O Presidente da Guiné-Bissau, José Mário Vaz, assegurou hoje que as forças de defesa e segurança vão garantir a estabilidade no país e disse que qualquer perturbação da "ordem vigente" é da responsabilidade do Governo.

 

«Num momento em que alguns personagens da cena política parecem ter perdido a força da razão e das ideias e se preparam para agir de forma menos democrática, o chefe de Estado assegura aos guineenses que as Forças Armadas e de Segurança saberão estar à altura da situação e assegurarão a estabilidade, a paz e a tranquilidade dos guineenses que conquistámos nos últimos cinco anos», refere José Mário Vaz, num comunicado hoje divulgado à imprensa.

 

Na nota, o chefe de Estado reitera o seu compromisso em «defender a Constituição e as leis, a independência e a unidade nacionais, cumprindo com total fidelidade os deveres» da função para que foi eleito.

 

«Perante o avolumar de casos e situações que contribuem perigosamente para a rutura da paz social, o Governo deve assumir a responsabilidade plena pelos seus atos e pela forma fraturante como vem conduzindo matérias tão sensíveis e determinantes para o futuro do nosso país», salientou José Mário Vaz.

 

O Presidente referia-se à questão das correções dos cadernos eleitorais, que tem sido fortemente criticada pela oposição, mesmo depois de o primeiro-ministro já ter explicado que só serão incluídas se a plenária da Comissão Nacional de Eleições, na qual estão representados os candidatos às eleições presidenciais, concordar.

 

O assunto também já foi abordado pela Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), que tem mediado a crise na Guiné-Bissau, e por uma missão conjunta internacional, que recomendou a utilização nas eleições presidenciais dos cadernos eleitorais utilizados nas legislativas de março passado, salvo consenso político de todos os intervenientes e por escrito.

 

«Qualquer perturbação da ordem vigente será, por isso, da exclusiva responsabilidade do Governo. Não é hora de se tocar tambores com facas», sublinhou o Presidente guineense.

 

Ainda sobre a atualização dos cadernos eleitorais e relembrando as recomendações da CEDEAO, o Presidente guineense insistiu que é «fundamental o respeito daquele princípio para que o processo eleitoral seja transparente e para o bem de todos os guineenses».

 

«Também a forma como se procedeu ao sorteio do posicionamento dos candidatos no boletim de voto não contribui para a desejada transparência do processo eleitoral», sublinhou.

 

No sábado, a Comissão Nacional de Eleições procedeu ao sorteio da posição do boletim de voto dos candidatos sem a presença das candidaturas de José Mário Vaz, Umaro Sissoco Embaló, Nuno Nabian e Carlos Gomes Júnior.

 

As eleições presidenciais na Guiné-Bissau realizam-se a 24 de novembro.

 

 

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